<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828</id><updated>2012-01-30T15:25:57.927-03:00</updated><category term='Paixões instantâneas'/><category term='Mentira deslavada'/><category term='Música'/><category term='Gafes'/><category term='Escrotão'/><category term='Celebridades'/><category term='Cinema'/><category term='Reflexões'/><category term='Listas'/><category term='Entrevistas'/><category term='Absurdos'/><category term='Ficção'/><category term='Tiras'/><category term='Tirando graça'/><category term='&apos;Bom gosto&apos;'/><category term='Memórias'/><category term='Jornalismo'/><category term='Quentchura'/><category term='Tevê'/><category term='Cachaça'/><category term='Vida de repórter'/><category term='Mulheres'/><category term='Universidade'/><title type='text'>Bêbado Gonzo</title><subtitle type='html'>do @andersonjor</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>146</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-834912176169178372</id><published>2012-01-12T01:44:00.002-03:00</published><updated>2012-01-12T02:24:21.482-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quentchura'/><title type='text'>Carta aberta para Belém</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oi, Belém, minha gata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agüenta mão aí que está quase acabando. Falta menos de um ano para terminar o mandato do desprefeito, o senhor Duciomar Costa. Sei que está sendo duro, muito duro, e a senhora já está pelas tabelas, morre, não morre. Dia desses a senhora foi bater no Pronto Socorro com essa ânsia em ver tudo acabar e pôr fim à tortura e deu no que deu. Quase bate as botas na porta do Hospital sem atendimento, coitadinha. Eu te avisei, meu bem, eu te avisei que não valia a pena ir e o melhor remédio seria um chazinho, uma andiroba, um cataplasma ou, em casos piores, a extrema unção junto com os teus, deitadinha no aconchego do teu lar. A senhora não tem mais idade para essas aventuras. Já são 396 anos, afinal.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ktyXL7E5raQ/To3bXO76IbI/AAAAAAAAC1c/De2n5KMClLg/s1600/Photo+%25C2%25A9+Luiz+Braga_Banhista_+_+_.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-ktyXL7E5raQ/To3bXO76IbI/AAAAAAAAC1c/De2n5KMClLg/s400/Photo+%25C2%25A9+Luiz+Braga_Banhista_+_+_.jpg" width="393" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Foto: Luiz Braga.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda me lembro de ti, mocinha, bem novinha. Toda emperiquitada. Não recordo da minha memória, claro, mas da memória alheia, do que as fifis de porta de vila tanto falam de ti, dos teus saracoteios por aí. Primeiro no Teatro da Paz junto com a rapaziada de fraque e cartola cheirando aos dólares da borracha; depois no Grand Hotel, já balzaca, porém, ainda tchutchuca. Todo mundo fala que eras de parar o trânsito de charretes, uma morenaça. E eu acredito olhando agora - com todo respeito - tua carne murcha, mas ainda cheia de charme.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro como se fosse hoje, doçura, as brigas feias por ti. Do pobre do tupinambá Cabelo de Velho morrendo na mão dos portugas, coitado. Do porradal renido que acabou com 300 e tantos mortos no Brigue, na época da adesão. Da mordição enciumada dos cabanos, massacrados sem piedade também. Tudo por ti, pra te ter, te usufruir. Quem mandou ser gostosa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só acho que esse pessoal que te ganhou na mão grande não te cuidou direito, meu bem. Desculpa te falar, mas acho que escolheste errado teu super-heroi. Sei que não foi culpa tua, que não te deram muita escolha, mas foi um erro. Dos feios, minha preta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o negócio começou a desandar, esses moços, ricos moços, te deixaram a ver navios. Retiraram todas as fichas e caíram fora o mais rápido possível. Lembro bem de gente que até tentou cortar os vínculos mais aparentes da tua época de ouro, minha lindeza. Jogaram os velhos casarões no chão e foram tentar a sorte em outro lugar, te deixando sozinha na mão dos sacripantas.  Sim, os mesmos degenerados de sempre, que vão passando tua tutela de mão em mão. Mudam de cara, de endereço, até de sotaque, mas sempre te tratando com o mesmo desprezo que os rufiões despejam às suas funcionárias, exigindo a última gota de suor para levar o máximo que puder das noites e noites de trabalho forçado. &lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_t44psB46V7M/TSuU2dNRqZI/AAAAAAAAAcA/6IFis0V9ldU/s1600/BEL%25C3%2589M+A+NOITE_Tarso+Sarraf_032.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="228" src="http://4.bp.blogspot.com/_t44psB46V7M/TSuU2dNRqZI/AAAAAAAAAcA/6IFis0V9ldU/s400/BEL%25C3%2589M+A+NOITE_Tarso+Sarraf_032.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Foto: Tarso Sarraf&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já tem tempo, Belém, que eles te tratam assim, feito a preta velha, no fundo da cozinha, que embora considerada membro da família nunca sentará com o senhorzinho na sala de estar. Será sempre a lambaia, a mucama risonha, dócil que amamentou os filhos todos do dono da casa, envelheceu feliz sendo explorada e se contenta com as migalhas do resto da festa, encarando o pouco caso como afeto. Sabe, minha velha, meu amor, tu não mereces.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É por isso que te escrevo hoje, minha paixão. Não te quero apontar defeitos, não. As tuas ruas esburacadas entupidas de gente mal educada, teus bueiros transbordando, teu calor do inferno em lava quente, teus rios encobertos por prédios hediondamente horríveis, teus melhores filhos virando as costas para ti. Nada disso, minha linda. Eu que sempre reclamo demais, quero mesmo é te dizer que não mereces nada do que andam te aprontando, que tudo é um equívoco, que somos culpados e viemos hoje, eu sei que só hoje, rogar de joelhos, com os olhos rasos d’água, que tu nos perdoe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Te fizeram festa. Uma, duas, três, mil delas. Te trouxeram uma estrela da Bahia; te ofereceram bolos gigantes; pintaram teu céu de fogos; te cantaram poemas - alguns terríveis, ruins -; reprisaram aquelas imagens batidas das mangueiras, do açaí, do peixe fresco, do sorriso e da chuva; cantaram os velhos hinos de sempre. Sei que tu olhas calada, minha Belém, com o rosto inerte de quem está cansada, exausta; de quem já não crê nessa palhaçada toda; de quem está para mandar tudo ao caralho de tanta impaciência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E tens toda razão, minha princesa. Não mereces remendos, nem restos, nem raspas, nem o amor frívolo eventual por causa do dia te hoje. Merece o amor eterno todo dia. Não aquele amorzinho de nada, mas o dedicado à namorada nova, à amante tarada. Um amor quente, como quente tu és. &lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://farm3.static.flickr.com/2225/2188392042_699f8e62c6.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://farm3.static.flickr.com/2225/2188392042_699f8e62c6.jpg" width="265" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Foto: Breno Peck.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Merecias de verdade uma vida de rainha em trono de ouro, em reino de paz, banhada em fortuna para que nunca mais os que aqui moram exclamassem “pobre Belém”, nem os que aqui chegam pudessem aspirar o sopro da decepção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dias melhores virão, minha gata, minha flor. Hoje te mando esse recado, meio acanhado. Sei que estás assediada demais por causa da data. São muitos os galanteadores. Mas quando tudo passar e todos voltarem às rotinas e te deixarem quieta no teu canto de sempre, dá uma olhadinha, lê com carinho, não esquece de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espero que tudo se ajeite, esse tempo ruim passe logo, e ano que vem eu possa ir à tua festa tomar um café, comer uma tapioca. Esse ano nem deu, porque não gosto de axé music, mas prometo levar meu abraço de filho a hora em que a farra der lugar ao habitual esquecimento dos tantos que hoje te celebram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até, minha velha, meu amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu te amo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-834912176169178372?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/834912176169178372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=834912176169178372&amp;isPopup=true' title='68 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/834912176169178372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/834912176169178372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2012/01/carta-aberta-para-belem.html' title='Carta aberta para Belém'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ktyXL7E5raQ/To3bXO76IbI/AAAAAAAAC1c/De2n5KMClLg/s72-c/Photo+%25C2%25A9+Luiz+Braga_Banhista_+_+_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>68</thr:total><georss:featurename>Belém - PA, Brasil</georss:featurename><georss:point>-1.4550205 -48.50236819999998</georss:point><georss:box>-1.693807 -48.63594919999998 -1.216234 -48.36878719999998</georss:box></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-4291587798048080888</id><published>2012-01-09T01:06:00.001-03:00</published><updated>2012-01-09T17:43:48.543-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Terra Firme</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia quase dois meses ele dava uma desculpa qualquer e não aparecia nas noites sextas-feiras. A ausência a deixava, antes de qualquer coisa, desconsolada e, com o avançar das horas, furiosa. A fúria iniciava com lembranças de pequenos destemperos, como a recusa brusca ao almoço dominical na casa da mãe dela. Por que não?, ela indagava, chorosa, enrolada no edredon, protegida do frio sulista espargido pela central de ar do amplo quarto.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i.olhares.com/data/big/327/3278770.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="222" src="http://i.olhares.com/data/big/327/3278770.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Foto: Thiago Araújo&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ira fervia ao percorrer caminhos lamacentos das lembranças do início da relação: telefonemas das ex e, principalmente, a não declaração do namoro nas redes sociais. Como podia? Para ela, não escancarar o amor no mundo virtual correspondia à atitude de pais que não davam festa de 15 anos para esconder a filha feia da sociedade. Ele não me ama, lamentava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegava ao extremo, muito perto do ódio, ao pensar no jeito do namorado com todas as mulheres. Com certa malemolência, ele tratava todas muito bem. Da mãe às desconhecidas, todas ganhavam um afago, um elogio, uma atenção própria dos amantes congênitos, mesmos os amansados por mulher tão exuberante como ela, noiva linda que era. Porém, a futura esposa encarava como uma descompostura, um acinte. Era um galinha, isso sim, rangia no ponto alto de sua dor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquela sexta, não foi diferente. Ele ligou com o “oi, amor da minha vida” de sempre e emendou: “não vai dar. Estou muito enrolado. Devo sair tarde e exausto daqui. Amanhã a gente almoça junto, ta bom?”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentindo a estocada no peito, ela apertou os molares superiores contra os inferiores, fingiu o sorriso e mandou um “tudo bem” chocho, perfeito para esconder o desespero. “Tchau, amor da minha vida”. “Tchauzinho”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele tem outra. Só pode. Não é possível. Uma sexta, vá lá. Mas, duas, três, quatro, cinco, sei lá quantas? Ele tem outra, repetia sozinha. Minutos após a conclusão, ligou para a melhor amiga. “Vamos lá amanhã de manhã. Cedinho. Estou decidida. No almoço, já saberei tudo, meu Deus”, soluçou para outra que ouvia sem atenção: “vamos sim, amiga, vamos, sim”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não dormiu. Levantou um bagaço. Tomou banho e às seis da manhã a maquiagem tinha corrigido o rosto devastado pela insônia. Desceu ao saguão do prédio, aparvalhada, ignorou o porteiro e foi tomar café na padaria da esquina. Comeu sem pressa, mastigando a cisma da noite passada. Mandou mensagem para ele: “chegou muito tarde?”. Sem resposta. Ligou para a parceira em seguida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Já estou pronta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu nem levantei. Vamos mais tarde?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não. Quanto mais cedo melhor. Em meia hora estou aí.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ai, não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Ai, sim. Não demora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Partiram para o destino quase oito e meia da manhã. Pegaram um táxi na Padre Eutíquio, defronte ao shopping, e rumaram para o desconhecido.  Chegaram ao endereço, sem muita certeza. Uma casinha de madeira de três cômodos, encravada junto com outras similares, em uma passagem do bairro de Montese, que todo mundo conhecia por Terra Firme. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os malandros do lugar arregalaram os olhos na primeira avaliação. Quando entraram na rua, Boca de Sacola achou fácil e começou a imaginar, com a pouca Matemática que sabia, o quanto podiam render: na bolsa uns 300, já incluso o celular; os óculos uns 50; os sapatos dariam para Arlene. Achou os pés do mesmo tamanho. Já ia meter o bicho, mas parou quando as donzelas estancaram no número 23.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Melhor jogar no bicho. Hoje é borboleta na cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adentro uns 20 metros da beira do canal, o casebre ainda estava fechado quando elas bateram na porta. Depois de certa insistência, atendeu o chamado um adolescente macilento, acinzentado, sem camisa, com aos cabelos sarapintados de loiro em várias partes do cocoruto, ainda com remela nos olhos. Entra, convidou o rapazola. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a porta se arreganhou, o cheiro impactou os nobres narizes acostumados a ambientes mais cleans. Erguida no alto para amenizar os transtornos dos aguaceiros de sempre, a choupana guardava um lodaçal embaixo do assoalho. De lá desprendia homogêneo o odor fresco do capim nascido na várzea, a acidez da merda e urina de toda a vizinhança, a exalação industrial de sabão em pó das lavadeiras e o sebo dos restos de comida que escorria dos jiraus. Invadia pelas frestas das tábuas do piso, um vapor suave guardado, sem discrição, embaixo de uma capa de lixo plástico movimentada pela correnteza sutil do igapó, antes moradia de jacarés enormes e fonte de água pura e serventia para o pouco lazer dos leprosos mandados para lá como exilados no passado, havia mais de cem anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A dupla sentou no único sofá da pequena sala, coberto com uma capa floral presa por elásticos encardidos. O chão bem varrido, as flores de plásticos na mesinha de centro, a CCE de 29 polegadas, os bibelôs de gesso na estante improvisada com tijolo e compensado tranqüilizaram as visitantes. Elas cochichavam admiradas com o zelo com que tudo fora organizado. Nas paredes, lado a lado um cartaz do Círio de número 200 de Nossa Senhora de Nazaré e um calendário de 1992 com um Jader Barbalho mais jovem, sorrindo. Num canto, o pequeno altar sincrético casava a imagens do Sagrado Coração de Jesus e outros santos católicos com Iemanjá, Exu e demais entidades da umbanda e do candomblé.  Da cozinha, veio a voz, como ordem para as duas: venham para cá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João estava sentado à pequena mesa de tábua crua. Um pedaço de pão massa fina na mão direita e o copo de café preto na esquerda compunham a imagem do mulato forte, vestido apenas de calça caqui, cabelos engrisalhando, tatuagens indecifráveis no seu couro engrossado por cimento na época em que serviu de besta nas construções. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Só dá daqui a pouco. Demora um tanto, mas a senhora não vai se arrepender. Já, já ela vem - Ele disse, mastigando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levantou do banco e chamou, Clayton, que estava encostado na soleira da porta que dava para o quintal alagado. O rapazote entendeu e foi preparar figurino e adereços no pequeno quarto. Pouco depois, João deixou as moças e entrou na alcova. Lá, encontrou a escuridão, imperfeita por causa das brechas no telhado. Despiu-se e começou um murmúrio surdo, um rodopiar de cabeça, uma viração de olhos, tudo sumido de repente. O cessar era deixa para o auxiliar que sem demora acendeu as velas e correu até João para entregar as roupas. Dois minutos e ele estava pronto, incluindo a pintura de ruge nas bochechas e batom nos lábios.  Sentou na cadeira de espaldar grande e pediu, em voz anasalada, para que ela entrasse sozinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com medo, a mocinha mergulhou no reino de Benedita Tigre, quem emprestava o corpo de João para dar as mais variadas consultas. Surpresa, a cliente encontrou outra pessoa: o homem estava acomodado no trono, de pernas cruzadas, cachimbo pendente na boca, paramentado com cordão de contas brancas e azuis, brinco nas orelhas, tudo combinando com um xale de cetim anil e o turbante alvo. O ex-servente de pedreiro se movimentava com a suavidade e a elegância de uma ex-bailarina idosa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então suncê acha que ele te mete cifre? Não to boa pr’essas coisa hoje, não, mizifia. Mas nós dá um jeito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mulher arregalou os olhos com a adivinhação do motivo de sua visita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Benedita bafurou o tabaco e olhou para Clayton. Ele, de pronto, entregou a garrafa de 51 e a lâmpada à dama de azul. A feiticeira tirou um lenço branco do bolso e, em passe de mágica, envolveu o objeto no tecido e o esmagou em seguida com uma pisada. Abriu o pano para a cliente ver o estrago na lâmpada e levou os cacos de vidro à boca para mastigar em um croc-croc-croc-croc de impressionar a quem assistia. Deu um gole enorme no marafo e vaticinou: “agora, sim”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem parar, a entidade disse: “suncê pregna muito, suncê tende  ciúme, suncê devia confiá, mas galego né frô que se cheire, né? Galego ta comendo fora do terreiro de suncê, mizifia, bem na cara de suncê, com caboca do seu bem-querê, se era isso que mizifia vem saber. Suncê dá confiança demais. Abre olho, faz bem. Suncê só conta suncê mermo nessa estrada, mizifia”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela começou a chorar, deixando o nariz escorrer. Benedita Tigre segurou-lhe as mãos e quando a freguesa achou que vinha um consolo, acostumada com mimo, a bruxa ralhou entrovoando a voz: “suncê num vem chorá no meu terreiro, não. Olha pra frente que galego num te qué e num volta aqui pra chorá, que hoje num to em dia bão, mizifia. Deixa chororô pra velório e mancebação”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois disso, Benedita subiu. Restou o cavalo João, cansado, na cadeira da velha tigresa. Ele acordou do transe, pediu para que a moça aguardasse lá fora. Voltou recomposto como homem que era. Cobrou 500 reais pela consulta, receitou uns banhos. Clayton encaminhou as visitas à saída. Lá, fora Boca de Sacola cutucou Amendoim e Fala Fino. O trio estava agoniado para ver as duas mulheres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nem mexe que é da Benedita. Deixa quieto, moleque - Disse o mais velho deles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As duas passaram de cabeça baixa rumo ao táxi chamado pouco antes do fim dos procedimentos de João.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E aí? O que ela disse? O que ela disse? Perguntou a acompanhante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nada, não. Falou que tu és meu anjo da guarda. E só confirmou o que eu já sabia dele, querida. Tudo bobagem da minha cabeça - respondeu ela, mostrando os dentes perfeitos, pouco antes de atender o telefonema do noivo para confirmar o almoço naquele sábado singular.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-4291587798048080888?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/4291587798048080888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=4291587798048080888&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/4291587798048080888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/4291587798048080888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2012/01/terra-firme.html' title='Terra Firme'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-6955930218268669655</id><published>2011-12-22T17:18:00.002-03:00</published><updated>2011-12-22T19:48:33.568-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cachaça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quentchura'/><title type='text'>Samba e amor até mais tarde com jornalistas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ok, ok. A narrativa que se segue é mero fruto de observação, alguns relatos esparsos após o acontecimento e migalhas de flagras perdidos em pixels espalhados por aí em imagens gritantes. Qualquer semelhança com a realidade apartado do álcool é coincidência total. Pediram e capitulei para escrever as impressões sobre a já famosa festa da Fiepa. Para desespero nosso, os abutres da notícia, não teve nenhuma desgraça. Nadinha. Ninguém subiu na mesa, não houve dedo em riste, cenas de tragédia grega, tampouco um mero tapa na cara, embora tenha visto alguns tapinhas carinhosos em algumas nádegas na hora do funk. Tudo dentro do esperado. Ou o esperado era mesmo a boa e velha porrada? Se era, mais uma frustração de um ano repleto delas.&lt;/div&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-U63sZwAeP3M/TvOLwcbzS7I/AAAAAAAABSo/X28iEcD-WW0/s1600/380165_261599317233617_260687137324835_704232_892149150_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://3.bp.blogspot.com/-U63sZwAeP3M/TvOLwcbzS7I/AAAAAAAABSo/X28iEcD-WW0/s400/380165_261599317233617_260687137324835_704232_892149150_n.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Ary e Célia, uma dupla do barulho.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chego cedo à festa. Era umas nove e pouquinho. Desta vez trajando preto, como no Tropa de Elite, porque não sou moleque, tentando emular um latin lover, sem sucesso por causa da barriga. Consegui, no máximo, me aproximar de um Zorro aposentado sem máscara. Já na garagem da Federação encontro uma amiga das antigas que tinha jurado de pé junto não pôr os pés na festança por não ter recebido um convite. Mas o equívoco foi reparado e ela estava lá, claro, para confirmar que ninguém quer perder o bafafá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adentro o salão e os coleguinhas estão ali na área de fotos tentando transgredir posando com adereços de carnaval. Nada demais. A decoração é de boteco. Bela escolha para uma categoria que só não enche mais a cara por falta de tempo, energia e, sobretudo, dinheiro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No meio de tudo, as nossas jornalistas, como sempre, se destacando de todo o resto com suas belezas bem planejadas para encaixar na tela. Uma mais belezoca que a outra, uma miríade que nem o mais tarado dos sutões conseguiria imaginar para o seu harém, um dos pontos altos da ideia estapafúrdia e genial de juntar jornalistas e abastecê-los com o bom e do melhor em comilança e bebelança. &lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-uTazJozTTQs/TvONI_D6g8I/AAAAAAAABS0/FQiz61K_Atg/s1600/caricatura.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://2.bp.blogspot.com/-uTazJozTTQs/TvONI_D6g8I/AAAAAAAABS0/FQiz61K_Atg/s400/caricatura.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Sorriso sem graça de sempre e a caricatura feita pelo J.Bosco.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui passar o olho nas caricaturas feitas pelo grande J. Bosco, uma homenagem da Fiepa a 34 jornalistas. Lúcio Flávio, Célia Pinho, Úrsula Vidal, Frank Siqueira, Anderson Araújo... Anderson Araújo? Pois é, estava entre os homenageados. Achei estranho porque passei quase o ano inteiro cobrindo polícia no jornal, muito longe das matérias de economia que envolvem a Federação. Mas, fiquei contente. Só acho que o genial cartunista deu uma reduzida nas minhas bochechas, porém gostei do desenho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na primeira olhada aos dançarinos, vejo a intrépida Célia Pinho atracada ao performático fotógrafo Ary Souza. Uma fotografia surreal e imaginável no nosso corrido dia a dia atrás de problemas, tragédias e muitos dramas. A dupla recebeu aplauso no final do suingue merengado, suado, rasgado a todo vapor. Aplauso a eles que sintetizaram o clima da noite. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O texto do ano passado deve ter provocado uma reação adversa. A mesma que ocorre quando um governador vai visitar um hospital público. Todo mundo maquia a unidade hospitalar para parecer tudo lindo. A impressão que tive é que eu passava e as pessoas escondiam a sacanagem para eu não saber. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois me passaram alguns detalhes, como o contado pela Úrsula Ferro, que havia até um OB perdido na área de dança. Reza a lenda que era usado, informação não confirmada, mas que pode ser real. As saias curtas e os movimentos frenéticos das lindas moças podem ter expulsado o pequeníssimo absorvente do paraíso.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-U63JBXM-SGM/TvOQP-OW3-I/AAAAAAAABTA/MC-cPhaUyp0/s1600/conrado.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://4.bp.blogspot.com/-U63JBXM-SGM/TvOQP-OW3-I/AAAAAAAABTA/MC-cPhaUyp0/s400/conrado.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Presidente da Fiepa, José Conrado: "meu Deus, ano que vem tem de novo". (Foto: Rogério Uchôa)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem barracos para registrar, o lance foi dançar. Dançar até versões de horrendas de pagodes de velhas músicas conhecidas, dançar o poperon dos anos 90 e dançar com as mulatas do Rancho não posso me amofiná. Já meio encharcado, não me amofinei e estou até agora coberto com a purpurina, o cheiro de Kolene e o perfume das fabulosas passistas do Jurunas. Coisas lindas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No fim, o ritual comum da formação de casais improváveis, a confirmação de fins de amores, o extravio de velhas paixões e o velho desespero dos que querem se dar bem nas fartas porções femininas que ainda circulavam no salão. Teve fotógrafo querendo pegar beldades na marra, teve juras de amor de joelhos, teve enxerimentos sutis e, obviamente, teve a admissão de muito de voltar para casa apenas no desejo e com imagens em brasa na memória para render outras homenagens, essas não muito dignas nem em forma do traço elegante e jocoso da caricatura. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tlvaS3m2ASM/TvOzqikiLzI/AAAAAAAABTM/q88E-XfDzRU/s1600/mulatas.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://3.bp.blogspot.com/-tlvaS3m2ASM/TvOzqikiLzI/AAAAAAAABTM/q88E-XfDzRU/s400/mulatas.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Oi, mulatas.&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, quem perdeu, perdeu. Não posso reclamar de uma confraternização em que fui homenageado e ganhei no sorteio uma passagem com acompanhante para qualquer lugar do Brasil. Até tentei trocar por um pen drive de 64 gigas entre os convivas, mas ninguém se dispôs a fazer a troca. Deixaram passar a oportunidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem brigas, sem porradas, a festa mais concorrida do ano findou naquele papo de sempre: "e agora para onde a gente vai?". Comportado, acompanhei os coleguinhas em dois bares e parti para casa pensando seriamente em não escrever esse texto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-6955930218268669655?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/6955930218268669655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=6955930218268669655&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/6955930218268669655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/6955930218268669655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/12/samba-e-amor-ate-mais-tarde-com.html' title='Samba e amor até mais tarde com jornalistas'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-U63sZwAeP3M/TvOLwcbzS7I/AAAAAAAABSo/X28iEcD-WW0/s72-c/380165_261599317233617_260687137324835_704232_892149150_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-6340134577772703257</id><published>2011-12-16T13:59:00.001-03:00</published><updated>2011-12-16T14:49:16.413-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Listas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quentchura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tirando graça'/><title type='text'>Cinco dicas para bombar sua confraternização</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já recebeu os convites e está selecionando para qual vai, não é? Sim, é tempo de festa, de se reunir, de bancar o social, do tapinha nas costas e de rir de piadas sem a mínima graça junto com os colegas de trabalho. É tempo de confraternizar a paz no mundo! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Música da Simone e entra uma criança fofa com uma pomba branca nas mãos e solta no ar. o Pássaro voa. Flap, flap, flap - barulho das asas)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://blogs.estadao.com.br/olhar-sobre-o-mundo/files/2009/12/2005B.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://blogs.estadao.com.br/olhar-sobre-o-mundo/files/2009/12/2005B.jpg" width="251" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Pombas não são legais.&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É, meus amigos, nem falo mais nada. Não consegui ficar fora de amigos invisíveis e essa xaropada toda de fim de ano como eu sempre quis. Mas, nem toda a meta a gente consegue bater, não é? A de terminar o ano de 2011 rico e magro foi outra que deixei de lado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensando na inescapável sina do término de ciclo anual, resolvi seguir a máxima “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. É, porque você não vai se safar, nego. Não dá para se esconder do monstro horrendo da felicidade compulsória de fim de ano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida é isso, esse amontoado de pressões sociais, essa calça curta na hora imprópria, esse flagrante infindo do pai da namorada na hora em que você está em cima dela. A vida é um sorvete escorrendo debaixo do sol do meio dia, borrando sua alva camisa de trabalho, diria meu amigo Lucas Leite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, a vida é terrível e os amigos ocultos, invisíveis, secretos, o caralho a quatro, são apenas metáfora da porra toda. Então, se é para entrar na dança, que seja direito, com garbo, elegância (mentira!) e muita diversão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É por isso que vou postar cinco dicas para se divertir nas festinhas da firma e de família. Você vai gostar tanto que vai se viciar e entrar nas confraternizações de desconhecidos cumprimentando todo mundo e até presenteando as velhas, as crianças, os travestis e toda fauna que tiver. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos lá!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #990000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Chegue bêbado&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.ehelpcarolina.com/wp-content/uploads/2010/10/Renato-Russo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://www.ehelpcarolina.com/wp-content/uploads/2010/10/Renato-Russo.jpg" width="242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa é antiga e funciona para outras festas que não seja as finaldoanozísticas. Escolha sua bebida preferida ainda em casa. Sugiro destilados que são mais fortes. Não vá de absinto que agride demais o estômago e você tem que manter o bucho são para se empanturrar ao longo de seu auto-sacrifício. Escolheu? Pois bem. Vá no seu ritmo e beba até o S se transformar em X e o mundo parecer uma pintura de Monet, meio borradinho. Não chegue até a fase trançar as pernas! Vai ter que se deslocar até o local e é preciso fazer isso com dignidade.  Chegando nessa condição, vá para a festança. Você encontrará convidados lindos e vai parecer que o mundo é perfeito que todas as pessoas são felizes, tipo o Renato Russo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #990000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Vá pronto para flertar&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_T-VNRRbtp5k/Ta8ihrVZJhI/AAAAAAAAL94/CedcHYvnHCo/gabriel%20colombo2.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="216" src="http://3.bp.blogspot.com/_T-VNRRbtp5k/Ta8ihrVZJhI/AAAAAAAAL94/CedcHYvnHCo/gabriel%20colombo2.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Ah, mas na minha firma só tem homem!”. Problema seu, meu velho. Vá com o espírito guerreiro-solteiro-praieiro-quer-mais-o-que-ê-ê. O flerte é um exercício como outro qualquer, já ensinava o Kundera. Servirá perfeitamente para abstrair o sofrimento quando começam as descrições entre amigos ocultos. Lembre-se que você está alcoolicamente alterado - se seguir as dicas. Na falta de convidadas, procure uma garçonete, uma recepcionista, uma moça dos serviços gerais. Não importa. Comece o flerte com o que puder. Não vá cometer o erro de escolher por beleza se não houver opções agradáveis. Você está cercado de homens por todos os lados e não há alternativas? Vire gay! Ora, ora. O mundo é tolerante hoje em dia. Ninguém vai reparar (ou não!) e vão pôr a culpa na bebida no dia seguinte, fazendo piadas, claro, com sua homoafetividade movida a álcool.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #990000; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Dance, dance muito!&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QnJPm12OxfM/S95ImhNQ9FI/AAAAAAAABP0/egCo6vM8NxY/s1600/crazy_dance-127621.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_QnJPm12OxfM/S95ImhNQ9FI/AAAAAAAABP0/egCo6vM8NxY/s320/crazy_dance-127621.gif" width="271" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vá preparado para sacudir o esqueleto. A confraternização vai ser em um bar elegante que só toca música de elevador? Meu irmão, você anda muito sem criatividade. Aproveite a embriaguez e faça coreografias ousadas. Solo ou em par.  Tente aplicar o “carrinho de mão padá padá babá badá” em alguma música de protesto do Chico Buarque ou ainda leve uma valsa quando tocar “O papai chegou”, do MC Catra. Pegue a colega de trabalho mais velha e vá fundo no arrocha. Chame o chefe para dançar a macarena.  Enfim, anime esse velório travestido de amenidades e troca de presentes. Só tome cuidado com a dança da boquinha da garrafa e também com o cabo de vassoura - é pior do que cenoura e você pode se dar mal, profetizou o Molejão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #990000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Estimule um barraco!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_wuSdxqpn6YE/S2Ntlxf65-I/AAAAAAAAIAE/0_8CeJ-gOXc/s400/briga-criancas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_wuSdxqpn6YE/S2Ntlxf65-I/AAAAAAAAIAE/0_8CeJ-gOXc/s400/briga-criancas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ser humano se atrai pela fofoca, a intriga, o disse-me-disse e o enxovalhamento desde que o primeiro homem das cavernas saiu com a segunda mulher das cavernas causando ódio na primeira mulher das cavernas. Foi terrível, lembro bem. Então, tudo que envolve mexericos (adoro essa palavra) levanta o astral. Experimente conversar sério sobre a construção da usina de Belo Monte. Todo mundo vai dar opiniões tentando ser sensato e coisa e tal. No meio do papo, solte um “sabe quem está comendo a fulana?”. A reação de ânimo é imediata. Pois então. Na festa comece a falar mal de quem ainda não chegou. Mas emita suas impressões em tom baixo para as pessoas, individualmente, uma a uma. Faça caras de desconsolo, de reprovação, quando for mencionar que a moça do RH transou com todo mundo do pessoal do transporte. Finja pena do rapaz da limpeza que foi flagrado em ato oral com o diretor de marketing no banheiro do sétimo andar. Terrível. Quando os atacados pelo veneno chegarem dê um jeito de contar que estavam metendo o pau neles, coitados. Vai ser um constrangimento total e alguém vai ter que explodir. Sub-dica: não fique mais de cinco minutos quando iniciarem as ofensas pessoais. Vai sobrar para você. Corre, negão!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #990000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Sorria, sorria sempre!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://notasaocafe.files.wordpress.com/2007/09/afghan02.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="229" src="http://notasaocafe.files.wordpress.com/2007/09/afghan02.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim, sorria. Você está na merda. Foi forçado a comparecer a um evento que não lhe apetece, comove, alucina ou fascina. Já foi cooptado e teve que lançar a frase “meu amigo oculto é...” e jogado na cova rasa e comum que vos aproxima de livros de auto-ajuda e estratégias de marketing para vencer na vida. Que triste, meu amigo. Mas, já dizia aquele passado papo de que o poeta é um fingidor. Finja também. Arreganhe os dentes em poemas. Ria de anedotas pífias, de mentiras acachapantes, de falsos elogios, de declarações de amizade mais fakes do que o uísque que te deram de presente. O mundo é das aparências. Não vá sofrer com essa fatia insignificante da vida que lhe oferecem agora, no final do ano. Ela acaba rápido. Afinal, são algumas intermináveis horinhas somente. É apenas uma representação do que foi o ano inteiro e será o próximo e o próximo e os próximos. Pessimismo? Que nada! Só estou rindo da sua cara. Faça um esforço, levante os músculos da face e lance seu esgar, enfim, ria da minha também. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos vemos nas confraternizações!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Feliz Natal e um grande 2012!&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-6340134577772703257?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/6340134577772703257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=6340134577772703257&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/6340134577772703257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/6340134577772703257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/12/cinco-dicas-para-bombar-sua.html' title='Cinco dicas para bombar sua confraternização'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_T-VNRRbtp5k/Ta8ihrVZJhI/AAAAAAAAL94/CedcHYvnHCo/s72-c/gabriel%20colombo2.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-5914230312517134965</id><published>2011-12-04T14:24:00.001-03:00</published><updated>2011-12-05T00:03:19.248-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevistas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Celebridades'/><title type='text'>Vicente Salles, o lixeiro da cultura.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem não leu no jornal, pode ler aqui a entrevista com o historiador Vicente Salles, essa figura única e nossa. No fim da conversa comigo, antes de entrar no elevador, sob o olhar apaixonado de Marena, sua esposa, ele disse: "tem tanta coisa ainda pra fazer. Pena que não temos duas vidas".&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Fmd1VffPXDA/Tturum5KKaI/AAAAAAAABSE/SRk1iOi5OmY/s1600/vicente.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="296" src="http://1.bp.blogspot.com/-Fmd1VffPXDA/Tturum5KKaI/AAAAAAAABSE/SRk1iOi5OmY/s400/vicente.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Foto: Laís Teixeira.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Vicente Salles é a memória viva do Pará&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No começo dos anos 1950, o Theatro da Paz se preparava para receber artistas de uma orquestra sinfônica da Itália, e uma das primeiras medidas para ganhar espaço na suntuosa casa de espetáculos e abrigar os músicos foi livrar-se do arquivo-morto. Jogado fora, o cabedal de documentos empoeirados acabou nas mãos de um jovem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;datilógrafo e aspirante a jornalista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desses papeis nasceu o interesse de Vicente Salles, hoje referência em pesquisa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;cultural e histórica sobre o Pará. “Eu sou um lixeiro da cultura. Busco o que jogam fora&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;para dar um novo significado”, diz ele, simpático, ao lado da esposa e professora de violino Marina Salles, 73 anos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na última sexta-feira, aos 80 anos, Vicente recebeu o título de Doutor Honoris Causa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;pela Universidade Federal do Pará (UFPA), instituição intimamente ligada à sua produção intelectual. Com 25 livros publicados e 50 micro-publicações, Vicente tem uma infinidade de material inédito e continua interessando no trabalho, quase concluindo sua pesquisa mais recente sobre o lundu, o “pai do carimbó”, segundo ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em entrevista ao jornalista Anderson Araújo, de O LIBERAL, o historiador fala de sua vida, da cultura de hoje e de ontem e alerta: “Temos toda uma memória por trás da gente que a gente quer apagar, quer destruir. Tenho um lema: povo que não tem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;memória não tem o que defender”.Confira alguns trechos da entrevista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Qual o seu nome completo?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu nome é Vicente Juarimbu Salles. Meu nome é esse porque eu nasci próximo a uma aldeia Tembé, em Igarapé-açu, na região bragantina. Nasci na localidade de Caripi, que ficava perto do Livramento, depois se passou a chamar São Luís. Acho que hoje é assim que chamam. Isso foi em 1931.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O senhor foi jornalista, não é?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu nunca fui jornalista profissional. Eu fui “foca”. Comecei com 14 anos aqui em Belém, na Província do Pará. Meu pai era amigo do jornalista Romeu Marins e mandei um texto em prosa e ele publicou. Você sabe que a letra impressa ganha outros ares, outro valor. Na verdade, foi com 16 anos. Com 14 eu ainda estava em Castanhal, estudando. Viemos para Belém quando mudou o governo, meu pai ficou em situação delicada, sem emprego, e viemos para Belém recompor a vida. Foi um começo difícil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era o pós-guerra. Belém estava sofrendo muito com o esvaziamento financeiro. A guerra nos atingiu muito, embora a participação da Amazônia na guerra tenha&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sido estimulada até pelo Exército para extrair borracha. A borracha era matéria-&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;prima para indústria bélica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O senhor chegou a ganhar dinheiro com jornal?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que nada. Naquela época o amadorismo imperava na imprensa. Nunca ganhei nada como profissional, também nunca pedi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Como senhor ganhava a vida naquela época?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu estudava e trabalhava. Eu tive um emprego muito especial que me possibilitou produzir na escrita. Eu datilografava correspondências para uma empresa. Eu gostava muito de escrever cartas e poesia. Até hoje sou um epistológrafo viciado. Nessa época, me correspondia com muita gente de todos os lugares do mundo. Era interessante, que a gente usava papel carbono para copiar as cartas. Era ótimo que agilizava meu trabalho e me permitia ter uma cópia. Até hoje eu tenho guardado documentos dessa época.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Como o senhor começou sua carreira acadêmica?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa foi mais difícil, porque eu queria fazer Filosofia e Belém não tinha faculdade&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;do curso na época, final de 1952, 1953. Aí aconteceu um fato muito interessante. Tive contatos com algumas figuras que foram fundamentais para minha formação intelectual&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;informal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Bruno de Menezes, por exemplo, não é? Como era a sua relação com ele?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele morava na mesma rua. A gente se cumprimentava todo dia. Meu pai era amigo do Bruno e eu me aproximei dele. Ele se interessava muito por cultura popular. Era umbanda, cordão de bichos, boi-bumbá... O que havia eu procurava ver dentro da cidade, na época em que Belém nem tinha luz elétrica. E também meu pai&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;era um intelectual primário, tinha uma biblioteca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O senhor lia então os livros do seu pai...&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Li toda a biblioteca do meu pai. Algumas leituras marcaram. (“Os sofrimentos do&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;jovem) Werther”, de Goethe, que eu chorava. Outra que eu vibrava: Dom Quixote. Tínhamos todos os livros do Julio Verne. Eu nessa época conheci o foclorista Edson Carneiro, na casa do Bruno de Menezes. Percebendo meu interesse pela cultura popular, o Edson Carneiro me sugeriu que fizesse o curso de Filosofia. Mas aqui não tinha e ele me deu a ideia de ir para o Rio de Janeiro. Eu falei ao meu pai sobre a minha intenção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu pai era um homem de atitude. Ele não comentou nada e saiu para o trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando ele voltou, já chegou com a passagem comprada. Fui para o Rio e cheguei exatamente no dia do suicídio do presidente Vargas, a cidade estava sob o impacto do ocorrido. Fui ao encontro de amigos, como Eneida (de Moraes), que eu conheci aqui numa das viagens loucas dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Como era Eneida?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma mulher esfuziante, muito honesta, pessoa muito boa. Na época do golpe, tinha um general que ela chamava de “gorila”. Foi uma grande amiga sempre, desde 1954 até a morte dela. Encontrava também o Dalcídio (Jurandir), no Rio de Janeiro, na livraria São José, um ponto de encontro de intelectuais. E também na revista Leitura, onde colaborei por algum tempo. Era uma publicação que reunia intelectuais de esquerda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O senhor conviveu com esses ícones que construíram a nossa identidade paraense. Antes deles o que a gente tinha como identidade?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu acho que havia uma coisa menos intelectual e mais sentimental, porque&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;nós temos nossos amores, nossos encontros e desencontros, inclusive regionais, como a tendência do Pará a rivalizar com o Maranhão e hoje, mais evidente, Manaus rivalizar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;com Belém. Essas rivalidades são disputas de quê? Para quê? Não somos nós que criamos. Hoje eu sou um cínico, não sou mais marxista. No meu cinismo, há toda uma visão desse capitalismo hediondo. Acho que hoje esse é um problema que acirra disputas internas. Por exemplo, essa divisão do Pará. Há um interesse capitalista&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;muito grande nisso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O senhor é um grande estudioso da música. Como surgiu esse interesse? &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu saí daqui pretendendo ser músico. Além de estudar Filosofia, eu queria estudar música. Encontrei o pai dela (apontando para Marena) para estudar música, no Rio, no mesmo ano em que cheguei lá. Aí encontrei com ela, me interessei e comecei a escrever poesia também, essa tentação de todo intelectual.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Hoje temos o tecnobrega e esse movimento todo para caracterizar esse tipo de música como um produto nosso. O que o senhor acha disso?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que é embarcar numa canoa furada. Assisti a um espetáculo doloroso no Rio de Janeiro, em que o Mestre Vieira tocou junto com uma aparelhagem e isso abafava toda a sua qualidade de músico. Então há o manipulador de botão, que hoje substitui o DJ,  para satisfazer o gosto de um público sedento de barulho. O marketeiro hoje em dia está substituindo o estudioso, aquele que se dedica a conhecer e pesquisar a música. O marketing é uma necessidade do turismo, como ocorre com apropriação do carimbó. O&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que se toca é um produto para o turista dançar, mas que tem origem no carimbo de Soure, de Marapanim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O senhor acha que é possível se “vender” culturalmente sem esse novo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;cenário?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Evidente. Somos uma mercadoria muito interessante para a mídia. Temos uma cultura extraordinária, temos nossas vertentes culturais, nossa origem étnica&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ternária, com o europeu, o negro e o índio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O senhor esperava a homenagem da UFPA?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não. Eu me sinto muito gratificado e honrado. Tenho uma vida ligada à UFPA. Fui diretor do Museu da UFPA. Aos 80 anos, a gente espera homenagem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;da família, dos netos, o parabéns para você no aniversário - que eu prefiro a&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;obra prima do Villas Lobo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O senhor ouve que música hoje?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouço do carimbó à ópera. Fiz um trabalho mostrando inclusive que há carimbo na ópera do maestro Gama Malcher. Lá pelas tantas na ópera aparecem dois caboclos tocando carimbó e gambá. O gambá, do baixo Amazonas, é o carimbo aqui da nossa região. Isso em 1892, no Teatro da Paz. Já se tocava carimbó. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Aos 80 anos, o que o senhor ainda pretende fazer?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho muita coisa inédita para ser publicada. Eu tenho um trabalho que estou desenvolvendo sobre o Lundu. A questão do negro sempre me envolveu muito, porque o negro é o mote para desmascarar muitos dos mitos que temos aqui por interesses das classes dominantes. Estudo o lundu porque é uma dança que vai permear tudo isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O lundu é pai do carimbó, do siriá, está presente no marambiré, do baixo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amazonas. O lundu permeia tudo isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O senhor acha que o Pará omite muito a sua cultura negra?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Temos uma tradição negra palpitante. O nosso maior violonista de todos os tempos, Tó Teixeira. Verequete. O próprio Pinduca. As escolas de samba, a capoeira no Pará, que existe desde 1948. Temos nossos terreiros, nossos cultos. Temos toda uma memória por&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;trás da gente que a gente quer apagar, quer destruir. Tenho um lema: povo que&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não tem memória não tem o que defender.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-5914230312517134965?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/5914230312517134965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=5914230312517134965&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/5914230312517134965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/5914230312517134965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/12/vicente-salles-o-lixeiro-da-cultura.html' title='Vicente Salles, o lixeiro da cultura.'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Fmd1VffPXDA/Tturum5KKaI/AAAAAAAABSE/SRk1iOi5OmY/s72-c/vicente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-1970066644394021036</id><published>2011-11-14T15:48:00.001-03:00</published><updated>2011-11-14T16:00:06.470-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>O abandono do Soledade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não costumo postar matérias jornalísticas feitas por mim aqui no blog, mas por crer que o assunto é relevante para preservação da história e cultura de Belém, faço-o hoje. O texto saiu em &lt;b&gt;&lt;span style="color: #073763;"&gt;O Liberal&lt;/span&gt;,&lt;/b&gt; de ontem (dia 13), nas páginas 22 e 23 do caderno Poder. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espero que sirva para pensar sobre o que estamos fazendo com o patrimônio histórico da nossa cidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leiam e comentem, se possível. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #073763; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Abandono centenário degrada Soledade&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-46fICmBdGF0/TsFg_zu6e_I/AAAAAAAABRc/4HJpBLBvqao/s1600/soledade1.png" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="276" src="http://4.bp.blogspot.com/-46fICmBdGF0/TsFg_zu6e_I/AAAAAAAABRc/4HJpBLBvqao/s320/soledade1.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Foto: Fernando Araújo&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não dá para disfarçar as enormes rachaduras na parede, muito menos o forro de madeira devastado pelo cupim sem várias tábuas, deixando aparecer o telhado incompleto com ripas igualmente podres, portão de entrada para a chuva e o sol. Se fosse uma choupana qualquer, o cenário era aceitável. Mas não é. Trata-se da capela mortuária do Cemitério de Nossa Senhora da Soledade, fundado em 1850 e tombado como patrimônio histórico há quase 50 anos por abrigar preciosos 30 anos de história do século 19 em Belém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dentro da capela, um cachorro vadio e uma bicicleta compõem o cenário naturalmente triste que cerca o Soledade, agravado pelas ervas daninhas e a pobreza do altar diante da parede fissurada. Desativado para enterros desde 1880, o campo santo mais antigo da cidade sucumbe ao abandono e algumas tentativas de fazê-lo sumir do mapa da cidade. Para impedir o quase-desmoronamento do pequeno templo, um arco de&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;compensado em madeira foi erguido a pedido do Instituto de Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A capela em petição de miséria é apenas o epicentro da imagem desoladora de um dos núcleos mais representativos da arquitetura e sociedade da segunda metade do século 19 de uma Belém que caminhava para seu apogeu econômico com o Ciclo da Borracha, iniciado no ano em que o Soledade fechava as portas. Na distribuição dos túmulos pelo cemitério, é possível entender a força e a hierarquia social da capital paraense e no preciosismo com que os jazigos foram erguidos está gravado o que o dinheiro podia comprar de melhor da arte europeia para deixar mais bonita a última morada dos abastados daquela época.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A última reforma ocorrida no cemitério é de 1912, ainda assim é apenas superficial, como diz a pesquisadora Paula Kalluf Rodrigues, autora do livro “A pedra e o tempo”. De lá para cá, o último grande feito em relação à necrópole na cidade foi o tombamento dela, em 1964, vindo por esforço do professor Mário Barata, consciente da necessidade de conservação do patrimônio histórico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por pelo menos duas vezes, o Soledade esteve sob risco de sumir do mapa belenense. A primeira foi com a ideia do intendente Antônio Lemos, no início do século 20: ávido por abrir ruas largas, ele pensou em acabar com o velho campo santo desativado. A segunda é do começo da década de 1970, quando o setor imobiliário arregalou os olhos para o imenso terreno do cemitério em uma das áreas, já no período, mais valorizadas de Belém. A sanha da especulação das construtoras foi freada pela proteção do tombamento, no entanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Duas faces da devoção popular &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que mantém o Cemitério da Soledade como espaço ativo e muito frequentado em Belém é o culto das almas, realizado todas as segundas-feiras. São os muitos devotos do Menino Zezinho, do Menino Cícero, da Menina Januária, dos Gêmeos, da Preta Domingas e da Escrava Anastácia que encontraram no espaço uma forma tipicamente brasileira de praticar o catolicismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span id="goog_1843769671"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id="goog_1843769672"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paula Calluf Rodrigues, pesquisadora e autora do livro “A pedra e o tempo”, sobre o cemitério, afirma que é preciso educação patrimonial para os devotos que, sem saber, no afã de cultuar seus santos populares, acabam danificando parte da arte que se encontra o local. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Velas e oferendas estão deteriorando, por exemplo, mármores das estátuas dos túmulos mais famosos do Soledade. “É preciso educar. Se as pessoas soubessem que estão destruindo, tenho certeza que não fariam mais e conservariam melhor esse espaço que elas prezam tanto”, destaca.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #0c343d; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #0c343d; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Impasse trava restauração de R$ 7 mi&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda na administração do prefeito Helio Gueiros (1993-1996), a intenção de restaurar o Cemitério da Soledade e transformá-lo em um museu-parque começou a ser mencionada, sendo retomada mais tarde nas gestões do prefeito Edmilson Rodrigues e no primeiro mandato de Duciomar Costa. Mas até o momento não foi possível somar esforços da União, Estado e município para garantir os R$ 7 milhões necessários à obra.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-DonZ4kV-unw/TsFhXimplBI/AAAAAAAABRs/E-eo96IDW8Q/s1600/soledade2.png" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="249" src="http://2.bp.blogspot.com/-DonZ4kV-unw/TsFhXimplBI/AAAAAAAABRs/E-eo96IDW8Q/s320/soledade2.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Foto: Tarso Sarraf.&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A presidente do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Dorotéa Lima, afirma que o projeto de restauração já foi feito pela empresa de arquitetura R2, que venceu a licitação lançada pelo órgão federal e elaborou a proposta entre 2009 e 2010 prevendo a restauração das peças artísticas do cemitério, reforma do espaço físico e criação de uma estrutura mínima para a visitaçao e controle de acesso ao local.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo com o projeto pronto e o interesse do Iphan em tocá-lo, a restauração está emperrada, principalmente, na parte que cabe ao município. Inscrição no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público, o Cadin, e problemas para delegar funções e compor um arranjo administrativo razoável com órgãos municipais envolvidos impedem que os recursos sejam capitados pelo Instituto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até o governo do Estado, teoricamente, sem competência para resolver a questão já demonstrou interesse em&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ajudar, sem iniciar a ajuda, porém. A Secretaria de Estado de Cultura (Secult) tem a restauração do Soledade em sua agenda mínima de ações, mas só deve definir como ajudará e com quanto em recursos no ano que vem, segundo a assessoria de comunicação do órgão estadual.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na prefeitura, o silêncio paira quando a questão é o cemitério. Entre a quinta e sexta-feira passada ( 3 e 4 de novembro), a Fundação do Município de Belém (Fumbel) foi procurada pela reportagem para conceder informações mais recentes sobre o assunto, mas nenhum servidor se pronunciou. A Coordenadoria de Comunicação Social (Comus) da prefeitura também foi consultada, no entanto, também não foi possível coletar nenhuma informação sobre as intenções da gestão de Duciomar Costa para o Soledade, que, com 161, anos está se deteriorando cada dia mais no bairro Batista Campos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #0c343d; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Curiosidades da necrópole&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;História&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;O Cemitério da Soledade foi fundado em 1850. &lt;/li&gt;&lt;li&gt;As pedras de cantaria  que forma o muro do Soledade vieram de Lisboa, Portugal.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;O gradil foi trazido de Liverpool, na Inglaterra. &lt;/li&gt;&lt;li&gt;A fachada foi feita pelo arquiteto preferido de Dom Pedro I, Antonio Pezerat.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;O primeiro campo santo de Belém atendia a ordem de não enterrar mais os mortos dentro ou próximo das igrejas.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;O cemitério foi feito também para acomodar os mortos pela febre amarela que varreu a população belenense. &lt;/li&gt;&lt;li&gt;Outras duas epidemias também lotaram o Soledade: a do coléra e da varíola.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;O cemitério encerrou suas atividades em 1880.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Há 30 mil corpos sepultados no Soledade.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Joaquim Vitorino de Souza Cabral, construtor do Soledade, está enterrado lá. &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Curiosidades&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;O cemitério era administrado pelas Ordens religiosas da Santa Casa, Ordem Terceira de São Francisco, Ordem Terceira Militar de Santo Cristo e Ordem de Nossa Senhora do Carmo. &lt;/li&gt;&lt;li&gt;As quatro ordens ocupavam cada uma um quadrante do cemitério. Divisão que pode ser vista ainda hoje.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;No Soledade é possível ver o túmulo de personagens ilustres do século XIX em Belém, como: general Hilário Gurjão, cônego Siqueira Mendes, visconde de Arari e a Baronesa de Jaguaribe.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Há ainda os santos populares cultuados como o Menino Zezinho, o Menino Cícero, a Menina Januária, os Gêmeos, a Preta Domingas e a Escrava Anastácia.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Arte&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;As famílias mais ricas de Belém primeiro resistiram a ideia de enterrar seus mortos fora das igrejas.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Não agradava aos ricos terem seus parentes enterrados juntos com pobres e escravos.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;As epidemias de febre amarela, cólera e variola ajudaram a convencer a elite a usar o novo campo santo.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Para diferenciar, as famílias mais ricas ocuparam os espaços mais próximos da capela mortuária.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Preta Domingas é a única escrava a ter um túmulo pelo do templo.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Para mostrar prestígio, as elites construíram verdadeiras obras de artes em jazigos familiares.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Há obras de refinamento técnico e artísticos de vários escultores europeus.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Os portugueses Antônio João Rato, Germano Sales, José de Almeida e o italiano Alegretti venderam esculturas para embelezar o Soledade.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-1970066644394021036?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/1970066644394021036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=1970066644394021036&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/1970066644394021036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/1970066644394021036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/11/o-abandono-do-soledade.html' title='O abandono do Soledade'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-46fICmBdGF0/TsFg_zu6e_I/AAAAAAAABRc/4HJpBLBvqao/s72-c/soledade1.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-3871988063429762520</id><published>2011-11-02T12:14:00.003-03:00</published><updated>2011-11-02T17:22:58.898-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>Santina e Vivi. Vivi e Santina.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olá, gente bonita do Brasil - ando precisando de óculos novos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Venho por meio dessas mal traçadas linhas mostrar o texto novo que saiu na revista &lt;b style="color: #38761d;"&gt;Amazônia Viva&lt;/b&gt;, encartada no jornal &lt;b style="color: blue;"&gt;O Liberal&lt;/b&gt; de hoje. É uma cronicazinha que relembra uma das peripécias de um casal muito bonito que conheci na infância, por coincidências meu bisa e minha bisa, hoje já junto do papai-do-céu (fui fofo agora). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espero que gostem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;------------&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eles saíam de barco da então pequena Cametá&lt;/b&gt;, às margens do Baixo Tocantins, pelo menos umas três vezes no ano, para encontrar os filhos estabelecidos em Belém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao chegar, Santina descia diligente e inquisitiva com os carregadores de paneiros e sacolas com uxi, castanha, taperabá e tantas frutas do sítio em que vivia com o marido Vivi, no perdido distrito cametaense do Guajará.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já ele, manco de uma perna, pisava devagar ao descer do “Rodrigues Alves”, a embarcação preferida dos dois para chegar na cidade grande. Sereno, ele trazia a nobreza dos índios na pele e nos olhos e era muito sábio sempre que consultado na sua paz de homem velho. &lt;/div&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-dNWkFI8vn2s/TrFdvdztZqI/AAAAAAAABRU/uv33MfnpHSY/s1600/Santina+e+Vivi.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="316" src="http://2.bp.blogspot.com/-dNWkFI8vn2s/TrFdvdztZqI/AAAAAAAABRU/uv33MfnpHSY/s320/Santina+e+Vivi.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Ilustração&amp;nbsp; de Leonardo Tavares feita especialmente pro texto.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Beiravam os 70 anos e estavam juntos há quase 50 tendo aparentemente nada a ver um com o outro, mas de um amor visível pelo cuidado que ela tinha com ele e pela paciência que ele prestava a ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus bisavôs eram emblemas de uma gente do interior que quase não existe mais. Viram o século 20 florescer dentro da floresta e vinham à capital ensinar sem saber o que modernosos de hoje aprenderam com Steve Jobs: menos é mais. Ao seu jeito, viraram personagens centrais em histórias de idas e vindas entre os rios Tocantins e Guamá. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em uma delas, Santina se arrumou ao meio-dia e apressou o Vivi para a viagem de volta, marcada só para cinco da tarde. Sem demora, entraram em um taxi com toda a tralha rumo ao Porto do Sal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No cais, ela pagou o taxista ainda dentro do carro e começou a retirar as bagagens do porta-malas da Brasília amarela. Ao terminar, chamou carregador e partia para se agasalhar no barco quando ouviu do motorista: “Senhora, o dinheiro, falta pagar”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiado no ar ribeirinho do casal, o taxista viu uma chance de levar vantagem cobrando duas vezes. Ele só não sabia que estava lidando com Santina. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de discutir muito sobre o paga-ou-não-paga, ela bateu amistosamente no peito do condutor e sentenciou “está certo então. Não vamos mais brigar. Está aqui o seu dinheiro. Vamo indo, meu velho”, já falando com o marido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O taxista guardou o trocado no bolso da calça e partiu crente de ter levado a melhor. Ele só não percebera que Santina, com habilidade de mágico, havia tirado o dinheiro do bolso de sua camisa com o gesto cordial. Com os mesmos cruzeiros dados minutos antes da polêmica, ela pagou o espertalhão duas vezes, sem culpa nenhuma de interpretar o papel da velhinha ludibriada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vivi contava o causo em detalhes sorrindo sua risada baixa, orgulhoso da mulher. Assim viveram até fim na alegria inocente de quem tinha o rio como estrada e o amor como companhia: ela acelerada e esperta até morrer em 1991 e ele paciente e sabido até fenecer de saudade da esposa, em 1993, ampliando a lacuna de tipos de pessoas em extinção atualmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-3871988063429762520?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/3871988063429762520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=3871988063429762520&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/3871988063429762520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/3871988063429762520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/11/santina-e-vivi-vivi-e-santina.html' title='Santina e Vivi. Vivi e Santina.'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-dNWkFI8vn2s/TrFdvdztZqI/AAAAAAAABRU/uv33MfnpHSY/s72-c/Santina+e+Vivi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-2080481281900611170</id><published>2011-10-08T12:30:00.001-03:00</published><updated>2011-10-08T13:16:12.397-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>O choro da pata</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da época em que estamos todos malucos, emocionados, ansiosos, perdidos por causa do Círio tenho muitas lembranças, como todo paraense. Mas, esses dias lembrei de um episódio que marca o fim da minha infância e talvez seja um dos poucos que reúna uma comoção partilhada com minhas duas irmãs gêmeas.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-DnJHDxGoHOE/TpBrVJBNhtI/AAAAAAAABQw/KImgM47_ue4/s1600/patos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="298" src="http://1.bp.blogspot.com/-DnJHDxGoHOE/TpBrVJBNhtI/AAAAAAAABQw/KImgM47_ue4/s400/patos.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Em algum lugar, eles ainda estão juntos.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Moramos até hoje no mesmo lugar, atualmente uma área urbanizada, tomada de concreto e asfalto com mudanças visíveis nas moradias que passaram de casas de madeira a pequenos sobrados de alvenaria. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span id="goog_1923951000"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id="goog_1923951001"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, no começo da década de 1990, a Pedreira ainda tinha toda pinta de periferia clássica de Belém. Ruas de terra, sem esgotamento, casinhas erguidas em madeira com assoalhos altos para fugir das enchentes e quintais, muitos quintais, hoje cada vez mais raros em todo canto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na minha casa mesmo, havia um imenso quintal com dois abieiros, onde eu subia para pensar e brechar as primas que vinham de longe passar temporada na casa da minha avó, até hoje minha vizinha de parede.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como era comum, as famílias mais pobres se agregavam em casas próximas para se ajudar e agüentar as pontas quando fosse necessário. Claro que essa proximidade fazia toda a diferença em épocas como o Círio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquele ano, não foi diferente. As três casas da minha família, a minha, da minha avó e do meu tio Jackson, estavam mobilizadas cada uma ao seu jeito para o segundo domingo de outubro. As crianças, como sempre, assanhadas para a festa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu menos que os outros, porque já estava crescido e nunca fui muito extrovertido, comparado às minhas irmãs e meus dois primos, que eram menores e estavam encapetados com a maravilha do momento.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-xct-gczEm7I/TpBrzjENaOI/AAAAAAAABQ0/1gNSVivd7wM/s1600/01-tucupi.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="270" src="http://4.bp.blogspot.com/-xct-gczEm7I/TpBrzjENaOI/AAAAAAAABQ0/1gNSVivd7wM/s400/01-tucupi.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Tucupi, piscina de patos no Círio e delícia de Belém.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só que uma notícia botou abaixo a alegria da ala infantil. No sábado, o casal de patos da tio Jackson e da tia Kátia iriam para a panela. Era o fim trágico de uma amizade profunda que, nós, crianças, tínhamos feitos com aqueles bichos, sem nunca desconfiar que o milho que eles comiam e a boa vida que levavam no fundo do quintal eram parte de um plano macabro: garantir o almoço do Círio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sob protestos dos menores, os bichos começaram a ser preparados para o abate. O clima na casa dos meus tios era de desolação e curiosidade com o máximo que tínhamos chegado a um ritual de morte, já que minha bisavó não tinha falecido ainda naquele tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pato e a pata pareciam conscientes do seu destino. Nas horas derradeiras, eles perceberam a movimentação e não saíram para o quintal. Ficaram ambos acuados no canto onde dormiam, faziam amor e ela colocava os ovos, com os olhos arregalados que os patos tem a vida inteira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da janela, ficamos olhando os dois, morrendo de dó. Condenados à morte por crime nenhum. Muita injustiça. Minha irmã Andréa chorava e eu ali, indignado e de mãos atadas contra a tirania dos adultos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A hora havia chegado e minha tia Kátia, sem muito preparo para a tarefa, foi ser o verdugo das aves. Por algum motivo desconhecido, ela pegou primeiro o patarrão. Ficamos apavorados. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele se debateu todo, mas foi dominado pelas asas. Era um bicho bonito, grande, com penas escuras, meio esverdeadas, a cabeça branca e aquela membrana vermelha em cima do bico, para dar o charme.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resolvi me traumatizar propositadamente e assistir o abate do meu amigo emplumado. Era minha forma de dizer adeus. Ele foi levado para o jirau e levou uma pancada para ficar zonzo e não se mexer muito durante a decapitação. Quando a faca foi baixar no pescoço, não tive coragem de olhar. Desviei e o mundo começou a apresentar as surpresas próprias do caos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem muita força, Kátia jamais desconfiou que o bicho não ia desistir fácil. No golpe mal dado, o animal se desprendeu, saiu rebatendo panelas, derrubando cacarecos e lambuzando o quintal de sangue para desespero dos pequeninos que já estavam na porta da cozinha para assistir a cena bizarra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém teve coragem de impedir a última caminhada do patarrão que, como um zumbi, andava milagrosamente com a cabeça pendura por um fio de pele, degolado. Mesmo morto, ele tomou o caminho de sempre e foi para o canto que sempre ficava com sua companheira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Corremos para a janela lateral para acompanhar aquele espetáculo inacreditável. Ao ver o marido chegar, sem cabeça, em andar troncho dos mortos-vivos, a pata recuou até onde não pôde mais, como se fugisse do horror, e ficou imóvel diante da cena.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a ferida letal, o pato parou a pouco mais de um metro da fêmea e deu os últimos suspiros já sem nenhuma força para continuar sua demonstração impressionante de resistência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A essa hora as crianças já choravam. Os primos menores, sem entender muito, ficavam na ponta do pé para espiar pela janela o que estava acontecendo e os adultos também pararam tudo para olhar. Minha mãe inclusive lamentou não ter uma filmadora para registrar aqueles momentos estranhíssimos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito comovido, acompanhei todo o desenrolar do último adeus do pato e, diante do fato, o primeiro sinal de vocação para a função que me acompanha até hoje se revelou e estampei a manchete sonora: OLHEM! A PATA ESTÁ CHORANDO!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na mesma hora, todo mundo olhou e percebeu que a bichinha estava debulhada em lágrimas pelo amor de sua vida, morto e prostrado em poça de sangue. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao constatarem a minha afirmação, a notícia se espalhou e todo mundo veio acompanhar o lamento de viúva da patinha que deixou a tábua onde estava de pé encharcada de tanto pesar. &lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MOqqaqy7wDo/TpBsNhdi5HI/AAAAAAAABQ4/pWiquIfGQEU/s1600/pato-no-tucupi.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="258" src="http://2.bp.blogspot.com/-MOqqaqy7wDo/TpBsNhdi5HI/AAAAAAAABQ4/pWiquIfGQEU/s400/pato-no-tucupi.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Pato no tucupi, comida típida de Belém no Círio &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando conto essa história ninguém acredita. Mas de fato ocorreu. A pata acabou, impiedosamente, na panela também naquele já  quase esquecido Círio de 1990. As crianças, em protesto, comeram somente a maniçoba, afinal, não tínhamos porcos em casa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até hoje não sou muito chegado a pato no tucupi. Sempre que me oferecem dou um jeito educado de recusar e lembro da pata que chorou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Feliz Círio para todos, meus amigos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-2080481281900611170?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/2080481281900611170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=2080481281900611170&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2080481281900611170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2080481281900611170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/10/o-choro-da-pata.html' title='O choro da pata'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-DnJHDxGoHOE/TpBrVJBNhtI/AAAAAAAABQw/KImgM47_ue4/s72-c/patos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-2563046345845485923</id><published>2011-09-07T03:27:00.002-03:00</published><updated>2011-09-27T18:45:11.405-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Umarizal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não cabia mais nada de tanto amor que havia entre aqueles dois. Desde o dia em que colocaram os olhos um no outro naquele claro-escuro da boate mais badalada da cidade, nunca mais sossegaram de tantos suspiros, de tantos beijos intermináveis, andares de mãos dadas, encontros nas horas mais impróprias para amar sempre que a rotina abria uma brecha, uma faixa mágica no tempo. Estavam em êxtase profundo, perdidos no reconhecer-se bobo da amante no gesto do amante e vice-versa, num encantamento inédito nesta e nas últimas cinco vidas sem nunca terem sequer se esbarrado em nenhuma encarnação anterior. Era de fato um amor frenético, inconcebível, pleno, dolorido nos vácuos da distância e um bálsamo eterno nos longos e constantes momentos em que se presenteavam com a docilidade mútua de tanto afeto que parecia que toda naturalidade do casal era um escancaro, uma afronta contraproducente a todos que viam a paixão de cinema desenrolando em qualquer lugar, despudorada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Andaram nos parques, comeram nas lanchonetes, restaurantes, nos carrinhos de cachorro-quente, sentaram nos bancos de praça, passearam de ônibus, de carro, de moto e até de pedalinho, em ridículas voltas no pequeno lago. Os dois experimentaram tantos quantos motéis se podia freqüentar em pouco menos de um mês de convivência para fazer jorrar a energia bruta gerada dos abraços indóceis, do desespero de fazer de dois uma coisa única. E a cidade ficou pequena, muito pequena, tendo os pombinhos invadido os suntuosos quartos de prazer, com lustres do século XVII, apartamentos para abrigar três famílias grandes e sobrar espaço para os criados, até os moquifos fétidos do centro da cidade onde de amava por dez dinheiros a hora em colchões exalando amoníaco de suores alheios. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um dia qualquer, largados entre um cafuné e uma carícia mais íntima, ele perguntou, todo tolo, “me ama?”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Claro, seu bobo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quero morar num lugar igualzinho a esse, neném, pra gente olhar a baía aqui de cima todo dia de manhã tomando café.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quero casar logo, amorzinho. Quero um filho com a tua cara. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se beijaram novamente, deitaram no chão na embriaguez habitual, foderam com força e dedicação, como sempre, até chegar ao êxtase. Foi quando viraram cada um para o seu lado, no tapete da casa vazia de uma tia rica em viagem pela Europa, olhando o teto do apartamento, cansados na alegria do trabalho bem feito. Ela perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Com vai ser o nome do nosso filho?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pedro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pedro. Ai, que lindo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É o nome do meu avô.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pedro Henrique. Fica melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Lindo, coração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pedro Henrique... engraçado... Nunca perguntei teu sobrenome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pensei que já tinha visto nos meus papeis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não. Nunca vi. Como é?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Da Silva. Silva da Silva. Sou Silva de pai e mãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Da Silva...?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É. Da Silva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O desapontamento dela foi visível, impossível de esconder como uma espinha carnal na testa. Ao longe o rio Guamá corria bonito, pesado, mostrando suas águas para quem quisesse ver daquele vigésimo primeiro andar. Um abismo profundo, escuro, se criou entre os dois depois da revelação. Da Silva era demais para ela que sempre quis fugir dos Souza, Almeida, Ferreira, Araújo, Cunha, Lima, Pantoja e qualquer coisa que lembrasse sua origem pouco privilegiada, muito mal posicionada para onde ela queria chegar. Da Silva era o fim da picada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seis meses depois, entrava ela na igreja mais bonita da cidade, de véu, grinalda e orgulho, emulando uma princesa dos livros lidos na infância, para encontrar no altar o noivo. Ele esperava suado dentro do terno, apesar do ar refrigerado, com a testa gotejante e o buço encharcado, sem garbo, atarracado, sem mágica, impreciso até no tremer das mãos, sem os brilhos necessários para o enlace, mas com uma insígnia familiar que era música para a noiva: Acatauassu. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, respondeu ela ao padre, exorcizando de vez o fantasma de Da Silva.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-2563046345845485923?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/2563046345845485923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=2563046345845485923&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2563046345845485923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2563046345845485923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/09/umarizal.html' title='Umarizal'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-1790333307103999399</id><published>2011-08-23T16:33:00.004-03:00</published><updated>2011-08-23T20:06:57.298-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Celebridades'/><title type='text'>O som e o cheiro impercebíveis da alma da mulher</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Era fevereiro&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; de 2004 e eu estava perdido. Depois de uma manhã inteira de entrega de currículos e visitas sem futuro à assessorias de imprensa em busca de uma vaga, resolvi entrar, todo breado e morrendo de medo, no jornal Diário do Pará. Era preciso tentar, afinal. Era o último tiro do dia. Me dirigi a uma moça clara, de sorriso franco, mãos bonitas e os olhos da inteligência que revelou o nome no primeiro contato: Helena Palmquist. Foi ela quem me encaminhou ao "chefe",  que me recebeu sem desconfiança e propôs um teste, de imediato. Como não tinha nada a perder, nem a ganhar, aceitei. Escrevi sobre um problema urbano qualquer, notícia velha, sem apurar nada, e no outro dia estava no time. Passei um dia sem estágio, desencantado com o fantasma de não ter mais nem a grana do ônibus, mas saltei para condição de repórter, graças ao "chefe", diretor de Redação naquela época, Paulo Silber. &lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-AXFajvM8H8Q/TlP7N-8vxDI/AAAAAAAABQY/2mG1Y0Cr9pY/s1600/silber.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="211" src="http://1.bp.blogspot.com/-AXFajvM8H8Q/TlP7N-8vxDI/AAAAAAAABQY/2mG1Y0Cr9pY/s320/silber.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Silber. Foto: Agência Pará.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O marapaniense com texto elogiado até pelo Élio Gaspari (Vejam só) foi meu chefe também em O Liberal, quando eu atravessei a Almirante Barroso e a 25 de Setembro, um ano e meio depois daquela admissão instantânea para trabalhar com os Barbalho. Hoje é um amigo pelo qual nutro uma admiração profissional e pessoal pelas boas brigas que comprou e por manter a guarda levantada e o estilo em qualquer situação. Nos bate-papos mais recentes, combinamos um texto a quatro mãos que apresento para vocês agora. Vejam se gostam e comentem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;---------&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiro foi o cheiro. Estava aperfeiçoando a técnica quando ela chegou exalando um odor suave que misturava algo como casca de laranja recém cortada, capim-santo, bordel antigo e minha cama quado está limpa. Tudo muito fraquinho, mais difícil ainda de perceber por causa da essência refinada usada por aquela mulher cheia de coragem e recursos para gastar o valor dos meus dois minguados salários em um frasco de perfume. Passou rente deixando um rastro bruto e harmônico  em um deslocamento de vento que mexeu com minhas orelhas e desabotoou minha camisa justo no botão que já estava interessado em se livrar da casa devido a pressão da minha camisa. Todo mundo olhou.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-5ZLeCPt9AgI/TlP8OcfwDsI/AAAAAAAABQc/uj9TkbG2Nrw/s1600/PocketClic.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-5ZLeCPt9AgI/TlP8OcfwDsI/AAAAAAAABQc/uj9TkbG2Nrw/s320/PocketClic.jpg" width="233" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deu instruções ao câmera e ao auxiliar, sorriu para mais alguns ao redor, informou-se com a recepcionista que torceu a boca ao responder, monstrando todo o recalque das mulheres que não sabem envelhecer e espumam ao se deparar com um espécime perfeito e raro como aquele que se apresentava como em curvas, saltos e meneios promovendo um espetáculo hipnótico e angustiante a quem aguardava aquela coletiva de imprensa. Cruzei os olhos no dela e baixei a vista, porém algo familiar e confiável chamou atenção daquela moça que  tinha quatro sobrenomes pomposos, todos remetentes à tradição e à frescura e ao entojo natural das boas famílias de Belém, mas que ainda assim escolheu o jornalismo como ilusão para viver. Veio em minha direção se mexendo como uma gata. Não lembro muito bem o conteúdo da frase curta, corriqueira, pronunciada em cadência por ela, porque prestei mais atenção nas duas fileiras de dentes perfeitos e na ponta do rosado daquela língua tecida em poros perfeitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que ela disse, de fato, não teve importância alguma. Mas percebi na hora a modulação na voz. Nesses anos todos, foi a única coisa que aprendi: a perceber o interesse de uma mulher em mim pela frequência empregada na fala, uma diferença sútil, um deslocamento microscópico nas pregas vocais, mas uma indicação precisa do que elas, na realidade, queriam por trás das milhares de defesas erguidas em um aparente muro intransponível entre elas e um homem tão mal ajambrado e pobre de atrativos visuais como eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;--- &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tenha pena de mim. Não faço da feiúra um sofrimento. Existem valores que sobrepujam a beleza física, eu sei que existem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu acredito que existem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu torço, vá lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não acredito que a mamãe tenha mentido pra mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem adiantaria. Sou feio de nascença. Eu daria uma boa piada de stand-up comedy:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu DNA nunca foi um Ácido Desoxirribonucleico. Encafifado com essa sigla, antes de saber o significado, eu perguntei pro médico, numa consulta. Ele me olhou de alto a baixo, com mais nojo do que interesse, e traduziu na bucha, sem piedade: De Nada Adiantou...&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-SK86SCpgfRo/TlP8ynRKVyI/AAAAAAAABQo/xBH8eZCjlE4/s1600/braile_play.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="220" src="http://1.bp.blogspot.com/-SK86SCpgfRo/TlP8ynRKVyI/AAAAAAAABQo/xBH8eZCjlE4/s320/braile_play.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só não sofri, porque lembrei de minha irmã, a caçula.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diz a sapiência popular que todo bebê nasce com cara de joelho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Coitados: os sábios do povo não visitaram minha casa nos pós-partos da mamãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem poderiam, é claro. Cada vez que ela pariu, a rua foi interditada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Risco de contaminação, alegavam as autoridades sanitárias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que exageravam, pelo menos na maioria das vezes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas quando minha irmã caçula nasceu eu juro que temi pela interdição da Terra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela também nasceu com cara de joelho – mas do avesso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é impressionante – e assustador – como preserva o rosto da infância até hoje. Ainda assim, nunca teve, como eu, dificuldade em namorar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tinha sim uma queda por cegos evangélicos - e os cegos evangélicos por ela, quando tocavam seu rosto, à guisa de visão, e liam salmos no braile das espinhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu te amo! - ouvi um deles sussurrar, no dia do meu primeiro vômito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda assim, eu a invejava. Nunca tive um amor. Meu envolvimento mais intenso foi a palma de minha mão e muitas vezes eu ahei que ela me rejeitava, desobedecia, como a pálpebra de um velhinho com mal de Parkinson.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amei em silêncio, esses anos todos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aprendi a amar de olhos bem fechados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao ver uma bela mulher e imediatamente apaixonar-me, eu me castigava com a escuridão, mas permitia às minhas narinas o exercício saboroso da inalação. O olfato tornara-se soberano, e assim desenvolvi uma percepçã canina de todos os cheiros – mesmo os puns, que me diverti classificando pela intensidade do odor, o volume do ruído e a volatilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tornei-me um especialista – esquisito, mas sábio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi nessa circunstância que a vi – na verdade, eu a percebi, primeiro, pelos cheiros recônditos, aqueles que não exalam, mas minhas narinas pescam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava menstruada. Havia hidratante no antebraço. Tomara um gole de vinho no almoço. Já mergulhara o pé numa bacia com Permanganato, talvez um mês atrás.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com certeza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As mulheres bonitas também têm frieiras, eu descobri.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi como se minhas 20 milhões de células do epitélio olfativo decidissem fazer uma grande suruba.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu suguei o ar em torno dela, naquela ginástica de purificá-lo, umedecê-lo e esquentá-lo, como fazem os narizes, mesmo os pequenos, mas na velocidade 5!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos os receptores estavam eretos!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia doze anos que isso não acontecia. Lembro como se fosse hoje...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;----&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre o resfolegar que a colocou dentro de mim nos mais pequeníssimos (e não menores) detalhes daquela cadeia feromônica sublime e singular, o perceber da modulação na voz e a chave codificada que destravou todas as defesas daquela leoa indomável com o brasão da nobreza dos mais longínquos mares do Sul foi um salto, um soluço, um breve sussurrar, como diz o Arantes, um lapso de tempo ínfimo que não contabilizei o quanto foi preciso para chegar até ali ao longo de diálogos travados, encontros casuais, olhares menos acovardados, palavras desconexas recheadas de uma ingenuidade matematicamente elaborada e enviadas pelos mensageiros virtuais, sinais rotundos, pesados, de todo amor que só é possível ser entregue por um homem que já ouviu as abelhas do coração das mulheres expulsas na voz e já dormiu com 1.793 delas o sono da paixão - e, sim, falo mesmo de dormir, o ato de desligar os aparelhos para recuperar a energia vital perdida e ganhada com elas em noites de alucinação, desvendando tantos cheiros que eu pudesse desvendar.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-x8C0BL7aexw/TlP87u7SsUI/AAAAAAAABQs/fqFI-b3Smgg/s1600/manara1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="165" src="http://1.bp.blogspot.com/-x8C0BL7aexw/TlP87u7SsUI/AAAAAAAABQs/fqFI-b3Smgg/s320/manara1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Agora eu a olhava deitada nua, uma pérola, perfeita, muda, impossibilitada de me contar qualquer segredo vocal, oral, sonoro. Mas o que importava se o primeiro som de sua boca havia sido fincado no meu peito como se dissesse "sou tua para sempre"? Os cabelos longos esparramados na cama, a posição do corpo, os olhos fechados davam a ideia de uma Lady Godiva, pintada por Manara manchando de delicadezas a minha pobre colcha remendada, surrada de tantas companhias de antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante tantos anos procurando um exemplar como ela, de voz modulada na minha frequência e de olor nem forte nem fraco demais, nem ácido nem adocicado em demasia, um primor de equilíbrio, uma obra-prima esculpida no ar... inda bem que não tinha consciência do se desprendia dela e contaminava a todos que, também, inconscientementes, se encantavam com aquela maravilha invisível solta na atmosfera. Se soubesse, ah, se soubesse, quem sabe, já teria dominado, pelo menos, uns quatro continentes sem dar um único tiro, sem nenhum ato de terrorismo de Estado ou banditismo social.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me curvei próximo do rosto daquele amor em carne para inalar a respiração do anjo de um metro e sententa de voluptuosidade bruta. Foi quando em um espasmo ela arrotou em um movimento simples, um impulso involuntário do sono, tão banal como outros gases em fuga nas horas em que o corpo está guardado pelo manto de Morpheus. Tudo muito comum, menos para mim que fiz o escaneamento olfativo das refeições dos últimos três dias de vida daquela mulher que, mesmo que fosse inodora, poderia fazer qualquer homem na face da terra implorar por uma noite sequer junto com ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi como uma revelação místicas, ainda acobertada pelo deslumbre inicial e pela falta de contato mais próximo. Minhas ilusões se desfizeram imediatamente. Dentre abóboras cozidas, repolhos refogados, couves cruas, tomates secos, alface hidropônicos, acelgas com vestígios de agrotóxico, queijo Regina, manteiga Aviador, pão frânces, pão doce, nutela, arroz, algas e peixe cru da insossa comida japonesa, café sem açúcar e uma fruta mais tarde identificada como uma iguaria rara da Malásia, nenhum sinal de carne vermelha. Absolutamente, nada. Nenhum naco. Nem uma garfada em um pequeno pedaço de alcatra. Nem sombra de uma minúscula porção de bacon para temperar o feijão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deslumbrado com a dor da decepção, só pude lamentar que aquela preciosidade feminina não fosse a mulher que há anos eu esperava. Não era possível encarar sem desencanto aquela fatalidade descrita milimetricamente nos vapores do seu aparelho digestivo. Toquei-lhe a face e comecei a acordá-la suavemente, pronto para mandá-la embora e ver fechar a porta do destino atrás daquelas costas de fábula para nunca mais. Não havia outro jeito: jamais confiei em pessoas que não comem carne vermelha. Nem confiarei. Jamais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-1790333307103999399?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/1790333307103999399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=1790333307103999399&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/1790333307103999399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/1790333307103999399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/08/o-som-e-cheiro-impercebiveis-da-alma-da.html' title='O som e o cheiro impercebíveis da alma da mulher'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-AXFajvM8H8Q/TlP7N-8vxDI/AAAAAAAABQY/2mG1Y0Cr9pY/s72-c/silber.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-8134685357576936128</id><published>2011-08-15T19:56:00.000-03:00</published><updated>2011-08-15T19:56:35.047-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><title type='text'>Pedreira</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não era o melhor lugar para passar uma tarde de sábado. Não para mim. Olhei ao redor e não entendi como fui para parar naquele quintal, sentado em um tamborete, sacudindo a cabeça e batendo ritmado com os dois pés naquele chão impreciso. De longe, parecia estar sofrendo um princípio de ataque epilético, impressão só desfeita ao olhar os outros ao redor seguindo movimentos semelhantes, acompanhando aquele batuque. Tinha chovido uma chuva fina, insistente, tornando os fundos da casa uma pista ensaboada de barro amarelo, mas ninguém ligou nem para os ocasionais escorregões. Só eu me remoia com o enlameado da sandália atingindo meus pés e mostrando que o incômodo mais tarde seria pior. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6yp2Eip05MA/TGwxifiH2bI/AAAAAAAAAF0/Zw-YQl0zPd0/s1600/cultura_samba.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="272" src="http://3.bp.blogspot.com/_6yp2Eip05MA/TGwxifiH2bI/AAAAAAAAAF0/Zw-YQl0zPd0/s400/cultura_samba.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela saiu da porta da cozinha direto para roda daquele samba mal tocado, com pandeiro para um lado, surdo para outro, vozes afetadas pela pinga, àquela já sem nenhuma qualidade. Uma vasilha fumegante na mão, trazida na altura dos seios cobria os bojos lindos, alfinetadores de uma blusa fina, quase uma segunda pele, denunciando a perturbadora ausência de um sutiã esquecido de propósito. Um palmo e meio exposto dava a severa noção de um abdome sem exercícios, esculpido por uma hereditariedade abençoada, e o micro short coroava em contornos muito justos aquele ventre indomável de mulata perdido em uma brancura inconcebível naquela morada de habitantes retintos e pardos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Baixou a comida na mesa e sorriu, um riso sem graça, automático, para ninguém. Depois virou as costas e pude ver o andar sincopado de bailarina e gazela assustada e os longos cabelos castanhos, finos como seda da China, dançando até a cintura enquanto ela retornava. Esqueci os pés melecados e entendi o motivo de estar ali. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Decidi ir ter com o único bom motivo de ter concordado em entrar e confraternizar com aqueles bêbados desafinados. Pedi uma licença ignorada por todos e adentrei a casa vazia, soturna, contrastando com a alegria entusiasmada dos homens e mulheres que, de fora, cantavam alto e tentavam rebolar até onde não havia nenhuma nota musical inclinada para qualquer que fosse o requebrado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passei pela cozinha e uma geladeira desbotada e coberta pela ferrugem me deu a impressão de um abandono pós-guerra nuclear. O corredor denso e escuro levava a uma sala com uma tevê anacrônica, fora do ar, com um chiado abafando do pagode ao fundo, o qual a essa hora cessou sem avisar. As portas e janelas cerradas traziam a pouquíssima luz para aquele ambiente que lembrava uma igreja sem fiés nem padre. Bati o olho em uns santos do pequeno oratório e voltei, sem encontrar minha presa, perdida em algum cômodo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Subi a escapa pensando em coxas bronzeadas de leve, ainda brancas, duas colunas de amor grudadas na minha cabeça desde que a vi, malmente, encostada no pátio daquela choupana de madeira bem construída, fincada naquela ruazinha sem asfalto, sempre de portas cerradas, mas que naquele sábado havia recebido a mim com tanto apreço e calor, mesmo sendo eu um ilustre desconhecido daquela gente. Os degraus rangeram do primeiro ao último até o segundo andar, mais escuro, vazio e quente do que o primeiro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No silêncio total, sem mais vestígios nenhum de música, ouvi um suspiro vindo de umas duas portas à esquerda. Parei. Os suspiros foram ficando mais fortes e freqüentes a cada&amp;nbsp; espichada minha para entendê-los e minha cabeça trabalhava como uma máquina infernal de elaboração de hipóteses. Resolvi conferir e enquanto eu andava em direção ao quarto trancado o ruído ganhava ritmo e contorno sensuais, muito parecidos com gemidos. A imagem dela nua, brincando consigo mesma, naquele espaço perdido de poeira, numa tarde abafada, disparou o alarme da aflição e urgência e estalou meus ossos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Coloquei a audição na porta e não tive dúvida daquele milagre brasileiro, um episódio de pornochanchada a um passo, ao alcance da maçaneta. Devagar girei o mecanismo e encontrei uma alcova enorme, muito maior do que eu imaginei, com uma cama de dossel estragada pelo tempo, mas que, apesar da pouca luz, dava nítidos contornos de ter pertencido a uma rainha. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cheiro mofado e seco se confundia com um aroma doce, adolescente, de xampu e brincadeiras, contrastando com quarto que há anos estava ali, ignorado pela luz do sol. Ao fundo desvendei a penumbra que eu procurava, confundida nas sombras, deixando à mostra apenas olhos enormes, resplandecentes, lindos, certos da minha presença. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_RktEluD1BY/Tkmgo2DHflI/AAAAAAAABQU/RhNQA98UNpk/s1600/shortinho-jeans0013.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="245" src="http://2.bp.blogspot.com/-_RktEluD1BY/Tkmgo2DHflI/AAAAAAAABQU/RhNQA98UNpk/s400/shortinho-jeans0013.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os gemidos pararam com a minha chegada e entre o silêncio e o acender de luzes foram apenas alguns segundos. Na claridade, o mundo caiu diante de mim ao ver aquela anciã centenária, em roupas de cambraia, em tons sépia, quase sem cabelos, com um inalador em mãos tão frágeis que pareciam não poder levantar o instrumento, o qual quem quer que o visse podia jurar que era o primeiro a ser produzido no mundo para combater os cansaços da asma. Séria, ela me olhou fascinada pela quebra de uma solidão pré-histórica, furiosa com a intromissão no aconchego do seu túmulo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o coração aos pulos, tremendo ao perceber aquela visagem ancestral, cuspi uma desculpa mal pronunciada que não foi sequer recebida por aqueles olhos vivos, estáticos, perdidos em um mundo que não era o mesmo que o meu. Desci a escada em três passos, dei com o ombro direito na parede do corredor, cheguei à cozinha prestes a um infarto e encontrei fechada a porta de acesso ao quintal. Não havia mais rumores nem música. Abri e dei de cara com o vazio. Ninguém. Nenhum morador ou convidado. Nenhum tamborete ou pandeiro, tamborim ou violão. Não havia viva alma. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esbaforido, vivendo a pressa dos apavorados, ganhei a pista de barro, sem os vestígio do samba ou qualquer outra roda possível de qualquer outro gênero de música já inventado. Escorreguei a queda dos assombrados e, no chão, sujo e humilhado, amaldiçoei todas as mulheres bonitas do mundo. Merda, balbuciei, com um bolo de raiva e medo na garganta. Ainda chovia a chuvinha fina dos otários, me molhando a cara.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-8134685357576936128?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/8134685357576936128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=8134685357576936128&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/8134685357576936128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/8134685357576936128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/08/pedreira.html' title='Pedreira'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6yp2Eip05MA/TGwxifiH2bI/AAAAAAAAAF0/Zw-YQl0zPd0/s72-c/cultura_samba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-2043322146624791157</id><published>2011-07-16T01:58:00.001-03:00</published><updated>2011-07-17T13:37:05.394-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Cidade Velha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tentou levantar as pálpebras, mas o esforço foi inútil. Permaneceu imóvel sentindo o apito de mil turbinas de avião dentro da cabeça e a boca travosa, seca, murcha e ressentida exalando os últimos vapores e denunciando a noite passada. Passou a língua cheia de ranço e percebeu a falta de um dente, precioso incisivo da arcada superior. Não se assustou com a ausência ou o mau efeito provocado pelo vazio. Apenas pensou em como seu corpo, suas coisas, sua vida, ao se desfazer em pequenos pedaços sempre davam previsões taciturnas tão palpáveis de que algo estaria muito fora do prumo em breve. Gemeu.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://images2.43places.com/salty/1191362pw600.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://images2.43places.com/salty/1191362pw600.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abriu os olhos evitando a luz das brechas do telhado. Pensou numa chuva torrencial e nas cachoeiras escorrendo pelas telhas, mas o dia era de sol, muito sol, e um calor violento que o fez jurar estar dormindo perto de um forno à lenha. A camisa empapada de suor e os cabelos encharcados denunciavam a inutilidade do ventilador gasto, de hélices vermelhas e imundas, perto do colchão fino, quase psicológico, perdido em uma dança troncha e horária mais empenhada em se confundir com ronco de leitoa da parceira ao lado do que promover alguma frescura de qualquer gênero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentiu a presença volumosa, esparramada ao redor, de ventosas enormes de animal mitológico, dorso amontanhado, coxas roliças com cicatrizes redondas e estranhos desenhos feitos pelas varizes, muito parecidos com mapas hidrográficos. A cabeleira loira, as axilas manchadas e um tufo pré-histórico de pelos entres as pernas confirmavam: era uma mulher. Em um movimento de balé, ela se revirou e o guardou em seu colo, como um menino, um menino bem pequeno e vulnerável. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pressão e o cheiro azedo fizeram o estômago desprender, dar uma volta completa e voltar ao lugar original, sem antes exigir um salto desesperado, uma corrida urgente para um lugar fora dali, bloqueado pelo corpanzil de cetáceo. Prendeu o gofo com sucesso, sem que antes quantidade suficiente lhe inundasse de leve as narinas. Acordou de vez, sufocado, rogando que a morte lhe levasse ou que tudo não passasse de um sonho ruim, o que dava no mesmo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O laço apertou e a mulher colou os seios, embrulhados em um sutiã encardido, no rosto do quase esmagado companheiro. Antes de iniciar o curtametragem sobre sua vida antes da chegada na eternidade, ele questionou quem seria aquela entidade rotunda que agora lhe entregava as chaves do inferno em um abraço de estivador. Me solta, suspirou ele, em um quase derradeiro esforço: “me larga”. Do profundo onde estava guardada de todo mal, ela ouviu a solicitação sem se afastar um centímetro do reino dos sonhos e, sem consciência de qualquer bondade, virou inteira para longe, bufando como desde o início do adormecer. Livre, finalmente, pensou ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentou lívido no catre. Não reconheceu o lugar em que havia assentado leito de amor com aquela figura inacreditável. Viu as paredes sujas, o cheiro de comida passada, o fedor de merda, uréia e colônia de alfazema, lembrou da avó por instantes, levantou e procurou a porta, com um trinco enorme de madeira, muito fácil de abrir. Torceu o mecanismo mastigando o alívio, quando ouviu: 15 reais.  Entendeu tudo e numa velocidade de ônibus desgovernado vieram os flashes, as cenas, a coragem de ter feito tudo o que fez. Pagou e ganhou a rua.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-2043322146624791157?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/2043322146624791157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=2043322146624791157&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2043322146624791157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2043322146624791157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/07/cidade-velha.html' title='Cidade Velha'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-2044969045596476551</id><published>2011-07-06T00:08:00.003-03:00</published><updated>2011-08-01T14:22:04.574-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='&apos;Bom gosto&apos;'/><title type='text'>A inescapável maldição da feiura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois anos de BG. Ok, dois anos irregulares de BG. Mais ok ainda: dois anos de muitas postagens no começo e depois postagens cada vez mais raras, mas parece que é o modus operandis da vida. Ciclos, ciclos, afinal. Mas, vamos falar de coisa boa, vamos falar de feiura. &lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://s.glbimg.com/og/rg/f/original/2011/02/25/javier_barden.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="233" src="http://s.glbimg.com/og/rg/f/original/2011/02/25/javier_barden.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Javier, um feio que deu certo.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Li recentemente bonitas reflexões sobre a feiura, feitas pelos craques &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/748639-xico-sa-lista-dez-coisas-que-um-homem-feio-deve-saber-leia-trecho.shtml"&gt;Xico Sá&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://blogdoveio.soubh.com.br/cotidiano-por-helio-de-la-pena-2/"&gt;Helio De La Penã&lt;/a&gt;, dois desprovidos de beleza física, assim como eu. Pensei que um tratado sobre as vantagens de ser um homem feio é preciso nesses tempos em que a indústria, o cinema, a moda, a publicidade e até a tia Maricota suspiram e exigem espécimes do gênero masculino com apenas 13% de teor de gordura no corpo, músculos bem definidos, peeling em dia e sobrancelhas feitas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém pensa que é bonito ser feio, como questiona o filósofo Batoré. Nem toda cara feia é sinal de fome. Muito menos é fácil não ter aquele sorriso cinematográfico, aqueles olhos sensuais ou a postura de Gregory Peck. Agora, meu amigo cão-chupando-manga-com-febre, não adianta reclamar ou recorrer a artifícios para disfarçar sua descompensação estética. Plásticas, implantes, musculação, acessórios, penteados esdrúxulos e práticas femininas como maquiagem e remoção de pelos só vão causar uma impressão pior.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase sempre o efeito é igual a enfeitar carro velho: rodas de liga leve, faróis de xenón, bancos de couro, película espelhada, maçanetas cromadas, motor possante. Porém, não adianta, todo mundo sabe que não passa de uma Brasília tentando esconder a ferrugem de 1973.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para os empenhados atletas disfarçadores da má sorte no fenótipo, a volta do anzol é catastrófica: descobrem que por baixo da redondice da obesidade ou do fiapo humano da magreza morava um homem mais horroroso ainda só que agora cheio de músculos inchados e todo embonecado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois então, meu jovem filhote de cruz-credo, não tem como fugir. A feiura é um sinal de Deus, uma prova material de que Ele tem senso de humor e é muito otimista em relação à sagacidade dos seus filhos agraciados com a desgraçada da assimetria. Portanto, não disfarce: assuma. É o melhor a fazer. Depois de “use filtro solar”, talvez esse seja o melhor conselho. A não ser que você queira passar a vida inteira com a cara amarrada e, por tabela, mais horrendo ainda.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i1.r7.com/data/files/2C92/94A3/2419/1128/0124/205C/2F96/7A85/belo-marcosporto-g-20091004.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://i1.r7.com/data/files/2C92/94A3/2419/1128/0124/205C/2F96/7A85/belo-marcosporto-g-20091004.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Este feio até usou da ironia para se batizar: Belo.&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somos uma legião, sabemos. Os feios estão por toda parte. São eles a maioria absoluta, no entanto, sem articulação política nem vontade nenhuma para implantar a “Ditaiúra”, a Ditadura da Feiura. Enfraquecidos, embora com uma bancada majoritária, os feiosos acabam sendo cooptados à tentativa de se igualar aos bonitões ou simplesmente calam, fingem que não é com eles a sacanagem de ter os olhos vesgos, a cara de areia mijada, a  careca de calota de Kombi, os dentes de hipódromo de tão encavalados, o nariz exótico pra não usar adjetivo pior, a boca de sacola, as pernas de alicate e o bucho quebrado, dentre outros defeitinhos suaves. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Calma, campeão. Não é o fim do mundo, apesar da nossa estampa de Apocalipse. Esqueça a parte externa por alguns momentos. Mantenha-se limpo, claro, e com roupas condizentes - nada de acompanhar a moda, meu chapa. A moda é feita para pessoas bonitas e não para nós. Com o banho em dia e as roupas sem chamar mais atenção do que o déficit de beleza, concentre-se no que ainda lhe resta: a parte de dentro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leia, meu velho. Leia. Ah, não gosta de ler? Complicou. Além de feio, burro. Pra que ler?, você pergunta. Para aprender a falar, Mané. Para ter o que dizer, para ter parâmetros que ajudam a compreender outras realidades. Para que você... espera aí... não sabe o que é parâmetro. É, meu filho, está difícil. Volte dez casas, fique duas rodadas sem jogar, escondido embaixo da cama chorando. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ok, deixe os livros para lá, pedaço de asno atropelado. Aprimore seus gostos, conheça, desenvolva outras habilidades. Beleza não está no lado de fora apenas, ainda que uma fachada boa facilite muita coisa. Seja agradável - e ser agradável não é ser um mordomo, um serviçal submisso, mas alguém que pode praticar a bondade sem esperar nada em troca, sem avaliar o que pode lucrar com uma simples gentileza. E, definitivamente, não seja um estúpido. Não ache que pode jogar sua revolta ou sua falta de tato com violência para quem quer que seja. &lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-JcZw3fD_Uvw/TZOed7oXOeI/AAAAAAAAF0s/J0_EBfyG-i8/s1600/lazaro+ramos+gal%25C3%25A3-DOA.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="295" src="http://4.bp.blogspot.com/-JcZw3fD_Uvw/TZOed7oXOeI/AAAAAAAAF0s/J0_EBfyG-i8/s400/lazaro+ramos+gal%25C3%25A3-DOA.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;E o Lázaro Ramos dando uma de José Mayer na novela?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No final, queríamos ser mais bonitos por elas. Há inúmeros motivos que envolvem esse “por elas”, obviamente. Alguns queriam comer todas as mulheres do mundo ou só a lindas; há ainda os que queiram ostentar o maior número delas perfiladas como suas e outros que simplesmente querem uma única alma para entregar o amor. Mas, no fundo, o feio queria ser bonito para uma ou várias mulheres, até porque ele não se enxerga o tempo todo e, como todo bom monstrinho, tem poucos espelhos em casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora as péssimas línguas digam que quem gosta de homem bonito é gay e mulher gosta mesmo é de dinheiro, prefiro me render a uma lógica simples e cotidiana: se fosse verdade, mendigos morreriam solteiros e eu nunca teria deixado de ser virgem. Mulheres são generosas, meu caro. Mais do que a sua vã filosofia pode captar, adorado mestre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É evidente que elas vão suspirar pela beleza. Está descrito nos livros de Biologia que as fêmeas querem filhotes bonitinhos e não bebês que tenham caras como a minha. Isso é óbvio. Mas, a natureza é sábia e deu de lambuja outras características para explorar, abrindo uma pequena viela, um caminho estreito, para você feio se esgueirar e tentar achar a felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As possibilidades são infinitas e você tem provas irrefutáveis todos os dias de que nossos co-irmãos vencem o estatus quo e burlam a lógica de mercado, emplacando gols incríveis, garfando mulheres lindas, inteligentes, interessantes, para todos os fins e deleites, se é que vocês me entendem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda que a indústria, o cinema, a moda, a publicidade e até a tia Maricota torçam a boca para seus traços pessimamente desenhados, feitos quando Deus estava de ovo virado, é possível viver sem tropeços sob o signo obscuro dos mal ajambrados. Como num passe de mágica, você pode fazer com que alguém, quem você queira que realmente veja, enxergue algo que ultrapasse os limites desse amontoado de imperfeições que o tempo vem piorando sem perdão. &lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IGxSpHS7KAs/TVAIQF7SbkI/AAAAAAAAEww/cyqGj5TglmA/s1600/177batore-diario-regional.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="315" src="http://1.bp.blogspot.com/_IGxSpHS7KAs/TVAIQF7SbkI/AAAAAAAAEww/cyqGj5TglmA/s400/177batore-diario-regional.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Será???&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você, minha prezada criatura do avessso, tem a vantagem de manter por perto só quem lhe sente o real valor. Esqueça quem não consegue vislumbrar nada além do que o olho enxerga. A essas pessoas o tempo vai se encarregar de explicar implacável e dramaticamente que o que está fora vale quase nada ou muito pouco diante da inexorável e irretocável essência perfeita do que você é, acalentada, escondida e forjada dentro da sua velha e nada feia alma. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-2044969045596476551?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/2044969045596476551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=2044969045596476551&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2044969045596476551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2044969045596476551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/07/inescapavel-maldicao-da-feiura.html' title='A inescapável maldição da feiura'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-JcZw3fD_Uvw/TZOed7oXOeI/AAAAAAAAF0s/J0_EBfyG-i8/s72-c/lazaro+ramos+gal%25C3%25A3-DOA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-3808169855068309528</id><published>2011-06-01T02:09:00.002-03:00</published><updated>2011-07-11T10:49:54.218-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><title type='text'>Paixão, uma mulher difícil</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A paixão não é fácil. Deveria ser, mas não é. Chega atropelando, carregada de uma nuvem imensa de plumas, de brisas, de suspiros, apertos no peito, vazios tremelicantes no estômago, uma ânsia nas mãos, uma agonia inquieta nos pés e uma venda de chumbo nos olhos. Ela se instala com todos esses apetrechos e começa criar um campo de força imenso de necessidades, de vontades, de pressas, de urgências dantes nunca mencionadas, de pavores que antes sequer eram pequenos medos.... tudo cessado somente com um afago, um afeto, uma palavra, um olhar que seja do objeto da sua imponderável e brutal tentativa de fuga desse animal mitológico, pré-histórico, gosmento e onipresente chamado solidão. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apaixonar-se velho é pior ainda. É como uma roupa que não lhe cabe mais, é sair à rua de mangas compridas e agasalho quando o dia é de calor infernal e andar sem camisa quando o frio vem furioso lhe trazer a bronquite e a pneumonia. Ser velho e apaixonar-se é incorrer no risco de parecer mais ridículo ainda do que no tempo em que a paixão lhe caia bem como uma roupa sob medida feita no alfaiate. Ser velho e apaixonar-se é quase certeza de acertar a tristeza, é erro, é descaminho, é perder-se ao ir à padaria por causa do esquecimento, da senilidade, é fragilidade dos ossos e opacidade dos olhos que teimam em brilhar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, apaixonar-se jovem lhe coloca em outro eixo e você não sabe mais caminhar como antes. O mesmo ar que lhe infla e refrigera também afoga, sufoca, lhe falta. E suas mãos não são suas nem seus olhos lhe obedecem mais e a ansiedade lhe põe contra a parede, um muro imenso de êxtase, uma represa gigantesca prestes a estourar um oceano de água e sal. Querer é o seu verbo inconsciente, sua sina, sua meta, sua obsessão e calmaria, sua forma de andar nu pelo mundo sem ser incomodado, rezando baixo para que sua paixão nunca lhe dê as costas e essa ausência, jamais desejada, faça você perceber que está completamente vulnerável a tanta gente cruel e sem razão ao redor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na linha da vida, com tantas paixões, você perde a referência de idade, de experiência. Já não sabe se está velho demais para encará-la quando ela chega de supetão, arrasadora, ou novo demais para deixar as resistências do corpo de lado e abraçá-la sem receio em um abraço inédito, terno e estranho para um momento em que só se conhece a linguagem da fúria, da pressa, da sede e da fome de entender ou deixar de entender tudo. De fato, a paixão não fácil, em tempo algum, em lugar algum, para ninguém. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode se tornar um mastodonte e sentar em cima dos seus pés e esta besta ser sua prisão, ser um peso intransponível até que a cura chegue lenta e preguiçosa em lombo de burro e a frustração, o desânimo e o acaso façam seu trabalho. Mas, ela pode também ser um balão de ar quente e vivo que lhe alce vôo, que lhe leve ao infinito azul, onde anda perdido, descalço, e louco para ser encontrado, aquele velhíssimo e tão vulgar espírito, conhecido de todos nós. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A paixão não é fácil e talvez seja por toda a dificuldade peculiar e arraigada que ao chegar ninguém quer se desfazer dela, mesmo em casos em que não há nenhuma saída, nem chance de sobreviver impune a esse furacão. É a sua raridade, é o momento preciso e único de invadir a alma, sem qualquer alarme ao hospedeiro, que lhe confere ares de benção, muito embora tenha todos os trejeitos e maneirismos de maldição. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A paixão não é fácil, mas quem a segura pelos cabelos, doma seu ventre e lhe acalma a violência sem controle de dama extraviada se esquece de qualquer dor, qualquer morte, e toda lágrima é comoção, é rejubilo, é felicidade, é encontrar a paz, essa vizinha do lado esquerdo do afeto mais puro, moradora da cobiçada esquina que todos procuram e poucos acham, de fato, o amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um salve para quem foi cooptado pela paixão e está vivo pra viver esse mês em que as paixões estão nas prateleiras das melhores casas do ramo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-3808169855068309528?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/3808169855068309528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=3808169855068309528&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/3808169855068309528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/3808169855068309528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/06/paixao-uma-mulher-dificil.html' title='Paixão, uma mulher difícil'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-483201339604159185</id><published>2011-04-15T15:23:00.004-03:00</published><updated>2011-04-28T02:54:49.435-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Listas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><title type='text'>Dez mulheres para amar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não faz tempo que rolou uma postagem aqui sobre &lt;a href="http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/12/dez-tipos-de-mulheres-para-evitar.html"&gt;dez tipos de mulheres para evitar.&lt;/a&gt; Como vocês podem ver, sobrevivi a esse texto. Houve dentes rangendo, pragas rogadas, xingamentos berrados, iras descontroladas, ameaças de morte, trabalhos na encruzilhada e até pedidos de casamentos. Porém, resisti a tudo e estamos aqui meio firmes, meio fortes, respirando por aparelhos, mas ainda vivos. Ou quase. O que importa é que estamos indo. Na época, algumas leitoras simpáticas solicitaram um contra-post para citar dez tipos de mulheres para amar. Não fiz. Estão pensando o que? Sou durão, ora, ora... pero non mucho. Demorei um pouco, mas estoy aqui atendendo ao pedido. O que vocês não me pedem sorrindo que eu não faço morrendo de raiva? Amar... hum... tipos de mulheres para desejar, guardar, abraçar de olhos fechados, beijar a vida inteira, aprisionar nesse pobre coração desgastado pelas mágoas passadas, pelas mesas de bar, pelas sarjetas, por um bilhão de foras, por dois bilhões de beijos desperdiçados e todos os desenganos desta lépida e efêmera passagem.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-9H18louqqcg/TaiEIhXEPvI/AAAAAAAABO4/GkZgiGjVYZU/s1600/ty.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="277" src="http://2.bp.blogspot.com/-9H18louqqcg/TaiEIhXEPvI/AAAAAAAABO4/GkZgiGjVYZU/s400/ty.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Você é luz, é raio, estrela e luar, sua linda.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, este texto será uma ode à breguice. Perceba que somente o Djavan usa a palavra desengano sem desconforto. Os opositores do cantor acham sempre uma afronta e sempre chamam de brega/cafona o mulato alagoano de cabelos de minhoca. Eu também reclamo dele quando quero parecer pau no cool. Mas, afinal, quem não é (Cafona, não pau no coool)? Não importa se você ouve Wando ou Radiohead para pensar na mulher amada, mesmo que ela não exista. Não importa se você esbraveja no metal, adora o capeta e diz ter o coração fechado por Vó Manuela para o amor. Não importa se é o pagodeiro de camisetinha apertada metido a pegador. Não adianta: você não engana ninguém. Sei que está aí pensando numa pequena ou como a verdadeira dona de sua atenção poderá ser quando vocês em um desses lindos acasos da vida se encontrarem - nem que seja tomando vinho de R$ 5 numa calçada imunda de uma Praça da República ou bebendo cerveja quente de R$ 1 num Pagode Private Party qualquer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui provavelmente vamos bulir também com o juízo de quem já está quieto com seu tesouro talhado em curvas perigosas e macias, no entanto, é tomado sempre pelo bicho carpinteiro da insatisfação. Quantos e quantos namorados não pensam “por que ela não é desse ou daquele jeito? Por que não faz assim ou assado? Por que não tem os peitos da Mônica Belucci e a habilidade oral da Mônica Matos?”. Campeão, leia com tranqüilidade e não vá exigir de sua mina de fé que tudo esteja reunido em um único poço de candura e beleza. Pare de pentelhar e abra o olho para as qualidades que lhe são ofertadas, senão o jacaré te abraça. Deixe o sonho para nós, largados na dor e na delícia do fosso sem fundo da solteirice. &lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ek0hH8huUww/TaiEjFtgenI/AAAAAAAABO8/856lMs9jxmg/s1600/monica-bellucci-20060930-165104.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-ek0hH8huUww/TaiEjFtgenI/AAAAAAAABO8/856lMs9jxmg/s400/monica-bellucci-20060930-165104.jpg" width="273" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Ai, Monica.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo você, meu velho, sozinho no mundo, não vá pensar que pode encontrar a mulher com todos os atributos positivos descritos abaixo. Se achar com um deles, é uma boa. Reunir dois será muito bom. Três é de uma inefável fortuna. Quatro quase um milagre e de cinco em diante, de fato, você é o escolhido, tipo o Neo da Matrix do mulherio, saca?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, vamos exaltar os dez tipos de mulheres que devemos amar para sempre e eternamente com todas as forças enquanto durar o estoque e estiver no tempo regulamentar. Divergências são bem-vindas, concordâncias também e disparares baratinados idem. Querendo xingar, fique à vontade, mas vai ter forra. Coloquem aí na caixinha de comentários que a equipe do BG agradece. Simbora mais eu!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Boa de copo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-GB4pk88HVqQ/TaiFJRFtKLI/AAAAAAAABPA/kNiN9sT1XA4/s1600/Amy+Winehouse+drunk.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="175" src="http://4.bp.blogspot.com/-GB4pk88HVqQ/TaiFJRFtKLI/AAAAAAAABPA/kNiN9sT1XA4/s200/Amy+Winehouse+drunk.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu amigo, se você gosta de uma cachaça não vá arrumar confusão nem inimigos dentro da própria casa. O lance é somar. Até porque o preço da birita subiu e você precisa de alguém para rachar essa conta. Caso encontre aquela tchutchuca que se amarre em um goró, preste atenção no gingado da garota e ajeite sua alça de mira. De repente, o amor soluçou ic-ic bem na sua frente e você não percebeu devido a taxa de sangue no seu álcool. Claro que você tem que atentar para o profissionalismo etílico da gaja. Não é qualquer uma que merece título de “boa de copo”. Observe quantidade ingerida, qualidade e diversificação das bebidas, equilíbrio corpóreo, resistência à mardita, graça e leveza dos gestos. Beber bem não é beber muito e sim agüentar o ritmo dentro dos seus limites e curtir a noite ao lado do par com a missão de chegar em pé em casa e não transformar o pilequinho em um drama pré-AA. Se ela se garante, mano, invista tudo naquele olhar meio anuviado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Boa de papo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-vMTo-K4GiLk/TaiFw21rZVI/AAAAAAAABPE/Q-eHHkJLJ9o/s1600/fernanda+young+256x150.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="117" src="http://2.bp.blogspot.com/-vMTo-K4GiLk/TaiFw21rZVI/AAAAAAAABPE/Q-eHHkJLJ9o/s200/fernanda+young+256x150.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já disseram por aí que é para casar com quem você quer conversar até a hora em que estiver com 98 anos em uma UTI de hospital. De fato, o quesito prosear está entre os fatores positivos de qualquer relação. Se você passa horas e horas sem cansar conversando com ela, é um excelente sinal. Agora eu disse “conversar”. Não vale discussões, provocações agressivas ou uma colcha verborréica costurada com “caralhos”, “vá se foder” ou “filho de uma puta”. O papo precisa ser agradável e percorrer todos os temas que interessam (ou não) aos dois. Assim sendo, você vai poder falar da espinha nascida dentro do seu ouvido na noite passada ao jogo do seu time que nem divisão tem, mas você morre de paixão por ele. Vai rememorar em longas prosódias as traquinagens da infância e dissertar sobre como a vida anda escrota ultimamente. Se ela tirar de letra em variedade e profundidade a arte de hablar e souber usar a língua não apenas para vasculhar sua cavidade bucal e outras partes menos nobres do seu corpo, abra os braços pra lhe guardar e todo pode se entregar - começo, meio e fim e a sua cuca ruim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Boa de cama&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-zznjXrW5oe8/TaiGayXwA_I/AAAAAAAABPI/lFQW5aWbAv4/s1600/silvia.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-zznjXrW5oe8/TaiGayXwA_I/AAAAAAAABPI/lFQW5aWbAv4/s200/silvia.JPG" width="138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, queridão, não estamos falando de dormir. Chegamos a um ponto delicado, no qual muitas pessoas acreditam piamente que precisam ser atores pornôs para estar bem posicionados neste quesito. Não é bem assim, embora as performances pornô-artísticas sejam muito bem-vinda, quase sempre. Ser boa de cama, não necessariamente passa pelo treinamento, malícia e técnica de uma Silvia Saint. Está muito mais ligado à sintonia que ela tem com você do que outras coisas. Se há afinidade de pele, movimentos, contorções, espasmos, olhares, boca, aquilos, carinhos, disposições e vontades, você tirou a sorte grande, meu chapa. A sua deusa do sexo pode passar dias em frenéticas desventuras trancadas em um quarto com você ou dar aquelazinha silenciosa, amorosa, preguiçosa e certeira em uma tarde quente qualquer e depois dormir lindamente sem querer mais nada. Não importa muito como vai ser, muito menos o tempo de duração. O que de fato vai pesar é que você vai atingir o céu e provar o inferno de uma vez só, bater nas raias da loucura sem camisa-de-força e sempre querer que esse fenômeno da natureza também queira essa conjunção indecentemente espiritual através do atrito da matéria. Achou uma assim? Leva, mas leva logo, correndo, rápido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Sem TPM&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-57A_0HRRbbw/TaiGtufB7zI/AAAAAAAABPM/0QMfrUf8McE/s1600/sempre+livre.jpeg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-57A_0HRRbbw/TaiGtufB7zI/AAAAAAAABPM/0QMfrUf8McE/s200/sempre+livre.jpeg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os efeitos da Tensão Pré-Menstrual estão acabando com milhares de relacionamentos no mundo inteiro, diz alguma pesquisa doida feita por ingleses - sempre eles. É quase impossível encontrar uma mulher que, atualmente, não ponha culpa nos hormônios que lhe agitam o corpo todo mês e provocam toda sorte de comportamentos e disparates. Umas riem demais; outras choram demais; outras fogem de casa para nunca mais voltar; há as que se entopem de chocolate para mais tarde reclamar do ganho de peso; e ainda as que caem em depressão profunda porque o cabelo não está legal; sem contar as que cortam o pinto do marido no domingo e correm para implantar na segunda-feira. A guerra interna que elas travam com suas enzimas e suas estranhas substâncias não afeta apenas o organismo feminino. O conflito dentro do corpo da mulher também provoca enormes tsunamis no mundo exterior e muitas baixas para quem tem pouco a ver com a reação bioquímica em andamento. Resumindo: hora ou outra a TPM dela vai te pegar, te chutar o saco e te pisar na cara, negão. Se você encontrar uma moça que não sofra ou sofra muito pouco desse mal e não amá-la será amaldiçoado pelo resto dos seus dias. O castigo será ter esposa e amante totalmente descompensadas pelos hormônios em um revezamento eterno de perturbações até que menopausa, a sua insanidade ou a sua morte acabem com tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Sem ciúme&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-4G01Vq7ut4Q/TaiG9GmAkEI/AAAAAAAABPQ/Ns6rD0W4Jqg/s1600/alex_forrest.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="148" src="http://2.bp.blogspot.com/-4G01Vq7ut4Q/TaiG9GmAkEI/AAAAAAAABPQ/Ns6rD0W4Jqg/s200/alex_forrest.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizem que aquele ciuminho besta faz bem para a saúde mental do casal. Oxigena relações, valoriza o par e traz conforto quando é dissipado no aparar das arestas. Agora o ciúme voraz, truculento, musculoso, esmagador e assassino é apavorante. A sensação de que o outro pode cair nas graças de outra mulher resulta em mutações terríveis da imagem daquela doce menina que você conheceu. De repente, não mais do que de repente, ela se transforma em um monstro baboso de ira, desconfiança e rancor e fode (no pior sentido) com tudo. Então, é melhor, muito melhor, uma mulher segura, serena e compreensiva. Ainda que haja certo desconforto ou dúvida, a desenciumada saberá abordar a situação com suavidade, sem tentar lhe cortar a garganta ou causar pânico na vizinhança por causa de gritos e pratos e outros objetos voando contra sua cara. Deu de encontro com essa jazida de compreensão, doçura e leveza? Se joga, meu filho! Está esperando autorização do juiz ainda?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Sem mãe&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-nnVzarpS1VA/TaiIEm8RyWI/AAAAAAAABPU/2U26tTkskdA/s1600/veia.jpeg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://4.bp.blogspot.com/-nnVzarpS1VA/TaiIEm8RyWI/AAAAAAAABPU/2U26tTkskdA/s200/veia.jpeg" width="197" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podem me chamar de filho da puta. Já estou acostumado. Mas, sogra é um saco. Pelas minhas experiências, já tive muita sorte e muito azar com mães das mulheres que amei. Encontrei criaturas perfeitas em candura, hospitalidade e acolhimento. Quase segundas mães. Agora também dei de cara com opositoras gratuitas, gente abusada e precisei de sangue frio para demonstrar minha coragem à margem do que possa parecer. Quem me conhece sabe que para mim a mulher ideal não tem uma mãe para atrapalhar a vida a dois dos pombinhos. Não é que ela precise não existir. Não vá pensando em matar a genitora daquela moça bonita por quem seu coração gela, pelo amor de Dadá! Não é nada disso. Se ela for discreta e não se envolver nas questões amorosas, já será de grande valia. Equivale a não ter um sargento no seu pé ditando normas de conduta. Agora se por um feliz acaso a ilustre senhora não existir por algum motivo ou morar longe, bem longe, muito longe, longíssimo, será uma benção para os dois, embora a moça jure que não. Sai que a tua Tafarel. E viva as órfãs.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Cheirosa&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-puEjYBIZtVw/TaiLWHmS2pI/AAAAAAAABPY/6ksvur8h4oI/s1600/buldog.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-puEjYBIZtVw/TaiLWHmS2pI/AAAAAAAABPY/6ksvur8h4oI/s200/buldog.jpg" width="190" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta o meu desejo. Frase bonita daquele cantor barbudo que dançava engraçado e não sabia se gostava de meninas ou meninos. A questão é que o fator cheiro para os seres humanos é primordial, assim como nos animais ‘irracionais’ que percebem de longe as fragrâncias de suas fêmeas. Cheire, meu velho. Cheire muito. Não é apologia as dorgas. É um conselho para sentir o frescor que exala do seu alvo amoroso. Se tiver aquela vontade louca de, no plano das idéias, torrá-la, moê-la e colocar o pozinho em um recipiente para inalar mais tarde como um cocainômano, é um sinal de que Eros te curtiu no Facebook. O cheiro é o que você guarda quando ela estiver longe e se essa sensação lhe arder o peito e lhe penetrar os poros como um ataque de abelhas africanas não tem o que contestar: essa moça foi feitinha, justinha, para você amar. Vicie-se nela enquanto é tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Gamer&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-SV6rauwiUj0/TaiL1NTnsuI/AAAAAAAABPc/KRHFi5W5DVo/s1600/gamergirl.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-SV6rauwiUj0/TaiL1NTnsuI/AAAAAAAABPc/KRHFi5W5DVo/s200/gamergirl.jpg" width="141" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A não ser que ela não venha com esse papo furadíssimo de nerd, geek ou qualquer modismo que o valha, bater um gamezinho com a moça é sempre uma boa para os intervalos das coisas mais interessantes a serem feitas pelo casal. Caso seu biju entenda do riscado, melhor ainda. Todo mundo sabe que vídeo game deixou de ser coisa de criança há muitos anos e marmanjos, como eu, perdem muitas horas socando, chutando, atirando, correndo, lutando, se esquivando de monstros e salvando o mundo diante da tela, seja no computador seja nos consoles (Playstation! Playstation! Playstation! Playstation!, grita Maysa). É bem melhor encontrar alguém para dividir esses momentos de imersão eletrônica do que uma que vai lhe chamar de pueril, babaca e desatencioso só porque está dedicando tempo a uma das diversões mais legais já inventadas no século XX. Ela não se importa de você ter 30 anos e se esmerar com afinco em matar zumbis raivosos e entende perfeitamente que dar uns tirinhos de mentira não vão lhe transformar em um assassino serial? Ame-a que ela merece. E a trate como uma igual na hora da partida: se ela bobear, meta-lhe a porrada e dê um fatality no Mortal Kombat. Depois tire aquele sarro de leve que é bom.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Cansada de guerra&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-8O5rzqLmTx4/TaiMGIEZ_cI/AAAAAAAABPg/z3llomxqFxE/s1600/soldado1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="146" src="http://2.bp.blogspot.com/-8O5rzqLmTx4/TaiMGIEZ_cI/AAAAAAAABPg/z3llomxqFxE/s200/soldado1.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, Tereza Batista. Já viveu e experimentou de tudo. Já sabe o que é bom e está com o espírito sossegado para se entregar ao amor. Não estamos falando de uma idosa, jogada em um fundo de uma cama. Não, não é nada disso. Aqui nossa amada refinou seus sentidos com a larga experiência obtida com o tempo, sempre ele, senhor de todos nós. Ela já acha um saco sair por aí para caçar como uma desesperada, já entende a soma tequila + balada como uma piada antiga e sem sentido, já caiu e levantou sem pensar no trecho da música de forró e reduziu seus níveis de empolgação para o que realmente merece ser festejado. Enfim, ela só vai na boa, só se dá bem. Geralmente, são espíritos livres que reúnem uma série qualidades acima descritas, além de terem perdido o que tem tirado muitos pontos das mulheres de hoje: a ansiedade. Ela te olha e você percebe um mundo inteiro de possibilidades através daquelas retinas que já viram muito e desejam descanso para um ex-coração aflito. Mano, vai que é tua se ela aparecer por aí.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Linda&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-OFfvvpdN8hk/TaiMeJErh0I/AAAAAAAABPk/FSqO_ZrrCPI/s1600/belezaroubada_1996_img3_grande.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="124" src="http://3.bp.blogspot.com/-OFfvvpdN8hk/TaiMeJErh0I/AAAAAAAABPk/FSqO_ZrrCPI/s200/belezaroubada_1996_img3_grande.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela não é bonita. Muito menos gostosa. Nem atraente. Nem charmosa. Ela é lheeeeeeeeeenda, adjetivo agregador de tudo isso em doses cavalares e letais em uma única pessoa. Uma beleza revelada nas pequenas rugas do canto do sorriso; na imperfeição de uma dentição cristalina e, contraditoriamente, perfeita; no cabelo que teima em lhe esconder o rosto luminoso; nos olhos de faísca adocicada em mel que é veneno também; nos seios não revelados; na pele que lhe chama; na curiosidade do sexo; nas pernas que o convidam aos caminhos mais perigosos; na voz que é música sempre; no cheiro que lhe lembra a infância; em gestos milimetricamente ensaiados ainda na barriga da mãe para você entender que Deus existe, ali revelado em formas femininas, em uma estrutura orgânica estranhamente produzida para lhe acelerar o coração, secar a boca e lhe deixar bobo. Não importa se ela é loira, morena, ruiva, amarela ou azul, gorda, magra, atlética, baixa, alta, leitora ou analfabeta. Quando você vê-la vai morrer fulminado de paixão e nascer mais apaixonado ainda na mesma hora desejando que ela também desfaleça e surja entregue para você. Se o acaso lhe presenteia com espécime tão rara e você não se entrega ao amor, merece morrer e ficar sozinho por mais sete encarnações. Se joga, bestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as suas mulheres para amar? Como elas são? Conta pra gente nos comentários. ;-) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-483201339604159185?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/483201339604159185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=483201339604159185&amp;isPopup=true' title='31 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/483201339604159185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/483201339604159185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/04/dez-mulheres-para-amar.html' title='Dez mulheres para amar'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-9H18louqqcg/TaiEIhXEPvI/AAAAAAAABO4/GkZgiGjVYZU/s72-c/ty.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>31</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-3147484310091972483</id><published>2011-04-07T12:25:00.001-03:00</published><updated>2011-04-07T12:25:53.132-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Listas'/><title type='text'>Dez motivos para não ser jornalista</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; text-align: justify;"&gt;Republico hoje (Dia do Jornalismo) um hit deste blog. O tempo passa, o tempo voa e os motivos sõ vão aumentando.&lt;br /&gt;__________________________________________ &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você é daqueles que diz “aaai, eu A-DO-RO jornalismooô” ou tem orgulho de ser chicoteado na sua senzala moderna ralando de 12 a 18 horas por dia em prol da notícia, não leia este texto. Agora se já tomou a pílula vermelha e abriu os olhos da merda de escolha profissional que você fez, aproveite. Ainda assim você vai ficar puto pelo que está escrito. &lt;/div&gt;&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; text-align: justify;"&gt;Se NÃO é jornalista e quando vê o Zeca Camargo dando a volta ao mundo 783 vezes pra fazer reportagens inúteis e pensa “nossa, du garalhion, eu posso fazer isso com as duas mãos amarradas nas costas”, preste bem atenção nesta lista. E &lt;a href="http://www.unama.br/graduacao/cursos/Jornalismo/"&gt;se está prestes a pagar mais de R$ 800 mensais por um curso de jornalismo&lt;/a&gt; e investir o tempo precioso de quatro anos por &lt;a href="http://bebadogonzo.blogspot.com/2009/07/tracas-e-baratas_04.html"&gt;um diploma invalidado pelo STF&lt;/a&gt;, fique atento também, porque isto pode poupar muitas dores de cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; text-align: justify;"&gt;Antes que me diga “seu frustrado, sai dessa porra, então”, me antecipo e respondo: esta profissão é como uma doença. Depois de contaminado, dificilmente, se escapa dela, mesmo querendo. E as razões são muitas, principalmente, quando não se tem uma boa retaguarda, como um papai que banque sua viagem para você encontrar seu próprio eu em Santiago de Compostela (esse nome me lembra compota de bostela).&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; text-align: justify;"&gt;Portanto, dou dez motivos para não ser jornalista. Pode reclamar a vontade nos comentários e incluir outros. Existem 2.981 itens, mas dez já são o suficiente. Vamos a eles:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;1)&lt;/b&gt;&lt;span style="color: #b45f06;"&gt; &lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace; font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;E o salário, ó!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já ouvi dizer que sujeitos, como Paulo Henrique Amorim e William Bonner, ganham rios de dinheiro como jornalista. De fato, existe os muito bem remunerados, como em qualquer profissão. Mas, a média de fodidos e mal pagos é muito maior no meio jornalístico. Em Belém, por exemplo, há empresas pagando cerca de R$ 680 para um profissional recém-formado. Não dá dois salários mínimos. Jornalistas mais experientes para ter uma renda maior precisam se esfolar em dois ou três empregos e ainda trabalhar como free lancer. Uma merreca dessas é muita sacanagem com qualquer um.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;2)&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace; font-size: large;"&gt;Não há vagas!&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O registro no Sindicato da categoria aponta cerca dois mil jornalista em Belém. Contanto todo mundo, deve haver uns quatro mil, presumo. As faculdades cospem por ano mais uns 250 a 300 no mercado. E me pergunto: onde este povo está se enfiando pra ganhar o pão que o diabo amassou todo santo dia? O fato é que a capital tem poucas opções. Ou você trabalha para os Maiorana ou para os Barbalho ou nas poucas assessorias de imprensa estabelecidas. Não é a toa que muitos migram, geralmente, para São Paulo em busca do troco. E lá percebem que o bicho pega também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;3)&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace; font-size: large;"&gt;Não viva, trabalhe!&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Constam na pauta, no Karma, na carne, passou na novela, está na lei: o turno do jornalista é de 5 horas. Nossa, que moleza. Sento a bunda em frente ao computador e é só esperar passar o tempo e cair fora. Não, amiguinho, não é assim. Você vai passar muito mais tempo dentro de uma redação ou na assessoria. Apurar a notícia é trabalhoso e demanda tempo. O texto seja de jornal, de programas de TV ou rádio não surge do nada e, geralmente, para deixá-lo redondo precisa camelar muito, falar com 30 pessoas e dar 315 telefonemas, com a pressão do dead-line a maltratar seu coração. Portanto, você vai trabalhar pra caralho - muito mais do que aquele seu amigo que se formou em Direito e ganha igualmente mal, mas labora muito menos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;4)&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace; font-size: large;"&gt;Saúde zero.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você vai morrer cedo. Mas, não se importe tanto, o fluxo contínuo de informações e as experiências vão te dar a impressão&amp;nbsp;de que&amp;nbsp;tem 150 anos quando chegar aos 40. Em compensação, o corpo vai reclamar. Estresse, problemas de coluna, prisão de ventre, câncer, gastrite, cirrose, hipertensão, diabetes, depresão, transtorno bipolar e lesões por esforço repetitivo. Um combo de males que podem agir simultaneamente na sua carcaça, levando em consideração a vida desregrada sem hora para almoçar, alimentação ruim, ingestão de álcool em demasia e, muitas vezes, nicotina além da conta para aliviar a pressão. Jornalistas dificilmente passam dos 60 anos e se passam viram colunistas sociais. Melhor morrer antes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;5)&lt;/b&gt; &lt;span style="color: #b45f06; font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace; font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Os maiorais.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora que já sabe sobre salário, oferta de emprego, volume de trabalho, chegou a hora de falar das pessoas. É um ponto delicado, mas é preciso ser dito: jornalista é chato pra caralho. A maioria se acha muita coisa; trata mal seu semelhante por prazer e complexo de superioridade; é impertinente e maldosa; se ressente do sucesso alheio; fala muito mal dos outros. Grande parte é composta de boçais com rei na barriga mesmo não tendo R$ 6 pra pagar um prato feito no fim do mês. Se forem bons no que fazem, piora muito, porque se acham no direito sentar no trono do altíssimo e rechaçar contato com reles mortais; Jornalistas, a maioria, subestimam quem não é jornalista. Portanto, o convívio não é dos melhores com eles. Caminhar nas redações torna-se difícil com egos tão inflados disputando os espaços.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;6) &lt;span style="color: #b45f06; font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace; font-size: large;"&gt;Vida social, who?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esqueça. O termo que denota convívio com amigos, esposas, maridos, filhos e demais familiares está fora do glossário jornalístico. O volume de trabalho é grande e a grana pequenininha, então, você vai ter que se desdobrar em, pelo menos, dois empregos. Faça as contas: 5 horas + 5 horas de trabalho = 10 horas. Estou sendo benevolente. Digamos que cada um dos empregos exija uma hora extra. Aí, já são 12 horas. Acrescente aí mais uma hora e meia ou duas para os deslocamentos diários casa/trabalhos/casa: 14 horas. Lembre-se que você tem que dormir: ponha aí 6 horas apenas, mesmo que o ideal seja oito. Temos ai um total de 20 horas ocupadas com o labor e descanso, não é? Isto, em uma situação muito favorável. Sobraram quatro horas, amigo. E agora? Ou vai pro bar ou dá uma com a patroa ou afaga os filhos ou visita a mãe e o pai ou lê um pouquinho. Escolhe só duas opções, afinal, não se pode ter tudo na vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;7) &lt;span style="color: #b45f06; font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace; font-size: large;"&gt;Feriados e fim de semanas? Sonha!&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegam os feriado prolongados, festas como Círio, Natal e Ano Novo. Que ótimo, não é? Peeeeen. Errado. Criou-se - não sei qual o filho da puta responsável – a idéia de que jornais não podem parar. As pessoas tem que estar informadas o tempo inteiro, mesmo se não há nada a informar. Daí, que o jornalista (como outros profissionais também, sejamos justos) tem que trabalhar quando todo mundo está se divertindo. Escalas de fim de semana também cortam o barato de quem pensa que vai dar uma esticada à praia mais próxima. Mas, pensando bem, se você é um liso, como é que quer viajar? Trabalha, nego, trabalha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: black; font-size: small;"&gt;8)&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace;"&gt;Cabeça de nós todo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muita gente acha que jornalista sabe um pouco de tudo devido a natureza da sua atividade. Inclusive alguns do ramo estimulam essa impressão deturpada. Daí, muita gente acha que pode puxar assunto sobre qualquer coisa com esses profissionais. O que você acha das últimas descobertas da física quântica? Quem é o quarto colocado na série Z do Brasileirão? Quem deve vencer as eleições de 2016? Como se faz para sair a foto do meu filho no caderno infantil? E o meu casamento, tem como publicar uma notinha na coluna social? Algumas perguntas que você não sabe ou por não pertencer à determinada área de atividade ou, simplesmente, porque você não sabe mesmo. E isto também cansa e enche o saco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;9) &lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace;"&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;Rotina, rotina, rotina&lt;/span&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se você acredita “ai, vou ser jornalista, porque é uma profissão sem rotina”. Pára com a doidice e escute: há rotina sim. Uma rotina estafante inclusive. Mesmo aqueles que viajam muito, conhecendo várias cidades, Estados e até países, têm uma hora que se cansam justamente dessa repetição: sobe e desde de avião, entra e sai de hotel, chegadas e partidas. Nas redações, nem se fala: repetição de tarefas resumida em receber ou pensar pautas (assuntos), apurar e finalizar o trabalho, seja escrevendo, gravando em frente às câmeras ou falando no rádio. Então, nego, se não quer rotina, vire hippie e sai por aí vendendo artesanato. É mais emocionante e pode render uma grana melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;10) &lt;span style="color: #b45f06; font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace; font-size: large;"&gt;Liberdade, liberdade, fecha as asas sobre nós!&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Serei jornalista pra lutar contra as mazelas do mundo com minhas palavras". Se liga, mané. Se você, jovem mancebo, acha que vai fazer jornalismo para proteger os 'frascos e comprimidos', desista ou pule fora do esquema dos grandes meios de comunicação. Comunicação é política e política é comunicação. Os donos dos meios só permitem essa defesa até onde esbarra em seus interesses. Portanto, darling, aquela sua vontade de fazer denúncias mil só vai pra frente nos grandes meios se for conveniente. Geralmente, não é. Existem os pequenos meios, claro, mas não precisa ser jornalista pra se inserir neles. Crie um blog, bobinho, e fale o que quiser.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-3147484310091972483?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/3147484310091972483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=3147484310091972483&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/3147484310091972483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/3147484310091972483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/04/dez-motivos-para-nao-ser-jornalista.html' title='Dez motivos para não ser jornalista'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-6860168803712542773</id><published>2011-04-05T00:05:00.000-03:00</published><updated>2011-04-05T00:05:50.358-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>A nova e a velha Marquês de Herval</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Avenida Marquês de Herval está pronta, finalmente. Desde novembro de 2007, a rua de 2,9 quilômetros estava sendo bulida e rebulida, quebrada, remendada e quebrada de novo até chegar ao que temos hoje. Dizem as más línguas que a obra deveria custar apenas R$ 1,3 milhão, mas com o abandono de empreiteiras no meio do trabalho e os vários aditamentos no orçamento inicial foram consumidos na via mais de R$ 5 milhões (me corrijam, se eu estiver enganado). Procurei no site da prefeitura e em matérias da grande imprensa, mas ninguém fez o favor de perguntar quando custou para o cidadão o asfaltamento, a ciclovia, o espaço de lazer para crianças, o paisagismo e as famigeradas academias ao ar livre - tudo em cores berrantes e com o ‘bom gosto’ que marca o grupo político que agora ocupa o Palácio Antônio Lemos. &lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-SKddA16qrCM/TZqEtOcjW5I/AAAAAAAABOI/Uo6ttEIBxvs/s1600/mini.php.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="248" src="http://4.bp.blogspot.com/-SKddA16qrCM/TZqEtOcjW5I/AAAAAAAABOI/Uo6ttEIBxvs/s400/mini.php.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Marquês, finalmente, inaugurada. - Foto de Eli Pamplona.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como conheço a Marquês e nela habito desde que me entendo por gente, vi todo o périplo para a conclusão dessa empreitada que mais pareceu uma aventura urbana de fábula para encontrar seu término. Vi os canteiros serem destruídos e refeitos mil vezes, retornos surgirem e sumirem de uma hora para outra, trabalhadores acelerarem o ritmo perto da eleição de 2008 e depois evaporarem como passe de mágica, por fim, testemunhei a progressão geométrica da descrença dos moradores que duvidavam mais do que São Tomé sobre a veracidade e o final feliz para a reforma. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem hoje passa pela Marquês aprova o feito. Enfim, uma bola dentro do nosso nem tão querido prefeito. Porém, há controvérsias. Na chuva mais fina, já se percebe os estragos de uma via feita as três porradas: ciclovia alagada, pontos de inundação, enfim, falhas feias de drenagem das águas pluviais muito comum nas ruas belenenses. Tão comuns que parecem ser um traço peculiar e insistentemente ensinado nas faculdades onde estudaram os engenheiros que fazem e refazem nossos caminhos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A rua da minha infância teve sua última reforma marcada por longos e estranhos três anos e cinco meses. Quer dizer, nem tão estranhos assim. Quem acompanhou de perto percebe as nuances e o movimento feito para tocar os trabalhos. Para se ter noção, embora tenha iniciado em 2007, grande parte do que está posto nos quase três quilômetros de asfalto, calçadas e equipamentos começou a tomar forma somente no final de novembro do ano passado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este processo ganhou contornos de realidade apenas nos primeiros dias de janeiro deste ano, sob a expectativa de entregar a obra no aniversário da cidade, no dia 12 do primeiro mês de 2011. Todo mundo sabe que a epopéia da última reforma só terminou com a inauguração no último dia 2 de abril. Inauguração essa feita com rebuliço, pompa e circunstância e muito tecnobrega e poluição sonora em quatro pontos da rua reformada. Tudo feito um dia depois do Dia da Mentira, porque se fosse marcada para a data folclórica dos que faltam com a verdade quase ninguém ia acreditar que naquela sexta-feira esquisita (em que até o Iron Maiden tocou aqui) o alcaide fosse, de fato, descerrar a fita da Via Parque.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-0C8NpWMq-3w/TZqFAw5u-MI/AAAAAAAABOM/1pn1GYqxME4/s1600/miniggg.php.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="263" src="http://4.bp.blogspot.com/-0C8NpWMq-3w/TZqFAw5u-MI/AAAAAAAABOM/1pn1GYqxME4/s400/miniggg.php.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Um desses bonecos é o prefeito. Foto de Eli Pamplona.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;Três anos e cinco meses para fazer uma rua de dois quilômetros e novecentos metros gastando mais de R$ 5 milhões. Números risíveis em uma época em que o mundo inteiro soube que o Japão refez uma de suas principais estradas em seis dias depois do terremoto que devastou o país do sol nascente. Mas, pense bem, vamos reclamar para quem? Para os vereadores? Aqueles que recebem mais de R$ 7 mil de vale-alimentação? Eles estão super preocupados em como super gastar essa super montanha de dinheiro no supermercado. Nem dá para pensar nos problemas da cidade ou fazer o básico, determinado por lei: a simples fiscalização do que o Executivo Municipal está fazendo com o meu, o seu, o nosso rico e suado dinheirinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A rua ficou o que podemos chamar de bonita. Obviamente, bonita dentro das escolhas estéticas bizarras feitas pela prefeitura para adornar a cidade - antes da banda ‘Restart’ lançar moda, nosso prefeito decidiu que a capital do Pará ficaria linda toda pintada de laranja berrante. As alterações na sinalização e no fluxo colocam a Marquês agora como uma das principais vias de escoamento da tumultuada Belém, com seu trânsito maluco de motoristas psicóticos educados nas auto-escolas de Nova Deli.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo isso dá o ponta-pé inicial de uma nova fase na vida a Pedreira, bairro que me viu crescer e que eu testemunho sua expansão cotidianamente. Chega o tempo de intensificar ainda mais o tráfego e o barulho típico dos carros e da especulação imobiliária, dos caminhões de mudança dos novos vizinhos, refugiados decadentes da velha classe média alta e os emergentes da nova classe média, que vem se juntar ao resquício dos mais pobres que ainda insistem em morar por essas bandas.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.sfreinobreza.com/HERVAL%20marques.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://www.sfreinobreza.com/HERVAL%20marques.jpg" width="261" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Pela cara, o Marquês não curtiu a reforma nem no Face Book.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fica para trás a Marquês de quando fui moleque, uma imensa rua de piçarra, fim da linha dos ônibus da linha ‘Vileta’ e marcada pela morte de uma menina da Passagem Alegre, cujo nome não recordo, mas foi a primeira vítima fatal depois da primeira camada de asfalto jogada na Avenida. Vai se perdendo na lembrança a Marques do bar Pedra 90, na esquina da Lomas Valentinas, referência para dezenas de nordestinos que chegavam na cidade, na década de 1970, para tentar a sorte, dentre eles meu pai, piauiense de Piri-piri. E mais distante ainda ficam as reminiscências rurais de uma área tomada por mato e ocupada por diversas vacarias, onde, ao final de tanta brenha, corria o límpido Igarapé dos Três Tubos, hoje limite da Av. Doutor Freitas, local em que ‘um cego matou um são’, conforme me contou o velho taxista Sebastião, testemunha desses tempos imemoriais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que fique claro que não são saudades. São apenas os fios azuis da minha memória, misturados com a memória alheia, tecendo um lugar que não existe mais, que só existe para quem o viu, para quem o vivenciou. Hoje temos a via parque, mais enfeitada do que tia velha em festa de 15 anos da sobrinha, uma Marquês de Herval com outra função no cenário urbano belenense, usada por outras pessoas, vista de outra ótica. Comemoremos, pelo menos, nossa pequena vitória de vê-la refeita, mesmo a custa de tanto tempo, de tanto dinheiro e de tantas lacunas e inexplicações administrativas que dão forma (ou deformam) a recente gestão da nossa cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-6860168803712542773?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/6860168803712542773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=6860168803712542773&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/6860168803712542773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/6860168803712542773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/04/nova-e-velha-marques-de-herval.html' title='A nova e a velha Marquês de Herval'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-SKddA16qrCM/TZqEtOcjW5I/AAAAAAAABOI/Uo6ttEIBxvs/s72-c/mini.php.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-7672731238465653554</id><published>2011-03-11T17:50:00.001-03:00</published><updated>2011-03-14T12:20:40.165-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>Cleide e outras perguntas mais antigas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;----------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O blog estava de férias, mas ressuscitou. Quem sabe agora vai de vez. Não sei se pro buraco ou para frente. Abraços e deixem seus comentários. Ando carente.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;----------------&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;O&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; nome era Cleide. Ela era mais velha do que todos nós e tinha todos os atributos que todos nós achávamos necessário para perder horas e horas no banheiro naquela época de muito trabalho mental em que o máximo que conseguíamos chegar perto de uma buceta era amarrando espelhos em cima do sapato e enfiando o pé entre as pernas das meninas de saia para tentar atingir a visão que supúnhamos ser o paraíso. Estávamos certos, claro. Mas a constatação estava muito longe de chegar, pelo menos, para mim, um vara-pau com a cara deformada pela acne aos 13 anos de idade. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_I5S4Gj1dwVs/TDpPcWJHxwI/AAAAAAAAANE/UEntvxD4kUY/s1600/fantasia-sensual-colegial2.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_I5S4Gj1dwVs/TDpPcWJHxwI/AAAAAAAAANE/UEntvxD4kUY/s320/fantasia-sensual-colegial2.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na sétima série do primeiro grau, da minha segunda casa - meu saudoso Alzira Pernambuco - minha memória fisionômica para mulheres bonitas já era muito apurada.  Enxergava um rosto bonito na multidão, o coração palpitava e rápido a imagem estava naquele cesto enorme e desorganizado de paixões pueris que era e sempre será a minha cabeça. Logo que soube que Cleide estaria no elenco, os neurônios me apresentaram a primeira imagem dela captada três anos antes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me perturbou de novo a visão nítida dela encostada na porta de uma das casas da vila militar, no caminho da escola. Estava entretido olhando as mangas amarelas no pé e na conversa besta de Marcelinho, colega de sala e da minha rua, no momento em que meus olhos pousaram naquela adolescente de shorts e blusa clara. Uma ostentação sem tamanho de coxas, peitos, umbigo, cabelos e sorriso. Tudo naquele conjunto de formosura estava no tempo e espaço certos como uma profecia anatômica conjurada em uma mulher antes dos 15 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro que ela ria um riso cínico, debochado, na nossa direção, mas que de forma alguma devia ser para nós, moleques de dez anos com uniformes encardidos e livros encapados com papel de embrulhar pão. No dia em que Gilmara desistiu do papel principal e de pronto arrumaram a substituta na peça sobre o aborto, depois de devidamente identificada a nova “atriz” na minha memória, achei uma boa troca, embora preferisse a primeira garota por questões sentimentais não resolvidas em uma quinta-série extraviada para meu pobre coração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os ensaios daquele arremedo de espetáculo teatral cuja história repetia a saga das meninas que emprenham cedo e tiram os filhos na marra eram sempre às segundas. A primeira apresentação tinha sido sucesso de público e de crítica com professores e alunos tocados pela sina da pobre moça que cometeu o mau passo e foi obrigada pelo pai a procurar os métodos mais obscuros para extração do feto. Metido em um terno emprestado não sei de quem e com os cabelos cheios de talco para parecer grisalho, fiz o vilão que obrigava a filha a cometer tal pecado mortal. Gilmara chorava e sofria com as palavras duras que meu personagem lhe sapecava na cara como se fossem cacos de tijolo. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia em que Cleide surgiu na primeira reunião na casa da Andréia daquele elenco escolar mais voltado para as questões prementes à idade do que para os resultados pedagógicos daquele trabalho, a especulação começou. Eli, o magrelo mais velho, repetente contumaz e egresso de uma escola particular, decretou solene, baseado na sua vastíssima experiência de quem tem 16 anos: “ela está a fim de alguém”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A informação relampejou nos olhos de Alan, meu amigo mais próximo na época, tido como uma espécie de galã na escola, bom de matemática e transformador galanteios pelo corredor em amassos próximos à quadra. Não se sabe como ele conseguia, mas sempre se via o pequeno Casanova atracado em uma estudante sempre da melhor estirpe, das criadas com leite Ninho. Dizem as màs línguas que a tática dele era arrebanhar as vítimas nas séries anteriores se gabando de não ser um mobral, além de pagar as coxinhas gordurosas e  o chope de ki-suco na dona Irene para as escolhidas. Ele e Eli começaram então um jogo de adivinhação que incluía o destaque para suas próprias qualidades e, obviamente, a encarnação contra quem não poderia sequer entrar na brincadeira devido à feiúra e falta de jeito, no caso, eu. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_GQ_bCl8HE1w/TQEP4_Iw8kI/AAAAAAAAALE/paeS0HsftJg/s1600/acnase_gel.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="162" src="http://2.bp.blogspot.com/_GQ_bCl8HE1w/TQEP4_Iw8kI/AAAAAAAAALE/paeS0HsftJg/s320/acnase_gel.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eli, curtido pelos anos a mais, já vislumbrava a sacanagem e se gabava de como faria quando chegasse com suas mãos nervosas à sublime novidade de pernas roliças e peitinhos de bicos salientes quase furando a blusa. Sim, porque pela sua lógica de líder natural do pequeno trio a beldade seria sua devido à proximidade das idades e todo seu charme de rapaz de boa família vindo de uma escola de abastados. Na verdade, nosso ‘chefe’ em aparência não parecia ter três anos a mais do que Alan e eu e sua vinda para o Alzira era parte do baque nas milhares de famílias de classe média que perderam renda com o confisco nas poupanças anunciado pela ministra da Economia Zélia Cardoso a mando do presidente Collor, no ano anterior. No entanto, nosso mais maduro colega achava que Cleide lhe lançava olhares apaixonados e suspirava coraçõezinhos quando via sua cara de índio misturado com Alien, o oitavo passageiro, grande sucesso na Tela Quente dos nossos tenros anos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já Alan jurava ser o escolhido por aquela que nas duas primeiras semanas me fez perder horas e horas em masturbações que não acabavam nunca mais no pequeno cúbico do quintal com dois abieiros da minha antiga casa. Sonhava acordado com a bunda e aqueles seios redondos de Cleide, meio culpado por ainda manter Gilmara na minha lista de paixões. Na minha inocência, aquela simples punheta era uma traição despudorada com meus amores mais puros, guardados sob o silêncio de Platão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alheio às minhas bestices, Alan já traçava o plano e se via exibindo seu troféu na hora do recreio. Com enumeras conquistas, inclusive algumas da meu rol extenso de admiradas secretamente. Não esqueço de Miriam, da quarta série, cabelos pretos e pele clara a quem escrevi um poema e guardei na carteira esperando a coragem me arrebatar. Meu mundo caiu quando o moleque vestido com a camisa de número sete do Vasco foi mais rápido do que eu. Antes de saber o nome e me tornar amigo dele, só chamava de “Bebeto filho de uma puta”, uma referência ao atacante vascaíno que vestia aquela numeração e seria herói da Copa de 1994. Alan/Bebeto já dava como certo ser o dono daquele troféu de pura gostosura desenhado em curvas perigosas de hormônios e feromônios em transbordância. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na laterna daquele campeonato surdo de punheteiros juvenis, vinha eu, a grande zebra. Não falava absolutamente nada sobre pretensões e me limitava a fazer comentários sobre a nítida vantagem corporal daquele fenômeno humano em relação a outras mocinhas do entorno. Nenhuma era páreo para aquele espetáculo adolescente em andamento, um show milimetricamente calculado de exibicionismo para aquela pequena platéia de machos imberbes: agachadas estratégicas para apanhar objetos que teimavam em cair no chão com a bunda bem posicionada propositalmente; decotes prestes a explodir em músculos e gorduras de mamas super bem feitas; esquecimentos de sutiã somados a camisetas claras praticamente perfuradas por mamilos indóceis; e mini-saias que davam amostras grátis, muito de vez em quando, de um micro-triângulo sempre branco de uma calcinha que nos meus pensamentos tinha cheiro de limpeza, de sabão em pó, e, obviamente, era minúscula.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus comparsas paravam para ouvir as minhas observações sempre pertinentes sobre nosso alvo amoroso, mas terminavam a conversa deixando claro que, se houvesse um interesse de Cleide em alguém, essa possibilidade estaria voltada para os dois apenas. Ela tinha quase 17 e não perderia tempo com um raquítico, desengonçado, espinhento e mal acabado projeto de homem como eu. Voltava para casa com os risos e o sarro dos colegas ressoando na cabeça, mas quando olhava o espelho percebia que toda aquela encarnação era a mais pura verdade. A feiúra era, de fato, minha grande rival naqueles anos em que tudo que se quer é ser aceito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A brincadeira de ensaiar começou a minguar quase um mês depois que Cleide chegou. A promessa de apresentar em uma espécie de mini-festival de teatro de escolas municipais foi perdendo espaço para evasivas da professora Rita, responsável por supervisionar o trabalho. Não demorou a percebermos que a dedicação fora em inútil, mas a gostosa arte do ócio coletivo não. Mesmo com tudo implícito de que era o fim, continuamos os ensaios apenas pela diversão e para, um dia, saber se Cleide cederia àquela paixão coletiva mais do que estampada na cara de nós três. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para azar de todos e decepção de alguns, o dia da revelação chegou como a confirmação de um mau presságio atingido em cheio a coletividade. Li o último sermão como pai da filha extraviada pelo rebento indesejado e terminamos a parte obrigatória da reunião. Foi quando Marília, uma das meninas do grupo e narradora da peça, propôs o “jogo da verdade”, a brincadeira sempre usada para descobrir quem preferia quem, quem pegaria quem, quem poderia ou não se dar bem trocando saliva e dando buzinadas em seios recém-chegados. Eli se prontificou a fazer um acordo com a ala feminina, para que uma das sorteadas a responder as perguntas fosse Cleide. Seria a hora em que ela diria  de uma vez por todas se queria realmente algum dos imprestáveis que ali estavam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira resposta foi ouvida por todos nós e sucedida por um disparo agudo no peito de cada um. “Sim, eu estou a fim de alguém aqui”. Eli me olhou e olhou para Alan; Alan sorriu para ela e depois nos olhou. Involuntariamente, balancei o pé, e cutuquei Eli, o mais confiante de todos. O prêmio realmente era dele pela cara de vencedor que ele fazia. O magrelo ajeitou o cabelo e endireitou a coluna, não ficando mais elegante, pareceu apenas mais delicado do que antes, quase uma garota quando recebe um elogio. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/__Y_dEB6FjBc/SjzVTUNlwrI/AAAAAAAAC10/100nnyrXMUg/1419155466_thumb.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="297" src="http://1.bp.blogspot.com/__Y_dEB6FjBc/SjzVTUNlwrI/AAAAAAAAC10/100nnyrXMUg/1419155466_thumb.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Demorou umas três rodadas para que Cleide fosse sorteada novamente e provacada com a pergunta mais esperada daquela tarde de sol escaldante e muitas tensões: “quem? Quem é o felizardo?”. A interrogação ficou no ar enquanto todos esperavam. Eu olhava para o joelho daquela adolescente de sonho postada a duas pessoas no meu flanco direito. “Fala logo”, alguém exigiu, depois de uma risada nervosa. Alan estava hipnotizado como quem acompanha os penalts em um campeonato mundial. Eli, absorto em seu meio sorriso, também estava impávido. E todos ouviram ela pronunciar o meu nome. “Quem?!”, repetiram, com um ranço de desespero na voz. E mais uma vez as sílabas que minha mãe escolheu para me batizar jorraram vagarosa e sensualmente da boca de Cleide.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei sem entender até que Eli me puxou pelo braço e Alan nos acompanhou para fora da casa. Eles perguntaram: e agora? E agora? E agora o que? E agora, seu filho da puta? E agora nada, ora, ora. Como nada? Nada. Não quero nada com essa mulher, eu disse. Eli cresceu, violento, furioso: vai ter que querer. Vai entrar lá e dizer que está a fim também, seu merda. Alan também exigiu o mesmo. Estava pressionado, acuado, não sabia o que fazer. Porém, concordei. Tinha que ter atitude de homem, afinal, eu tinha 13 anos, porra. Depois de um tempo, a pequena conferência se desfez com o acordo de que eu entraria na casa resoluto, com a disposição dos que tem o destino do mundo nas mãos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entrei. As meninas estavam em silêncio. Cleide estava sentada em posição de lótus e a coluna vertebral recolhida, apontando o rabo para trás e os peitos para frente, com o pescoço como de uma bailarina destacado pelo cabelo preso em coque. Era uma diaba, de fato. O jogo estava desfeito com a polêmica implantada. A bela queria a fera. A zebra tinha tirado a sorte grande. Diante da platéia, fui inquirido sobre o que fazer, ou melhor, o que faria diante daquele inusitado presente de Deus. Não quero, foi o que todos ouviram eu dizer, inclusive Cleide, que arregalou os olhos, torceu a boca e não disse mais nada depois de tamanha ofensa. Mas, por que? Porque eu não quero e pronto. Não tenho que querer, eu disse meio titubeante. Aaaah, viadinho, aaaah. Beija, beija, beija. Alguns levantaram essas bandeiras, no entanto, o clima não estava para brincadeiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A reunião terminou sob o alvoroço após a revelação de Cleide sucedido da minha negativa. Saímos dali certos de que nunca mais haveria ensaios. Em boa parte do caminho fui levando pescoções, chutes, empurrões e xingamentos dos meus confrades. Eles não sabiam se riam ou brigavam comigo por eu ter sido sorteado no lugar dos favoritos e idiotamente recusado a mulher mais gostosa daquele 1992. Naquele dia estanho, o improvável e o prazer de contrariar expectativas se apresentaram de vez na minha vida que estava apenas começando. Em casa, lamentei ter sido vencido pela timidez e não aproveitar a delícia em forma de mulher cujo mistério em preferir aquele adolescente magro e sem graça que um dia fui não desvendei até hoje. Será que ainda dava pra mudar de idéia no dia seguinte?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-7672731238465653554?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/7672731238465653554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=7672731238465653554&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/7672731238465653554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/7672731238465653554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/03/cleide-e-outras-perguntas-mais-antigas.html' title='Cleide e outras perguntas mais antigas'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_I5S4Gj1dwVs/TDpPcWJHxwI/AAAAAAAAANE/UEntvxD4kUY/s72-c/fantasia-sensual-colegial2.png' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-8800585179507252386</id><published>2011-02-01T02:53:00.000-03:00</published><updated>2011-02-01T02:53:40.238-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><title type='text'>Belém, construções e ruínas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Demorou, mas aconteceu. O melhor seria não acontecer, claro. Porém era meio que esperado acontecer. Tudo sob o nosso empinado, cheio de si, alienado e imponente nariz belenense: o prédio caiu. Mais de 30 andares e caiu. Ora, veja. Enquanto escrevo, sei que uma mulher morreu e dois operários estão desaparecidos embaixo de 40 mil toneladas de entulho. Muito entulho e omissões.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TUeaR4pldTI/AAAAAAAABN4/CEhSeqgKUdo/s1600/predio.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TUeaR4pldTI/AAAAAAAABN4/CEhSeqgKUdo/s400/predio.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Rua Três de Maio: área do desabamento do edifício Real Class.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1998, ouvi de um conhecedor de Belém da década 60 um desabafo terrível: “eles acabaram com a São Jerônimo (atual Av. Governador José Malcher). Destruíram todos os casarões e construíram esses prédios horríveis. Não sobrou quase nada”. Naquela época, há 13 anos, a febre do concreto já vinha se alastrando faz tempo, fazendo vítimas  - não fatais ao que se saber – a torto e à direita. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A especulação, a falta de planejamento, a frouxidão na fiscalização e a conivência de cidadãos ou pouco informados ou boçais o suficiente para ignorar as mudanças foram desenhando uma Belém aérea, de muitos andares, e muito mais feia do que a velha capital térrea de antigamente. Sim, horrenda, embora os arquitetos modernos tenham tentado enfeitá-la com vidro, aço, tendências, texturas e cores tentando imitar o que se tem como bonito do outro lado do mundo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não apenas nos bairros coroados a febre do concreto vem se alastrando. Em todas as paragens da pequena, da média e da grande Belém, ela está lá ardendo para todo mundo ver. Olho daqui minha Pedreira (ainda debaixo) e vejo como as coisas mudaram em poucos anos: prédios por todos os lados e a gente mais pobre vendendo suas choupanas e indo morar em lugares que hoje são a Pedreira de ontem. Na ditadura do cimento, são exilados para bem longe os miseráveis e os que não podem pagar 200 mil, 300 mil, 500 mil.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_kNRoQe8LJhY/TJe1G5J-vYI/AAAAAAAAKD8/KVVCbuGnNC4/s1600/Bel%C3%A9m,+panor%C3%A2mica.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="278" src="http://3.bp.blogspot.com/_kNRoQe8LJhY/TJe1G5J-vYI/AAAAAAAAKD8/KVVCbuGnNC4/s400/Bel%C3%A9m,+panor%C3%A2mica.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Belém na década de 70: ainda poucos prédios. (Foto postada originalmente em http://haroldobaleixe.blogspot.com/) &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca entendi como pode prosperar tanto o mercado imobiliário numa cidade em que mais de dois terços da população ganham ente um e um e meio salário mínimo. Quem compra essas unidades vendidas a peso de ouro? Onde eles estão? É claro que tem o financiamento, as “facilidades”, o “a perder de vista”, no entanto ainda é uma discrepância grotesca o volume de oferta dos imóveis e a quantidade de compradores com essa classe média incipiente e reduzida que temos. É uma nítida inversão de uma lei das mais antigas: a da oferta e da procura. Sim, porque eu duvido que você aí tenha essa grana toda ou mesmo crédito para adquirir uma dessas “pechinchas”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A febre não vai parar tão cedo, dizem os especialistas, deu na novela, prevêem os orixás. E os motivos estão em ingredientes de uma receita desastrosa muito simples: Um poder público relapso, desinteressado e, muitas vezes, conivente não vai perceber que esta elevada temperatura indica uma infecção que precisa ser tratada; órgãos de fiscalização contaminados até o pescoço por um corporativismo doentio e uma de proteção de classe que beira a insanidade; a imprensa que pesa mais o interesse comercial do que informação direta e necessária para os cidadãos que dela usufruem e precisam; uma justiça lenta e favorecedora para quem detém a bufunfa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o cidadão? Sim, meu caro, o cidadão é você. Não olhe para o lado fingindo que não tem nada a ver com o peixe. Na minha humildade, mas muito sincera opinião, o cidadão permanece onde está: sentado, lamentando muito, chorando muito. Contudo, mais tarde, vai ler um lindo, colorido e reluzente anúncio da mais nova torre de 50 andares de Belém. Na ponta do lápis, ele fará suas contas, coçará a cabeça, apertará aqui e ali, e dirá que dá para comprar. Claro que sempre pensando na “qualidade de vida” da sua família, como se fosse possível ter uma ilha de qualidade de vida em meio a um oceano de descalabro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Belém, como sempre, carece. Queria dizer que não, mas nossa cidade é uma carente contumaz. Temos tanto e precisamos de muito. Principalmente – para não dizer apenas – de civilidade, inteligência e de indignação. Não a do choro convulso sobre o leite derramado da tragédia, mas a indignação que ainda pode transformar; a que não entende como natural um apartamento minúsculo custar meio milhão; muito menos um de 30 andares matar quem mora ao lado; a indignação de quem quer conforto, porém não esquece que a ganância dos especuladores está inviabilizando que uma parcela imensa da população tenha uma moradia digna, mesmo sendo a mais humilde imaginada.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://prvitorhugo.files.wordpress.com/2009/02/belem_5-vista-aerea.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://prvitorhugo.files.wordpress.com/2009/02/belem_5-vista-aerea.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Belém de hoje: paisagem tomada por prédios. (Foto postada originalmente em http://prvitorhugo.wordpress.com/)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os sinais de que Belém não se sustenta neste atual modelo estão cada vez mais claros. Não é possível a queda de um prédio projetado para 35 andares não seja um indicativo evidente. É um bom momento para começar a construir uma nova consciência do que é uma boa cidade, mesmo que tenhamos que partir de ruínas que há muito julgamos não ter mais que presenciar desde o episódio “Raimundo Farias”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desculpem o tom, mas não consegui tratar esse assunto com a leveza que esse blog tem tratado outros temas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aguardo a opinião de vocês nos comentários.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-8800585179507252386?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/8800585179507252386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=8800585179507252386&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/8800585179507252386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/8800585179507252386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2011/02/belem-construcoes-e-ruinas.html' title='Belém, construções e ruínas'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TUeaR4pldTI/AAAAAAAABN4/CEhSeqgKUdo/s72-c/predio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-3625679388299797148</id><published>2010-12-20T11:41:00.004-03:00</published><updated>2010-12-29T01:43:08.972-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Listas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><title type='text'>As 10 jornalistas mais bonitas da TV paraense</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada mudou. A televisão continua este monstro de horror e rutilância e centro das atenções nas salas mais sem assuntos de todo o País. Lembro quando escrevi um post semelhante (clique &lt;b style="color: black;"&gt;&lt;a href="http://bebadogonzo.blogspot.com/2009/08/top-5-jornalistas-bonitas-da-tv.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; &lt;/b&gt;para ver, Mané) reclamando muito da televisão. Uma tremenda tolice de minha parte. Até porque criticar a programação televisiva é o mesmo que arrotar que detesta a banda Restart, o Fiuk, as novelas brasileiras, a saga Crepúsculo e a política: só cai bem para adolescentes que ainda acreditam que sua opinião serve para alguma coisa. Resumindo: é chutar cachorro morto. A televisão continua e vai continuar uma grande merda. A novidade é que ela está cada vez mais fininha e daqui a pouco tudo será em 3D ou mesmo em holografia. As chances de um derramamento fecal do tubo de imagem perto dos seus pés estão ficando cada vez maiores. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como naquele passado distante, venho através dessas mal traçadas linhas exprimir lindos motivos para assistir à tevê. Sobretudo, o noticiário, essa arma importante para o cidadão se informar e se manter a par dos acontecimentos mais relevante. Agora se você não está nem aí para &lt;strike&gt;porra de&lt;/strike&gt; notícia nenhuma, abra os olhos, meu caro. Há muito mais beleza por trás da tela luminosa que sua vã filosofia pode alcançar. Sim, estou falando delas. Das lindas moças que nos fazem pensar – por alguns instantes apenas (não exagerem) – que valeu apena ter estudado quatro anos para se formar nesse curso &lt;strike&gt;cocô&lt;/strike&gt; chamado jornalismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para quem é do Pará e acompanha os programas, são rostos conhecidos. Para quem não é da terrinha, perceba que estamos bem servidos de beldades jornalísticas. Desta vez trago dez mulheres e não cinco para você &lt;strike&gt;tarado&lt;/strike&gt; telespectador perceber que estamos muito bem representados quando a mistura mais que graciosa confunde jornalismo e beleza. São jornalistas para qualquer um ligar a televisão e enquanto qualquer uma delas estiver narrando um crime violento, uma tragédia, a saga de moradores sem água, o problema causado por um buraco no asfalto, um sujeito com uma doença rara que deforma o pênis e a face, você esquecer de tudo, se inebriar e dizer: "gamei, gamei, gamei”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem ordem definida, sem hierarquias inúteis, sem que isto se torne um vazio e abominável concurso de beleza, a equipe do blog, composta apenas por mim mesmo, fez uma minuciosa seleção levando em conta simetria, variedade étnica, afinidade com o Estado, mãos e braços, beijos e abraços, pele, barriga e seus laços. Um negócio assim meio Leoni. Sempre mostrando apenas as moças da televisão – porque tem suas imagens conhecidas por todos e não apenas por jornalistas enxeridos como eu – desta vez inclui duas trabalhadoras televisivas, que ficam por trás das câmeras, mas merecem toda a nossa atenção: Mariana Sampaio, da produção da TV Liberal; e Mayara Macêdo, do Marketing da RBA. As demais povoam nossos corações dando banho de beleza em nossos olhos diariamente nos mais variados jornalísticos com toda competência que a função exige. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos namorados, maridos, agregados, enrolados, ficantes, pretendentes e estorvadores de todo tipo recomendo e solicito que não fiquem enciumados ou bravos com a homenagem. Contentem-se em ter o sublime prazer de ter mulheres tão bonitas ao lado e parem de frescar, seus sortudos. Aos demais, apreciem com moderação, lembrando que &lt;b&gt;nenhum comentário ofensivo ou no intuito de invadir a vida pessoal de nenhuma nossas lindezas ou de qualquer outra pessoa será aceito&lt;/b&gt;. O motivo? São óbvios, seu doente, mas vou dar um melhor para você que não entendeu: o blog é meu e eu dito as regras, mermão. O que vale é a minha democracia aqui. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou repetir em caixa alta: &lt;b&gt;NÃO TEM COLOCAÇÃO NEM HIERARQUIA NESTA LISTA&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega de papo, vamos a elas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9n5-mkXqI/AAAAAAAABNM/vk3QxtH7sKc/s1600/Anne+Beckhauser.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9n5-mkXqI/AAAAAAAABNM/vk3QxtH7sKc/s320/Anne+Beckhauser.jpg" width="245" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Anne Beckhauser – Record Belém&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9oGo7-BcI/AAAAAAAABNQ/6VqwcZUFJ7E/s1600/daiane+balbinot.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="154" src="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9oGo7-BcI/AAAAAAAABNQ/6VqwcZUFJ7E/s320/daiane+balbinot.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Daiane Balbinot – RBA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TRq8Cxs7YVI/AAAAAAAABN0/pUqkSKokIeg/s1600/isa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TRq8Cxs7YVI/AAAAAAAABN0/pUqkSKokIeg/s400/isa.jpg" width="267" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Isabela Medeiros – Record Belém&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9of4zhs3I/AAAAAAAABNY/mJICtz1sLoE/s1600/Karla.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9of4zhs3I/AAAAAAAABNY/mJICtz1sLoE/s320/Karla.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Karla Albuquerque – TV Liberal &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9owlaDKqI/AAAAAAAABNc/ctBoMRiXxDo/s1600/maiaramacedo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9owlaDKqI/AAAAAAAABNc/ctBoMRiXxDo/s320/maiaramacedo.jpg" width="194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Mayara Macêdo – RBA&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9pADWp-LI/AAAAAAAABNg/evfpSw0hC-c/s1600/mari_sampaio.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9pADWp-LI/AAAAAAAABNg/evfpSw0hC-c/s320/mari_sampaio.jpg" width="178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Mariana Sampaio – TV Liberal&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9pK5mrlCI/AAAAAAAABNk/GkcVDXTTr8k/s1600/marina.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9pK5mrlCI/AAAAAAAABNk/GkcVDXTTr8k/s320/marina.jpg" width="253" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Marina Miralha – TV Liberal&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TRq4iYHXT_I/AAAAAAAABNw/IfI-KIiqvbk/s1600/tri.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TRq4iYHXT_I/AAAAAAAABNw/IfI-KIiqvbk/s320/tri.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;Trisha Guimarães – TV Liberal&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9Vh4oLdcI/AAAAAAAABNE/w5fHLYDGlIU/s1600/ursula2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9Vh4oLdcI/AAAAAAAABNE/w5fHLYDGlIU/s320/ursula2.jpg" width="301" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Úrsula Vidal – SBT&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9pg3QzEeI/AAAAAAAABNo/LWCgomr8QWo/s1600/Vanessa+Liborio.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9pg3QzEeI/AAAAAAAABNo/LWCgomr8QWo/s320/Vanessa+Liborio.jpg" width="221" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Vanessa Libório – Record Belém&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-3625679388299797148?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/3625679388299797148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=3625679388299797148&amp;isPopup=true' title='67 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/3625679388299797148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/3625679388299797148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/12/as-10-jornalistas-mais-bonitas-da-tv.html' title='As 10 jornalistas mais bonitas da TV paraense'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TQ9n5-mkXqI/AAAAAAAABNM/vk3QxtH7sKc/s72-c/Anne+Beckhauser.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>67</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-3569611170018475364</id><published>2010-12-17T12:04:00.003-03:00</published><updated>2011-12-20T15:01:58.675-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cachaça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gafes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quentchura'/><title type='text'>Confraternização, jornalistas, tequila e porrada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ok, ok, ok, vou destilar o meu veneno. Eu aumento, mas não invento. Dignidade já. O povo quer saber. Podem usar todos os bordões de programa de segunda categoria (se é que existe uma primeira) da televisão, porque esta postagem tem como único objetivo reverberar alguns detalhes da última “Festa da Fiepa”, já famosa nos meios jornalísticos pela farta boca-livre e os excessos que os colegas comentem diante de tanta comilança e bebelança.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://farm3.static.flickr.com/2740/4211023096_7656e08503.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://farm3.static.flickr.com/2740/4211023096_7656e08503.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Detesta fofoca.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Decoração mexicana, música tranqüila, gente bonita, muita azaração, muito beijo na boca. Chego ao prédio da festa por volta de dez e meia, trajado de padrinho de casamento, como me chamaram alguns ordinários que encontrei. Tudo certo. Cumprimentos, beijinhos no rosto, dá um confere na mulherada e começa o espetáculo.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A festa da Federação das Indústrias do Pará é sempre um atrativo todos os anos. Bem organizada, tem gente que amputa um membro pelo convite para não ficar de fora. Este ano, não foi diferente. Salão cheio e os colegas de profissão se acotovelando no ritual de socializar. Pelo horário que cheguei juro que encontraria o pessoal já trançando pernas, uma vez que a promessa era de tequila e outras bebidas à vontade. Me enganei:  para o meu espanto 93,5% dos convidados ainda estava no seu estado civilizado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora a calmaria do início, o clima era propício para o que os jornalistas convidados fizessem o que mais sabem fazer quando entornam umas: cagada. Dancinha para cá, dancinha para lá. Rola o sorteio, o povo se excita. Termina a entrega dos brindes, outro ponto esperado da festa oferecida aos jornalistas, que como todo bom pobre adora brinde. Eu ganhei um pen drive e uma agenda, que esqueci propositamente por lá. Achei meio azar ser sorteado com essas miudezas, mas o pior não foi isso: o pior foi o corinho para que eu beijasse o coroa que estava entregando o presentinho na hora em que fui lá na frente. Uma humilhação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo mundo devidamente presenteado, os gogo boy/garçons irrompem o salão literalmente tacando fogo nos ânimos que já estavam exaltados por muitas doses anteriores. O povo ataca a tequila ofertada, inicialmente, com o tradicional sal e limão e depois, sem cerimônia nenhuma, pura. Purinha. Só podia dar merda. É nesse ponto que a coisa muda. Já se via depois do manjar etílico mexicano o estado de “sequerência” de uns para o lado das bonitas moças que tomam conta das nossas redações, corações e mentes. &lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.seriouseats.com/images/20090722-tequila.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://www.seriouseats.com/images/20090722-tequila.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Combustível &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pela cara de alguns colegas, já era hora de parar. Mas, a maioria sempre resiste, claro. Depois de me choacolhar no salão, senti um peso estranho pela lateral esquerda do bucho e obedeci, como poucas vezes faço,  meu judiado organismo. Pudera eu aconselhar alguns dos confrades a fazer o mesmo. Mesmo reduzindo o combustível, ainda realizei um grande sonho: dançar com a imbatível Célia Pinho, repórter das mais queridas de Belém e um personagem da festa anual devido, digamos, ao seu desprendimento e simpatia. Com malemolência,bailamos já meio quebrados pelo álcool. Mas, eu adorei. Um beijo, Celinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os sinais de decrepitude pela bebida já estavam na cara de muitos. No fundo do salão, vi meu colega fotógrafo e bom de copo Fernando Araújo. Com umas e outras na cabeça e, provavelmente, muito cansado de um dia puxado de trabalho, ele dormia feito anjinho, sem nenhum pudor, na frente de todo mundo. Mais tarde, já na hora do sambão com a bateria do Rancho e as mulatas, ele ressuscitou bem do meu lado parece um zumbi sorridente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o fotógrafo não foi a melhor imagem da derrota nem o vexame maior da festa. Houve casos bem piores. A medalha de bronze foi para um ex-colega de sala na universidade e assessor de imprensa de uma grande empresa. Ele começou um ritual de vômitos seguidos ainda no salão, já no final da festa. Deve ter passado mais de meia hora descomendo e desbebendo tudo que ingeriu. Cansado da baldeação, ao final nosso segundo colocado na categoria mico deitou nas cadeiras, encolhido como um bebê, e lá ficou. Sem uma alma para ajudá-lo. Nessas horas, a gente pensa: como é bom ter amigos. Meu pobre colega parece que não tinha nenhum para acudir nesse momento tão crítico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A medalha de honra ao mérito do vexame foi para uma moça, sempre simpática que tomou todas e quase vira banquete dos urubus de plantão, aqueles que atacam sempre no final querendo se dar bem. Muitos já a cercavam aquele interessante pedaço de carne no final do festim. Todos com cara de “vô te cumê, vô te cumê, vô te cumê, vô te cumê, vô te cumê, vô te cumê...”. ela escapou por pouco, eu acho. No entanto, o Oscar de melhor escândalo/barraco e personagem ficou para o fim de tudo, quando as bandas já haviam cessado o forró-bodó e todo mundo já estava naquela de “e ai, vamos pra onde agora?” e alguns tentando ainda conseguir alguma lasca das meninas já descabeladas e bêbadas.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0yXcpvwwdh8/S87x_7MlGfI/AAAAAAAABiM/ULP8S_XzBYc/s400/ratinho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="281" src="http://1.bp.blogspot.com/_0yXcpvwwdh8/S87x_7MlGfI/AAAAAAAABiM/ULP8S_XzBYc/s400/ratinho.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Ma que POHA é essa, seus bando de malacabado?!?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente, não mais que de repente, um rapaz alto, magro, com quem eu havia falado mais cedo, sai de trás da cortina de um dos acessos ao salão como se estivesse se apresentando em um palco de teatro. Mais tarde, numa apuração bisonha e bêbada, descobri que ele realmente era um idealista, que já participou inclusive do Fórum Social Mundial. Enfim, uma pessoa boa que ainda acredita que o mundo pode ser mudado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na sua irrupção, o convidado disse para todos: “SEUS FILHO DA PUTA. SEUS FILHOS DA PUTA. NÃO SE METEM COM A FULANA (jornalista e namorada dele). NÃO SE METAM COM ELA. VOCÊS SÃO UNS PEQUENOS. UNS PEQUENOS”. Ele fazia o gesto que o Professor Raimundo fazia quando falava do salário. Eu interpretei como uma referência ao tamanho do pênis dos que estavam no recinto, mas não era nada disso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito provavelmente, ele estava se referindo ao conceito de grande imprensa, que mais esconde do que mostra e estava ali sendo representado por todos os convidados, partícipes desse teatro horrendo de omissões, mas meros funcionários das tais “grandes empresas”. O discursador saiu de cena para trás da cortina para começar um outro espetáculo, agora de luta-livre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não podia abandonar um personagem tão interessante e fui atrás dele para saber o que mais ele tinha dizer sobre esse velho pensamento midiático que me dominava muito mais quando eu ainda era universitário. Ao chegar à área externa, o rapaz estava endiabrado, engalfinhado com seguranças e outros jornalistas que se meteram na confusão. No chão, ele chutava e grunia, revirava os olhos e tentava se desvencilhar da turma que queria dominá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sopapos aqui, gente do deixa disso de lá, um grupo de bêbados começou a cantar a música do programa “Rota Cidadã”, apresentado pelo Joaquim Campos, que não foi à festa, mas ficaria orgulhoso de ouvir a vinheta na boca do povo. Um dirigente da Fiepa ameaçou chamar a polícia para diluir a confusão. “Isso aqui é uma Federação. Vocês tem que respeitar”, berrou. Eu ri, mas concordei. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de um tempo de porrada, o possuído foi dominado e levado para fora junto com a namorada, morta de vergonha, tadinha. Descobri que a confusão com o encapetado iniciou com o cumprimento de um colega da jornalista. Diga-se de passagem, o colega era visivelmente gay. Mesmo assim o namorado pegou corda e empurrou o rapaz, tacando cerveja no autor do gracejo, considerado ofensivo pelo nosso medalha de ouro no quesito vexame.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou. E agora, José? Depois dessa será que a Fiepa vai confiar em oferecer mais uma festança a nós, jornalistas? Parabéns à Federação pela organização, sobretudo, à assessora Alessandra Barreto e ao Yuri Hage, sempre receptivos o ano todo com a imprensa e ainda mais na confraternização. Quanto aos convidados, entendemos os excessos. Afinal, é gente que vive atolado de trabalho, tragado pela rotina extenuante, com pouco ou quase nenhum tempo para enfiar o pé na jaca. E todo mundo sabe: quem não come mel, quando come se lambuza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;---------------------&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Atualização &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotos da festa podem ser vistas no Flickr criado para o evento. Já tem imagens lá. Clique &lt;b style="color: black;"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/festafiepa2010"&gt;aqui&lt;/a&gt; &lt;/b&gt;para ver. &lt;span class="status-body"&gt;&lt;span class="status-content"&gt;&lt;span class="entry-content"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-3569611170018475364?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/3569611170018475364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=3569611170018475364&amp;isPopup=true' title='46 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/3569611170018475364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/3569611170018475364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/12/confraternizacao-jornalistas-tequila-e.html' title='Confraternização, jornalistas, tequila e porrada'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://farm3.static.flickr.com/2740/4211023096_7656e08503_t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>46</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-5459310159802701682</id><published>2010-12-13T01:51:00.003-03:00</published><updated>2010-12-15T20:33:41.852-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Listas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><title type='text'>Dez tipos de mulher para evitar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há quem mande no próprio coração. Li esse axioma há mais de 20 anos em uma revista Carícia de uma de minhas tias, uma adolescente, na época. De fato. Todo mundo sabe dessa fatídica verdade. A fisgada da paixão pega fundo e às vezes vira o que chamam por aí de amor. Como também pode se tornar doença crônica e acabar na porta de uma delegacia, de um hospital, de um presídio e, em casos extremos, de um cemitério e até – ora vejam a tragédia –de uma igreja.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso estar atento e forte, meu amigo. Qualquer passo em falso pode resultar em uma enxaqueca permanente por dias, podendo se prolongar por meses ou anos e levada para o túmulo. Tudo por culpa do erro, fruto da ansiedade e do medo de não morrer só, mal de 11 a cada dez pessoas que estampam o status de solteiro no Orkut, Facebook e outros mafuás virtuais. Mesmo se for descendente de japoneses, arregale os olhos na hora do chamado afetivo-sexual-sacânico-malemolente. Veja quem você está pegando e para não padecer de susto, bala ou vício produzidos pelos descaminhos de amar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Baseado na postagem do portal &lt;b style="color: black;"&gt;&lt;a href="http://meiafina.com.br/comportamento/news/1994/"&gt;Meia Fina&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;, dê um passo rumo à pretensão e resolvi pagar de conselheiro amorosos para ajudar os solitários do sexo masculino (aqueles que gostam de mulher) a escolherem seus pares. Na verdade, não se trata de optar por certas pequenas, mas evitar alguns tipos para não cair no pecado de se enrolar com quem não vale à pena. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes que iniciem os xingamentos femininos, nenhuma experiência pessoal foi levada em consideração na feitura desse texto. Até porque não cuspo no prato que comi. Vai que quero comer de novo, não é? Saliva na louça não é comigo. E outra: todos os relacionamentos que tive foram com mulheres quase perfeitas. O único defeito delas foi ter se envolvido com este traste que vos fala. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sustentado em 31 anos de observação e audiências com amigos e camaradas dos mais variados tipos e envergadura moral (alguns sem nenhuma, é claro), listei dez tipos de mulher evitáveis, aquelas que se deve passar longe para não sofrer, emputecer-se, encaralhar-se, amolar-se, morrer-se, matar-se ou ainda fugir para bem longe do desengano, da mágoa, da desilusão e encontrar novamente a putaria, a descaração e a sem-vergonice sem fim de ser sozinho no mundo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, papai, se vocês está na pedra, vai ficar difícil pra o seu lado devido sua total falta de condições de selecionar ou racionar com a cabeça de cima. Para você, meu peixe, só desejo sorte e indico ler os tópicos abaixo para não cometer nenhuma atitude desesperadas. O texto contém doses cavalares de sinceridade. Só leia caso esteja preparado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos à lista disposta em ordem aleatória:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;1 - A workaholic&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.facadiferente.sebrae.com.br/wp-content/uploads/2009/06/mulher_trabalhando.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://www.facadiferente.sebrae.com.br/wp-content/uploads/2009/06/mulher_trabalhando.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;As mulheres hoje estão em todos os espaços antes tidos como reservado apenas para homens. Elas chegaram lá, embora ainda precisem ganhar salários melhores sem ter que usar bigode postiço. Sem entrar no mérito das conquistas, alguns exageram e muito no cumprimento das funções profissionais. Você ali, cheio de amor para dar, mas a danada está pilhada depois do trabalho. Só pensa naquilo. E aquilo não tem nada a ver com você, campeão. Ela só fala do que aconteceu durante o dia, já planeja o que vai ter amanhã, bola possíveis estratégias para o outro mês e ainda tem três relatórios para preencher, o que vai acontecer simultaneamente enquanto você estiver ao lado dela. Corra, parceiro. Você vai conseguir dar só uma buzinada no peitinho e um cheiro no cangote enquanto ele estiver de olhos grudados no note book respondendo emails do pessoal da firma. Se é pra ficar na punheta, fique sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;2 - A descolada&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.iwannabeyourdog.com.br/wp-content/uploads/2009/05/lady-gaga.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://www.iwannabeyourdog.com.br/wp-content/uploads/2009/05/lady-gaga.jpg" width="145" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Tuntz, tunz, tunz. Ela fala de Lady Gaga como “ícone pop”. Menos dez pontos. Ela usa um visual supertransado, incluindo maquiagens bizarras e óculos emprestados da banda Restart. Menos 20 pontos. Ela adora curtir com a galera TODO fim de semana. Menos 100 pontos. Ela já foi DJ uma vez e adorou. Menos 400 pontos. Ela tem aquele amigo gay super antenado que conhece todos os “bofes escândalos da cidade”. Menos 1500 pontos. Ela acha Belém uma merda e o bom mesmo é morar em São Paulo, onde estão as melhores baladas, as pessoas mais inteligentes e mais bem vestidas do Brasil... Bom, vamos parar por aqui porque essa moça já está devendo até as calcinhas da sua 17ª futura encarnação. Amigão, ela é gostosinha, pode render um bom papo e até um lesco-lesco classe A devido sua tendência à liberalidade, mas vai ser difícil acompanhar o estilo de viver da gaja. Além do mais, se uma hora ela largar esse parque de diversões em que vive e olhar para o lado vai perceber que vocês dois são completos desconhecidos. A solução dela será correr para chorar no colo do amigo gay, dizendo-se disposta a ceder àquela amiga que anda querendo pegá-la tem um tempão. Cilada das boas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;3 - A ciumenta&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.buscafilme.com.br/wp-content/uploads/2010/10/atracao-fatal.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://www.buscafilme.com.br/wp-content/uploads/2010/10/atracao-fatal.jpg" width="131" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Essa é clássica. Ela vai te cercar, impedir papos com amigos, fazer grosserias com as amigas, suspeitar de colegas de trabalho, invadir suas senhas de email, MSN, Orkut, Twitter, Facebook. Vai fiscalizar de perto seus extratos bancários, suas faturas do cartão de crédito, vasculhar manchas de batom na camisa, bilhetes no bolso e dizer que você está aprontando quando ligar para avisar que não vão se ver porque você pegou dengue. Ah, sua mãe se tornará inimiga pública número um do casal, suas irmãs serão megeras e suas primas umas vagabundas que querem lembrar os tempos em que brincavam de médico com você. Ela vai te ligar de hora em hora e cooptar colegas do seu trabalho para ajudar nas investigações sobre a outra. Sim, porque a outra existe, mesmo sem existir. Se você conseguir sair vivo dessa atração fatal, parabéns. Geralmente, quem entra nessas histórias acaba, no mínimo, mutilado, perdendo o obelisco dos Países Baixos. Se manda, negão, enquanto é tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;4 - A hipersensível &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.peeperstv.com/pictures/343061/lindablair.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://www.peeperstv.com/pictures/343061/lindablair.jpg" width="160" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Um denguinho é ótimo, ora se não. A cultura machista incutiu nas nossas cabeças duras que mulher é frágil e isso, de certa forma, nos agrada. Aguça o senso de proteção do macho que acolhe sua fêmea nos braços fortes e resolve o que precisa ser resolvido em momentos difíceis, mesmo que o problema em questão seja só uma TPMzinha de nada. Agora tem aquelas mulheres que estão com Tensão Pré-Menstrual 24 horas por dia, sete vezes por semana, 370 dias por ano – sim, elas arrumam cinco dias a mais para atormentar a sua vida. E não vá pensando que a sensibilidade aqui está ligada aquele chorinho fino ou convulso, liberado diante do prosaico comercial de shampoo. Não, camarada. O estado hiper-sensível dessa leoa chega às raias da brutalidade e as mudanças de humor são mais velozes do que o Papa Léguas. Qualquer palavra fora do lugar pode gerar uma crise lágrimas do tamanho do rio Amazonas ou um ataque de fúria de conseqüências tão imprevisíveis quanto ir ao shopping em época de Natal. Você, jovem, dificilmente, vai segurar essa onda. Entre a criança perdida e fera indomável, o senhor vai ter que ser melhor administrador do que a Dilma depois do corte de quase R$ 9 bilhões no orçamento da União. Passe a vez e pule 150 casas para manter a distância.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;5 - A gostosona&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://cultureba.com.br/wp-content/uploads/2009/11/brigitte_bardot.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://cultureba.com.br/wp-content/uploads/2009/11/brigitte_bardot.JPG" width="157" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Todo mundo sonha com ela. Todos já se masturbaram &lt;strike&gt;bateram uma boa punheta&lt;/strike&gt;, pelo menos uma, vez para ela. A frase “Ah, se eu te pego” está para essa moça como “bando de ladrão safado” está para a família Sarney. A toda hora ela escuta um galanteio, seja no trabalho, no carro ou no banheiro. Obviamente, você está lisonjeado em ser o escolhido da vez. Deliciou-se e agora anda por aí todo pimpão de mãos dadas com o broto. Nada melhor do que uma mulher linda e sensual do lado para compartilhar o amor e suas taradices, não é? Não, não é. Façamos aqui uma analogia automobilística para um melhor entendimento: ninguém quer dirigir um Monza modelo 1981 todo enferrujado, mas no plano ideal todos querem uma BMW ou uma Ferrari. Obviamente, os custos e as preocupações com os carros mais caros e mais bonitos são infinitamente maiores. Agora convenhamos: um Fiat Ideia, um Cross Fox, um Pálio, um Gol, que seja, são bons veículos, ora, ora. Não vão te dar tanto trabalho, nem vão te colocar como alvo de possíveis seqüestradores e vão cumprir sua função que é te levar para lá e para cá de forma segura e confortável. Entendeu, né? Então, a primeira vista aquela lindeza, força da natureza, deusa do sexo e  sonho de todo onanista da face da Terra, idolatrada, salve, salve, pode ser a melhor escolha. No entanto, está longe disso. É dor de cabeça na certa. Vai naquela moça de óculos, discreta e sorridente que você enxerga faz tempo. É mais jogo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;6 - A intelectual convicta&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_GxFTtwPPBLI/TEe0yTns1eI/AAAAAAAADqA/NfbINmbkDHA/s1600/mulher_lendo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_GxFTtwPPBLI/TEe0yTns1eI/AAAAAAAADqA/NfbINmbkDHA/s200/mulher_lendo.jpg" width="174" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;São sete e 15 do sábado. Sem ter nem pra quê você pulou da cama e está na casa dela com uma ressaca do tamanho dos problemas urbanos de Belém. Dirige-se à mesa de café e ela está lá, senhora de si. Na sua primeira mordida no pão, ela solta a primeira frase sobre “a quebra de paradigmas oriunda do sujeito multifacetado engendrado com o que seja dimensiona como pós-modernidade, traço agravado em regiões geopolíticas em que é notado o desenvolvimento anódino das relações de produção e trabalho, tipo assim, uma periferia da periferia da periferia do capitalismo tardio”. Em condições normais, sua cabecinha oca dificilmente processaria toda essa informação. Além da sua burrice costumeira, some o fato de estar sob o efeito do álcool. Não vai entender porra nenhuma mesmo. Ela está prestes a entrar no doutorado e toda vez que vai se mudar precisa alugar mais dois apartamentos de três quartos para abrigar sua cultura geral. O futuro reserva para ela um lugarzinho próximo do Mediterrâneo e um estilo de vida excêntrico e sofisticado onde a solidão e o ar blasé lhe caem muito bem e não há espaço para paspalhos como você, que só se interessa por vídeo game, cerveja, mulheres e como vai pagar as contas no final do mês. Tudo muito pequeno diante da grandiosidade do que é o real entendimento do mundo. Diga que vai à livraria comprar o novo livro do Humberto Eco e suma no trecho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;7 -  A desmazelada&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://eletroclub.files.wordpress.com/2010/08/feia.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://eletroclub.files.wordpress.com/2010/08/feia.jpg" width="150" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quando vocês saíram a primeira vez, ela está deslumbrante. Vestido bonito, maquiagem discreta, hálito perfumado e calcinha certa. Uma uva. Não tem outra. É namoro ou amizade, Sílvio? Namoro. Sem pensar duas vezes. Na bucha. Namoro. O papo é ótimo, a família não enche o saco, as afinidades são muitas. Certo dia, um sábado, você passa na casa dela pela manhã para cumprimentar, fazer um gracejo. Beijinho e coisa e tal, você percebe que falou aquele banho matinal revigorante. Ah, tudo bem. A visita era surpresa. Na outra semana, você está naquele amasso gostoso e percebe que o suvaco está mais peludo que o seu. O descuido com o asseio diário, com as normas básicas de higiene pessoal e de civilidade, vai se acentuando e quando você se dá conta, vem a pergunta: “meu Deus, quem colocou essa mendiga no lugar da minha namorada?”. Ainda tomado de amor você vai se angustiar com o cabelo ensebado, as roupas velhíssimas e o mau hálito do seu objeto amoroso. O amor vai se transformar em aborrecimento o mais rápido que você imagina e mesmo sendo um porcalhão vai ser doído encontrar aquele espantalho que se apresentou lindamente diante de você em uma noite mais do que especial. Probabilidades de embarangamento acelerado irreversível: 187%. Seja esperto: perceba antes da mutação e caia fora o mais rápido possível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;8 - A feminista de carteirinha&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_joT4BoVbH3c/TJ95R2xdOvI/AAAAAAAAACE/nk4atTaOb4c/s1600/feministas-e-sufragetes.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/_joT4BoVbH3c/TJ95R2xdOvI/AAAAAAAAACE/nk4atTaOb4c/s200/feministas-e-sufragetes.jpg" width="132" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ela vai deixar um comentário mal criado se ler este post. Deve me chamar ainda de hipócrita, péssimo na escrita e chauvista por tratar as mulheres de forma desrespeitosa, segundo seus preceitos. A feminista de carteirinha não tem senso de humor e é a mesma que enxerga homofobia, racismo, violação de direitos humanos e outros males sociais até em propaganda de detergente. Ela está atenta, meu amigo. Muito cuidado quando abrir a boca. Nunca mencione as palavras letais: Dado Dolabela. O escroque global a deixa furiosa. Na verdade, essa moça é apenas uma paranóica inveterada que encontrou no feminismo sua melhor forma de atuar e perturbar a vida de terceiros. Mesmo com todos concordando, inclusive você, que está mais do que sacramentado o direito das mulheres a todos os outros direitos estendidos aos homens, a pequena vai arrumar uma encrenca para mostrar o que apreendeu com a sociologia dos excluídos. Antes que suas bolas estourem e você seja espancado por esta delicadeza feminina, pratique o desapego e desapareça. Sem fazer alarde. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;9 - A filhinha de papai&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://jovemnerd.ig.com.br/wp-content/uploads/ads_familiatrapo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="113" src="http://jovemnerd.ig.com.br/wp-content/uploads/ads_familiatrapo.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Você vai ter um trabalhão para chegar nessa moça. Mas, a paixão vale o esforço de Hércules. A famosa moça bem família” vai te levar para conhecer os pais em um almoço farto, que vai lhe constranger de início pela ostentação em mesa tão arrumada e variada. Sentado, você vai ser interrogado com palavras e olhares de todos os presentes daquele clã. Porém, o jogo de cintura e a vontade de faturar a gatinha farão a primeira prova de fogo parecer moleza. Logo você estará compartilhando aquele ambiente honesto, bom, fraternal. Um lugar tão aconchegante e aprazível que vai parecer mesmo sua casa e as pessoas vão parecer mesmo  muito próximas. Um paraíso. Não dou dois meses para você começar a questionar se aquelazinha depois do Intercine, no sofá, quando todo mundo estava dormindo, foi um incesto. É, porque sua namoradinha vai passar a ser praticamente uma irmã, uma parente do ciclo mais íntimo seu. Fora que qualquer discussão, qualquer deslize, qualquer entrevero, será compartilhado com os demais integrantes da família. As DRs, tradicionalmente travadas a dois, vão virar terapia de grupo. Ao invés de um debate, dois, três, quatro, infinitos, paralelos, sacais. Será um time inteiro jogando contra você, tendo como maior zagueiro uma sogra, em princípio, atenciosa à relação a dois da filha e, no final, uma megera de orfanato. Se não quiser o inferno como lar, abra mão de tudo para não queimar o rabo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;10 - A cu doce&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.bruninhabhnight.blogger.com.br/camisinhadiet.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://www.bruninhabhnight.blogger.com.br/camisinhadiet.jpg" width="130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Essa espécie é para ser expurgada para sempre, em qualquer situação, sem dó nem compaixão. Também conhecida é como “carvão molhado” e está presente em todo o território brasileiro, certamente, também em todas as regiões do planeta. Elas se dividem em dois grupos: a) as que querem frescar; e b) as que querem frescar de cum força. No primeiro caso, elas não estão nem aí para suas investidas. Você já convidou para o cinema, deu um jeito de estar no mesmo bar que ela, já colocou no outdoor, em todos os jornais, seu retrato, telefone e o endereço e chegou ao cúmulo de mandar scrap com poesia do Vinícius de Moraes no Orkut dela – vergonha alheia da sua falta de dignidade, velhão. Enfim, deixou claro por A + B que dará o céu e o seu amor também para a tchutchuca. Ela, por sua vez, não diz não, nem diz sim, nem um talvez, no entanto sempre deixa aquela ponta de esperança para o palerma retornar com as tentativas. Dentro daquela cabeça linda com cabelos cheirosos, ela te olha e pensa, secretamente: “não vou dar pra ti nem pelo caralho”. O segundo tipo já deu todas os sinais que a entrada está livre, você pode estacionar, garanhão. Vocês já saíram, ela te apresentou para as amigas, você está ali rente que nem pão quente, empolgado com a situação. Mas, nada acontece. Sua ansiedade é gritante, a boca já faz bico para beijinho quando ela chega, você sente aquele princípio de tesão somente com a tensão do encontro, mas... NADA. Nada acontece. A frescação aí ganha contornos de filme de suspense. É agora? É depois? É nunca? Meu Deus, que agonia. Enquanto isso, ela mantém o sorriso de marfim com a ponta de malícia que você sonha tomar conta daquele corpo inteiro. Sei que você está a fim, meu bom rapaz, mas há cabrochas com interesse sincero mais na ação do que nesse joguinho interminável, cujo final só tem um perdedor: você. Vai atrás de uma periguete para lavar a alma antes de partir para um próximo alvo de verdade. Seja feliz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Se você tem mais um tipo de mulher evitável, compartilhe conosco e deixe aí nos comentários.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-5459310159802701682?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/5459310159802701682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=5459310159802701682&amp;isPopup=true' title='39 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/5459310159802701682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/5459310159802701682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/12/dez-tipos-de-mulheres-para-evitar.html' title='Dez tipos de mulher para evitar'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_GxFTtwPPBLI/TEe0yTns1eI/AAAAAAAADqA/NfbINmbkDHA/s72-c/mulher_lendo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>39</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-2263997725230875152</id><published>2010-12-06T20:54:00.004-03:00</published><updated>2011-03-11T20:39:37.555-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Das mulheres que cobicei - Parte 2.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tinha um nariz afilado como uma lapiseira zero ponto sete da Faber Castell, igual as que eu usava para tentar desenhar meninas igualmente bonitas como ela deve ter sido quando criança. Nem desconfiava que Ana Lúcia pudesse se juntar àquele bando de mulheres alucinadas, quando a vi logo cedo, de manhã, no elevador, saindo para o trabalho com o marido. Cheirosa como sempre. Claro, que sou discreto. Olho só quando a barra está limpa. Mas percebi a insistência da minha vizinha mais bonita em me encarar naquele dia. Nunca fui de chamar atenção. Nunca fui nem ser enquadrado como simpático, charmoso ou bonitinho. O que a vida me ensinou foi a rejeição feminina quase como regrar de ouro, com poucas exceções, graças a Deus. No entanto, aquele olhar matutino da gostosa do quinto andar desmentia anos de prática na arte da invisibilidade para as mulheres. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 1em; margin-right: 1em; text-align: justify;"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="321" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5547701381058801874" src="http://3.bp.blogspot.com/_2vuNUIcmZdY/TP1lA1n0MNI/AAAAAAAABPA/O6XMGGTxIsM/s400/lapiseira01.jpg" width="400" /&gt;&lt;/div&gt;Ana me olhava ostensivamente, me comia com os olhos, como dizem por aí, enquanto segurava a mão do esposo, metido em trajes sociais, que poderiam apontar uma profissão como contador, auxiliar administrativo, professor, vendedor de livros e até bancário, mas sua compleição física era de um estivador. Fiquei com medo e baixei a vista, afinal, começar o dia com um murro entre os olhos não seria boa coisa. Fiquei intrigado, mas entrei no prédio com meus dois pãezinhos para fazer o desjejum. Ana Lúcia. Só conhecia de vista a nova moradora. E isso porque o último porteiro que o prédio teve, um fofoqueiro de marca maior, contou. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Essa dona é boa. Ana Lúcia. Um pitéu, um pitéu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora acuado na minha própria casa, com quase cem mulheres desesperadas forçando à porta, comecei a perceber o grande engano da manhã que se repetiu durante o dia todo e me colocou nessa situação. Às dez horas, fui à farmácia e a balconista, um doce de operária, me olhou também de olhos vidrados, muito diferentes de todas as vezes que apareci por lá, tentando puxar assunto com um papo furado sobre analgésico mais potente. Tive a mesma impressão quando cheguei ao trabalho e Aimeé, Lucélia, Priscila, Angela, Dora, Maria de Lurdes, Luciene, Sandra Rosa, Júlia, Marcela, Aline, Zuleika, Fernandinha e todas as atendentes, gerentes, colaboradoras que eu já olhei, pelo menos uma vez, com algum interesse, sinalizaram uma sensualidade estranha com a minha passagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de ficar com medo, eu gostei. Gostei muito. Até que enfim, elas me notaram, ora, ora. Pensei na Ana Lúcia e como ela agora sim valorizou um homem de verdade e não aquele arremedo, babaca, metido a fortão do marido dela. As outras do trabalho a mesma coisa. As solteiras sempre falando dos seus flertes, futuros compromissos ou só os felizardos que iam brincar naquelas carnes e cair fora sem deixar rastro. Eram sempre uns idiotas, por sinal. As comprometidas não eram em nada diferentes: ficavam ali no final do expediente esperando os paspalhos, um com mais cara de trouxa que o outro. Chegavam para buscá-las os sujeitinhos que não valiam um bom dia. E eu ali, sempre sozinho, só olhando a tal presepada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora meu dia tinha chegado. Já estava até mais corajoso. Chamaria uma delas para um cinema, um sorvete que fosse, ou algo mais ousado: uma visita direto na minha bat caverna. Do jeito que elas me olhavam, uma aceitaria. No mínimo, uma. Já planejava várias noites no meu abatedouro quase sem uso, na hora em que estranhei a sexta conhecida que passou na rua esticando o pescoço e olhando para dentro da loja, como que procurando alguém ou alguma coisa. Passei a perceber que outras mulheres, todas devoradas por mim com os olhos diariamente, desfilaram na calçada naquele balé sinistro de esticar o pescoço, procurar e pousar os olhos sobre mim. Não foram poucas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De uma sensação boa de ter me tornado o novo Casanova, passei a um certo desespero. Não entendia a situação. Nem tinha como compreender. Do nada, aquela turba de mulheres, meus alvos, meus objetos de contemplações solitárias por tantas noites, seduzidas, ofertando mais do que olhares. O clima dentro da empresa estava terrível, elas faziam suas tarefas sem esquecer da minha presença, numa espécie de fiscalização amorosa, de gestos, de volúpia, de decotes insinuantes e respiração ritmada. Uma coreografia suave, mas perfeitamente visível e com destinatário definido: eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No final do expediente, cumpri o ritual de todos os dias com pressa. Guardei o que tinha que guardar com rapidez e sem chamar atenção. Aquela montueira de mulheres fixadas em mim estava me deixando nervoso. Queria que fosse uma ou duas, no máximo, três. Daria para administrar, chegar junto, esclarecer a situação. Mas, todas? Todas não. Comecei a bater em retirada e percebi que elas se juntaram e começaram a me seguir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cruzei a porta da frente e as conhecidas que desfilaram durante todo o dia na minha porta estavam do outro lado da rua, juntas, caladas. Eram moças entre 20 e 35 anos, muito diferentes entre si, sem afinidades, sem convivência, sem conhecimento da existência uma da outra até aquele momento, mas coesas na apatia e no olhar vidrado. Quando me viram começaram a andar em minha direção. Apertei o passo. Quase correndo, olhei para trás. Já estavam elas e as funcionárias do meu trabalho, juntas, formando a pequena multidão que em outros tempos seria um sonho, mas caminhavam naquela hora como em passos de pesadelo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Corri. Meu pequeno apartamento não era tão longe. Só umas sete quadras dali. Chegaria em poucos minutos de ônibus, mas nem pensei nessa hipótese. Fiquei com medo. Medo de mulher. Lembrei meu pai que certa vez me deu uma surra por eu chegar chorando em casa, reclamando que havia apanhado de uma menina. Homem não tem que ter medo de mulher. É, papai, sei que não. Sinto em decepcioná-lo mais uma vez. E já estava correndo a toda velocidade. Ninfas, naiádes, balzacas, operárias, estudantes, desquitadas, casadas, vinham em maratona atrás de mim, muito mais dispostas do que eu, muito objetivas em me alcançar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Das transversais saíram outras mulheres e se juntaram ao grupo. Todas já vistas por mim, integrantes de alguma lista de possibilidades de aproximação, de tentativas de algum tipo de relacionamento, fosse uma boa foda ou o matrimônio. Na carreira desembestada, comecei a compreender que, por alguma força inexplicável, aquele dia todas as moças, um dia tidas por mim como prováveis presas afetivo-sexuais, tinham captado aquele sinal e agora estavam em um transe alucinado para saciar a minha vontade, agora multiplicada em cinco mil vezes dentro delas mesmas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só podia ser isso. Cruzei o portão do meu pequeno prédio, subi correndo pela escada até o terceiro andar para entrar no meu apartamento. Com um palmo de língua para fora e já com as chaves nas mãos, avistei Ana Lúcia, transfigurada, bem na minha porta, como uma visagem. Descalça, cabelos desgrenhados, blusa desabotoada e sutiã à mostra, ela partiu para cima de mim e me jogou no chão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No corredor, tirou a roupa e começou um beijo furioso e uma tentativa de me deixar nu. Comecei a ouvir a gritaria das outras que já estavam na frente do prédio, exigindo meu coração, meu corpo e minha alma. Me desvencilhei de Ana, que a essa hora já estava como veio ao mundo. Pude contemplar por alguns segundos a beleza morena da minha vizinha e lamentar minha impossibilidade de atender aquele chamado milagroso. Entrei em casa. E tratei de arrastar a estante para porta, o sofá e tudo que havia por perto para fazer uma barricada. Lá fora, as porradas e as vozes daquele turbilhão de beldades ensandecidas. As pancadas ficavam cada vez mais fortes e eu mais apavorado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="239" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5547701590410458290" src="http://4.bp.blogspot.com/_2vuNUIcmZdY/TP1lNBhI9LI/AAAAAAAABPI/Anpq4QEGAF0/s400/lapiseira02.jpg" width="400" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certa hora, me dei por vencido. Dentro do meu cafofo, sempre tão carente de companhia, já imaginava o rompimento da porta e a invasão. Em pânico e exausto, me estiquei no chão a fim de esperar o ataque de amor daquelas moças todas que um dia eu quis de algum jeito. Já me via rasgado, dilacerado, meus lábios comidos, meus olhos vazados, meu pau arrancado à força, mordidas de toda espécie daquelas canibais e nada do rumor externo diminuir. Foi quando me dei conta, assustado, que Ana Lúcia estava naquele meio, louca de paixão... por mim. Muito estranho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase três horas depois, o barulho foi cessando. Cada vez menos gritos e murros na porta. Devem ter cansado, pensei, ainda deitado. Imaginei o corredor tomado por elas também estiradas ao chão, esperando recuperar as energias para me capturar. Desisti de tentar encontrar qualquer lógica naquele dia. Sem explicações. Foda-se. Dormi. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abri os olhos mais tarde com a certeza de que o sol nascera. Decidido a resgatar Ana Lúcia da massa formosa de mulheres e fugir para o mais longe possível. Não seria fácil, tirá-la de lá, não seria simples gerir aquele transe ou ainda enfrentar o companheiro com pinta de trabalhador da estiva. Não seria. Mas, não era justo comigo mesmo sair daquele avanço de feras vivo e sem um prêmio. A escolha estava feita. Todas queriam meu amor, mas só Ana seria contemplada. “Um pitéu, um pitéu”, lembrei do Alfredo, o porteiro, pronunciando o elogio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levantei, coloquei o ouvido na porta. Silêncio. Nem sinal do mulherio. Afastei as tralhas, torci a chave com o mínimo de ruído, abri uma fresta. Nada. Ninguém. O corredor vazio. Ainda com temor, olhei para fora. Nenhum vestígio do meu fã-clube tomado por psicopatia aguda. Fiquei sem entender. Fui até as escadas. Mais silêncio naquela manhã normal. Desci até o hall. Nada de diferente da rotina diária.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assustado, voltei. Tomei banho. Sentei à mesa. Tentei entender a noite passada. Nunca fui de beber, nunca usei nenhuma substância ilegal para me entorpecer. Como pode? Passei alguns minutos buscando respostas até que o estômago reclamou da fome. Decidi ir comprar o pão, afinal, a vida tinha voltado ao normal. Estremeci ao ver Ana Lúcia no elevador junto com o brutamontes, mas me juntei a eles para descer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No cubículo, ela me olhou. Séria. Sem mexer nenhum músculo da face, enquanto segurava a mão daquele homem que parecia um turco de luta livre. De repente, um esboço de sorriso e a malícia despontaram naquela cara linda de vizinha recém-casada. A porta se abriu. O marido pediu licença das profundezas de uma rouquidão matinal. Ela olhou para trás ainda sorrindo. Fiquei parado na frente do elevador, olhando o casal se afastar. Senti minha garganta fechar. Desisti de comprar o pão. Subi de volta, tranquei a porta. Sentei no chão da sala, encolhido. Não sairia mais de casa até o outro dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="" border="0" height="340" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5547701971492825026" src="http://4.bp.blogspot.com/_2vuNUIcmZdY/TP1ljNKQZ8I/AAAAAAAABPQ/QEVybstTb-Y/s400/lapiseira03.jpg" width="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b style="color: black;"&gt;Rabiscos: &lt;a href="http://www.quandoabaratavoa.blogspot.com/"&gt;Paulo Nazareno.&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-2263997725230875152?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/2263997725230875152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=2263997725230875152&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2263997725230875152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2263997725230875152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/12/das-mulheres-que-cobicei-parte-2.html' title='Das mulheres que cobicei - Parte 2.'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2vuNUIcmZdY/TP1lA1n0MNI/AAAAAAAABPA/O6XMGGTxIsM/s72-c/lapiseira01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-1532868983244263491</id><published>2010-11-30T03:28:00.015-03:00</published><updated>2010-11-30T19:02:53.226-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quentchura'/><title type='text'>A guerra e a cariocalização do crime em Belém</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não quero falar do Rio. Não aqui neste espaço. Já falei sobre o assunto em todos os lugares, com vários tipos de pessoas, em muitas ocasiões. Quase sempre ouço comentários sobre a quantidade impressionante de bandidos nos morros ou alguma comparação com o filme de José Padilha, o Tropa de Elite 2. Se a cada pitaco do tipo morresse um traficante, o Brasil viveria a maior crise de abstinência de cocaína da história da humanidade em menos de 24 horas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, o pior por aqui sobre o imbróglio carioca não é o mais do mesmo, mas a pose de paraenses que passaram por lá algumas vezes e discursam como se tivessem nascido e vivido no cenário de Manoel Carlos desde que a Família Real Portuguesa chegou pelas águas da Guanabara. A mais recente guerra brasileira é muito mais interessante para ser vista na TV do que tema para uma conversa corriqueira de mais de dez minutos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/foto/0,,11830535,00.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="285" src="http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/foto/0,,11830535,00.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Se for fazer a piada que "a guerra no Rio é o Tropa de Elite 2 em 3D", pode cair fora.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É entediante a ladainha sobre os últimos dias na terra da malandragem e do samba, pelo menos, aqui entre os belenenses, que por muitos anos enxergaram o Rio de Janeiro como o oásis mais palpável para fugir do reflexo do espelho revelador de suas próprias caras de índia velha. É por demais enfadonho o papo sobre o Rio dos que um dia vislumbravam a antiga Capital Federal como refúgio de semelhanças óbvias de clima com Belém, mas com a vantagem de ter praias de mar pertinho e gente muito mais civilizada, no pior sentido que a expressão civilizada pode ter.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fugindo dessa lengalenga como traficante foge dos blindados da Marinha, preferi falar do nosso lento, gradual e muito eficiente processo de cariocalização do crime em Belém. Contraditoriamente, esqueço da porrada atual do Rio para colocá-lo como pano de fundo do aprofundamento da nossa violência, cada dia mais presente e mais espetacularmente assustadora. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como as coisas por aqui sempre chegam com certo atraso – isso quando chegam -, nossa metamorfose em cenário criminoso carioca só vai se concretizar quando todos os moradores da Cidade das Mangueiras, sem exceção, quiserem ser paulistanos. De certa forma, já estamos perto da paulistinização, algo em torno de uns “79% concluídos...”, usando a linguagem direta dos downloads. Perceba ao seu redor que muitos habitantes de Belém já adotam o ar blasé, as roupas mais pesadas de frio e a vão aos shows em São Paulo como se fossem tomar um tacacá na barraquinha mais próxima. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto você sai de casa com seu poodle no colo para caminhar menos de um quilômetro em protesto pelo amigo morto, pelo tio feito de refém no último seqüestro relâmpago ou pela prima da amiga do seu namorado baleado de raspão, uma transformação sem precedentes vem ocorrendo nas áreas de periferia da cidade. Você andou com seu cachorrinho, levantou o cartaz de Justiça, voltou para casa e foi xingar no Twitter, mas não viu que nos bairros mais pobres, onde seu protesto não chega nunca, cresce a cada dia em progressão geométrica um exército de criminosos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.diariodopara.com.br/imagensdb/1007332707p4assalto_com_refem_na_br_316_ms_28.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://www.diariodopara.com.br/imagensdb/1007332707p4assalto_com_refem_na_br_316_ms_28.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Belém, em um dia qualquer, fazendo cosplay do Rio. (Foto: Marco Santos)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A maioria dos soldados do crime, os mesmos que já levaram seu celular, é de garotos entre 16 e 29 anos, negros, magrelos, com a arcada dentária em péssimas condições e sem perspectivas de emprego formal por conta da baixa ou nenhuma escolaridade. Ah, um detalhe a nosso favor: eles ainda estão muito mal armados, gozando apenas da evolução do canivete e da peixeira, armas de sucesso até a década de 1990, para os calibres 38 ou, no máximo, pistolas, moda mais atual na mão dessas crianças. Embora sem as condições necessárias para o domínio total, a nossa marginália vem deixando claro seu recado e a ânsia por tomar os espaços sempre negados a ela por todos, inclusive por você que adora poodles, no entanto, fala com naturalidade que pobre tem que morrer para deixar de enfear o mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Belém não tem morros, mas tem problemas graves de infraestrutura urbana que criam um emaranhado de vielas e becos, em muitíssimos casos, tão intransponíveis quanto as favelas cariocas. São nesses ninhos de miséria que os jovens mais pobres estão sendo recrutados para vender, principalmente, cocaína e crack, como tenho observado nas andanças pelas delegacias - raramente, há apreensão de maconha, droga mais comum antigamente nos Boletins de ocorrências da Polícia Civil. É nessa dificuldade de acesso, nessa barreira física para garantir direitos mínimos, como saneamento, educação, habitação, saúde e, claro, segurança que o tráfico vem deitando e rolando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é à toa que bairros como Guamá, Jurunas, Terra Firme, Cremação, Cabanagem, Guanabara, o distrito de Icoaraci e toda a periferia das cidades de Ananindeua, Marituba, Benevides e até Santa Bárbara registram muitas prisões por tráfico de drogas. Há nesses locais a receita perfeita para grassar o mal que colocou o Rio como atração principal nos últimos dias: miséria como herança paterna condições péssimas de moradia e, sobretudo, a percepção de que o crime é a alternativa mais à mão para escapar da fome e da falta de direitos mínimos, quando não a única alternativa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro, que o traficantezinho ou a traficantezinha (cada vez mais comum a presença de mulheres nesse tipo de crime) são a ponta de um esquema milionário, o qual tem Belém como entreposto comercial de grandes quantidades de droga cujo mercado consumidor principal não está aqui, mas mais abaixo no mapa do Brasil, principalmente, nos Estados do Sul Maravilha. Se puxar o fio do novelo, mostrado com as petecas e pedras apreendidas nas delegacias, vamos chegar a grandes e ilustres representantes do empresariado, da política, do poder judiciário, da polícia e outros tantos tubarões que usam a frouxura do Estado para se beneficiar e construir suas fortunas de forma delituosa, repetindo o modelo bem sucedido, o qual a grande vitrine está na cidade abençoada pelo Cristo de braços abertos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://static.blogo.it/viajandaun/postal.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="245" src="http://static.blogo.it/viajandaun/postal.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Vantagem de morar no Rio, mesmo em tempos de guerra: as cariocas.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que se sabe do poder dos grandes chefões do tráfico no Rio espanta a todos primeiro pelo nível de crueldade como as coisas são resolvidas, depois pela eficiência de como as regras deles são obedecidas e a punições ordenadas são asseguradas quase como uma sentença divina. Quem pensa que Belém está longe desse padrão, engana-se. Aqui, em determinados bairros, já existem homens com voz de comando para permitir nos seus feudos só o que não for atrapalhar seus negócios ou não prejudicar os seus chegados. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os que desobedecem sofrem as conseqüências que vão desde uma expulsão da comunidade, passando por surras corretivas e torturas e chegando ao extremo da visita do “Motoqueiro Fantasma”, como são chamados os matadores de aluguel que, a bordo de motos e com pistolas nas mãos, calam para sempre quem viola a lei do crime. Observe que, não por coincidência, a maioria absoluta de assassinatos registrados pela imprensa na Grande Belém vem com o rótulo de “acerto de contas”, casos em que a vítima paga com a vida as dívidas do tráfico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como no Rio, nossos rapazes também querem ostentar a grana ganhada com malemolência, competência nos negócios, coragem e chumbo. Eles estão por aí comendo bem, ouvindo seus pagodes e tecnobregas, nas festas de aparelhagens, promovendo farras homéricas, consumindo roupas novas com etiquetas de marcas famosas, pintando os cabelos para chamar a atenção e identificá-los como os tais e conquistando as meninas mais bonitas do pedaço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, meu parceiro, enquanto você está no seu bar ouvindo bandas com o mesmo repertório há 15 anos e comprando long neeck de R$ 6, a galera do pó também está curtindo todas, se divertindo bem mais do que você, com muito amor no coração. E melhor, conseguindo façanha que você vai sequer chegar perto no seu meio social: virar exemplo! São eles os heróis para a molecada sem eira nem beira, que olha vidrada para a movimentação eufórica de ascensão e dinheiro “fácil”. A imagem é sedutora para quem não tem nada a perder e, por isso mesmo, tudo a ganhar e está muito a fim de repetir a saga do pobre humilhado na infância que venceu de ferro na mão a vida e se tornou o descolado com grana para bancar o que quiser até que a morte o impeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.portalorm.com.br/recursos/BancoImagens/%7BB31E777A-6049-4B38-9450-5BEF68B5AB40%7D_amazonia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://www.portalorm.com.br/recursos/BancoImagens/%7BB31E777A-6049-4B38-9450-5BEF68B5AB40%7D_amazonia.jpg" width="311" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Violência na capital paraense: capas do Amazônia Jornal são sempre as melhores. &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora é hora de dizer "conta uma novidade". Claro que isso tudo você sabia de alguma forma. E sabe mais ainda que pouco ou o insuficiente tem sido feito para barrar essa cariocalização do crime na periferia belenense. Quando aqueles que chamamos marginais perceberem com toda clareza o seu potencial ofensivo e o quanto podem impor suas regras para suprimir as nossas, os ditos “cidadãos de bem”, chegaremos ao patamar do Rio, com a infelicidade maior de não termos aquela mistura linda de praia, montanha e cidade para ser avacalhada pelos burucutus, tanques e policiais vestidos com uniformes cada vez mais estranhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para glória de vocês, as coisas em Belém têm um nível de organização tão baixo, tão chinfrim, tão rebi-rebi, que nem o crime pode ser chamado de organizado ou, para os mais atentos, não se apresenta como tal. Claro que essa conjuntura pode mudar, uma vez que em termos de mazelas sociais nosso avanço é sempre mais veloz. Portanto, aconselho você, quando for protestar com seu animalzinho de estimação nos braços, parar em frente da Basílica durante o percurso e pedir à Nossa Senhora de Nazaré que surja o mais rápido possível um Coronel Nascimento por estas paragens. Não tenho muita convicção, mas suspeito que logo, logo vamos precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Consumo &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TPT8zja1FaI/AAAAAAAABMY/WB12WRDm4T0/s1600/1280338116_107261245_2-Aspirador-de-Po-Portatil-a-bateria-36-Volts-Black-Decker-NV3600-BR-Curitiba-1280338116.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="260" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TPT8zja1FaI/AAAAAAAABMY/WB12WRDm4T0/s320/1280338116_107261245_2-Aspirador-de-Po-Portatil-a-bateria-36-Volts-Black-Decker-NV3600-BR-Curitiba-1280338116.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Popularização dos aspiradores de pó: eles estão por toda parte.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não podemos esquecer que, se a comercialização de drogas em Belém se aproxima da maneira profissional levada no Rio, outra faceta desse mercado tem imitado a cena carioca: o consumo. Nas periferias, a venda de cocaína, principalmente, aumenta entre todos as subdivisões das classes C. O vício desenfreado ou o “tiro de leve” não é prática apenas do bandido que usa o pó para ganhar mais coragem na hora de partir para o ataque. Agora se servem dos “paraísos artificiais” também o pobre acima de qualquer suspeita, que usa para se divertir, se soltar nas festas de fins de semana na rua ou em casa ou simplesmente para relaxar. A expansão do consumo faz cair por terra o estereótipo do “maconheiro” ou “cheirador”, perseguidos pela policia e alvo de humilhações diárias por serem usuários. Eles ainda existem, mas a eles novas formas de consumo se agregaram nesses novos tempos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na classe B e A, nem precisa dizer o que aconteceu. A descriminalização do uso deu mais poder aos garotinhos juvenis para mandar literalmente nos seus narizes. Com a oferta maior, dinheiro na mão e pais propositadamente relapsos, o consumo entre o mercado jovem classemedista explodiu. É só ir dar uma olhada mais atenta nas noites belenenses e perceber que os banheiros de bares são agora cabines para o “banho de cheiro”, não com as ervas aromáticas do Ver-O-Peso, evidente. E nessa selva de compradores do ilícito também tem de tudo, impedindo assim as velhas rotulações de quem usa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seja de qual classe social, faixa etária, ramo profissional, principalmente, a cocaína tem sido um sucesso de vendas. E, claro, que essa multidão de usuários tem culpa no cartório quando se fala em aumento da criminalidade, justamente, porque mantém esse mercado criminoso aquecido. Claro que os mais “progressistas” se defendem desse “clichê” com outro clichê, o da descriminalização da maconha, tentando comparar a experiência em alguns países europeus com a caótica e totalmente distinta realidade brasileira. Enquanto a legislação continua a mesma, vou continuar incluindo entre as causas do crescimento do tráfico, o aprofundamento das suas conseqüências e a democratização dessa chaga social, cariocalizada ou não, na sua conta, você mesmo aí que usa essas merdas irresponsavelmente para fugir ou dar alguma graça no seu mundinho, igualmente, de merda. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-1532868983244263491?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/1532868983244263491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=1532868983244263491&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/1532868983244263491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/1532868983244263491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/11/guerra-e-cariocalizacao-do-crime-em.html' title='A guerra e a cariocalização do crime em Belém'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TPT8zja1FaI/AAAAAAAABMY/WB12WRDm4T0/s72-c/1280338116_107261245_2-Aspirador-de-Po-Portatil-a-bateria-36-Volts-Black-Decker-NV3600-BR-Curitiba-1280338116.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-2331147057188084240</id><published>2010-11-27T18:08:00.000-03:00</published><updated>2010-11-27T18:08:50.839-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Celebridades'/><title type='text'>José Maria, o Chaves do Amendoim</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como nascem os ícones? Geralmente, nascem do reconhecimento em um pequeno grupo, depois esse apreço se espalha, traduz-se em várias histórias até criar uma aura visível a olho nu, envolvendo uma série de feitos, elevando o sujeito à categoria de mito e mais tarde lenda. Nasce assim um ícone. Foi assim com nosso personagem retrato nesta vez na sessão “Celebridades”. Há 41 anos, desde os 12 dos seus 53 anos de idade, José Maria começou uma empreitada simples para sobreviver e hoje encarna um estranho, simpático e icônico personagem das noites de Belém: o Chaves do Amendoim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas mãos um balde de alumínio especialmente preparado com um microforno para manter o produto torrado e aquecido, José Maria sai da Estrada do 40 Horas, no bairro do Curuçambá, em Ananindeua, nos fins de semana para perambular por Belém, sobretudo, a Belém clássica que vai de São Brás a Terra Firme. De bar em bar, Chaves é figura reconhecida de longe com o bordão criado desde 1996 para chamar atenção dos fregueses: “olha o amendoim uim, uim, uim, uim, uim, uim...”.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TPFw_NIWPTI/AAAAAAAABMU/nP_fpY9QudQ/s1600/amendoim.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TPFw_NIWPTI/AAAAAAAABMU/nP_fpY9QudQ/s320/amendoim.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;José Maria, o Chaves do Amendoim.&lt;/td&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num papo de bar, na Cidade Velha, encontrei Zé Maria mais uma vez caracterizado com o a velha roupa de guerra para simular o personagem mais famoso do mexicano Roberto Gomes Bolaños: bota cano médio, calça no meio das canelas, camisa listrada e um boné do exército cobrindo as orelhas, uma tentativa de se aproximar do gorro usado pelo menino-velho do número 8 da vila de casas do senhor Zenon Barriga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos mais de 40 anos de profissão, Zé viu nascer, perder o brilho e morrer casas de shows e bares lendários de Belém, como “Olê, Olá”, “Gemini”, “Palácio dos Bares” e tantos outros. Testemunhou também o aumento da violência na noite da cidade, embora por sorte tenha apenas sofrido dois assaltos: um, em 1981, no afamado Beco do Relógio do bairro do Jurunas, e outro neste ano para as bandas do bairro do Guamá. “Mas, geralmente, o pessoal me respeita. Não mexe comigo”, garante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom de papo e tino para o marketing pessoal, o Chaves do Amedoim diz que quer uma vida melhor para os dois filhos pequenos que tem, um de nove e outro de 12. “Quero que eles estudem. Essa vida de vendedor é muito sacrificante. A gente anda muito, vira andarilho”, conta. E por andar tanto a missão de vender o petisco torradinho por aí extrapolou os limites de Belém e hoje é quase obrigação de Zé estar onde há os grandes públicos, como no ultimo festival do Carimbó, em Marapanim, e julho e réveillon em Algodoal, a praia oficial dos alternativos e apreciadores de reggae no Pará.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aliás, Zé conta que foi lá que ganhou de um coronel o boné singular que rendeu o apelido de Chaves. “Ainda tenho guardado em casa. Está velhinho, todo desbotado. Já tem dez anos isso. Ele me deu o boné e eu comecei a usar na praia. Não demoraram dizer que eu era igual o Chaves”, detalha o vendedor. Logo ele percebeu o apelo comercial e incorporou a fantasia no dia a dia: comprou uma bota, uma calça e uma camisa listrada parecida com a usada pelo personagem de TV e começou a vender mais. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://offnews.zip.net/images/Amendoim.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://offnews.zip.net/images/Amendoim.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessa época, Zé Maria já tinha outra marca registrada: o bordão engraçado e sonoro, imitado por bêbados e engraçadinhos de plantão pelas noites belenense. A história começou em 1996, no primeiro “Parafolia”, micareta realizada na época em Mosqueiro. Ele se deslocou com 40 quilos de amendoim para “bamburrar” no carnaval fora de época, naquele julho agitado. Conseguiu se credenciar para vender nas arquibancadas inclusive, o que aumentou as esperanças de tirar um bom trocado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, logo percebeu que seria bem difícil. Zanzando entre os micareteiross, ainda sem sua roupa de Chaves – que só viria anos depois -, Zé foi até esculachado. “Lembro que um cara, lá, dizia: sai daí, caralho. Sai da frente. Ele queria ver o show e eu oferecia baixinho o amendoim para não atrapalhar”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desiludido com o primeiro dia, Zé Maria catou os únicos quatro reais que tinha no bolso e teve uma grande idéia: beber! Era a única coisa que ele podia fazer diante das más perspectivas de vendas. “Pedi para um cara guardar o meu balde com amendoim e pedi uma latinha. Era um real a cerveja na época. Tomei as quatro. Quando já estava bacana, comecei: “olhaaaaaa o amendoim uim, uim, uim, uim, uim, uim, uim, uim...”. As pessoas começaram a achar engraçado, começaram a me chamar para comprar. Até o cara que me esculhambou ficou meu amigo. Naquela noite, eu vendi quatro baldes. No outros dias eu voltei e consegui vender tudo que eu levei. Foi aí que começou a bombar”, disse Zé. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem sucedido no que lhe sustenta e mantém sua família, hoje Zé Maria dá até conselhos para quem está começando na função: “tem que ser comunicativo e andar muito. Não dá para ficar sentado, porque assim não vende nada”. Zé de vendedor se tornou figura fácil nas noites belenenses, tratado sempre bem por quem o conhece nem que seja de vista. Não raro posa para fotos e deve ser um dos personagens que mais povoam os álbuns de usuários de Orkut, em Belém. &lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i1.r7.com/data/files/2C92/94A4/2C3B/55E6/012C/468A/4FD7/78C0/chaves-poster.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="214" src="http://i1.r7.com/data/files/2C92/94A4/2C3B/55E6/012C/468A/4FD7/78C0/chaves-poster.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Chaves do 8.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dispensando uma boa meia hora do seu suado tempo, Zé Maria se despede da minha mesa com a cordialidade de quem sabe seu lugar no mundo e se reconhece como um vitorioso, podendo olhar de igual para igual para seus clientes. Segue seu trabalho honesto e recompensador muito pela fama conquistada ao longo de quatro décadas. Pela simpatia ou por remeter a uma imagem querida da infância dos fregueses, o Chaves do Amedoim já está no imaginário daqueles que aproveitam as noites de Belém no sagrado exercício de contemplação e relaxamento nos bares da cidade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-2331147057188084240?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/2331147057188084240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=2331147057188084240&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2331147057188084240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2331147057188084240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/11/jose-maria-o-chaves-do-amendoim.html' title='José Maria, o Chaves do Amendoim'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TPFw_NIWPTI/AAAAAAAABMU/nP_fpY9QudQ/s72-c/amendoim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-2520579570635814066</id><published>2010-11-09T14:27:00.000-03:00</published><updated>2010-11-09T14:27:08.036-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cachaça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>O rasga-bíblia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem sempre foi assim, mas Valdemir agora era um sujeito exemplar. Trabalhava de sol a sol no pequeno sítio da igreja evangélica, a qual se dedicava desde que resolveu tomar rumo na vida. Não descuidava mais da aparência, tratava bem os filhos e apaziguava com sabedoria qualquer entrevero entre os rebentos, cuja idade e alguns maus passos geraram bonitos netos. Era um homem de bem, no final das contas, aquele zelador franzino, pescoço enfiado nos ombros e usuário do mesmo surrado terno cinza dos cultos dominicais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fazia tempo que Valdemir escolhera o caminho do bem. Na rua, era respeitado e não mais visto como um vagabundo. Nos domingos, fechado em seu uniforme redentor, enfeitado com uma berrante gravata lilás, bíblia debaixo do braço, ele saia para as sessões de oração na igrejinha, logo ali, cinco quadras de sua casa. Antes de chegar ao culto da manhã, cumprimentava a todos com um sorriso no rosto e a expressão que só os homens honestos têm antes das sete da manhã. Quando voltava do culto da noite, lá pelas nove horas, suado e envaidecido da comunicação direta com Deus, o zelador parecia ainda mais radiante.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TNmABvTYtKI/AAAAAAAABMI/ygl4y3aHRIg/s1600/cinza.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="168" src="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TNmABvTYtKI/AAAAAAAABMI/ygl4y3aHRIg/s400/cinza.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, como ninguém é perfeito nosso heroi era dado a recaídas. Quando ainda não havia entregue a alma a Jesus, era um boêmio e arruaceiro inveterado. De estatura pequena, Valdemir ao menor contato com a birita se transformava: brigava e vencia grandalhões, abusava da falação para cima das mulheres casadas, avançava e muito o sinal com as solteiras, cantava alto pela rua, arrumava confusão. De dentro da garrafa de cachaça, surgia o outro gênio do zelador boa praça, uma faceta adorada pelos parceiros de copo, reprovada pela vizinhança e odiada pela família.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi com o jeito tresloucado que Valdemir chamou atenção de Irene há mais de 30 anos. Moça recatada, vinda do interior, ela percebeu que o rapaz precisava de ajuda para aplacar os acessos de rebeldia e fúria que lhe tomavam o corpo como se estivesse possuído por Satanás. Partia dela a ideia de convidá-lo para frequentar um dos cultos da Igreja da Alegria Misericordiosa de Todos Nós, na Divina Providência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém acreditou quando o endiabrado Valdemir começou a transitar aos domingos com o terno cinza e o livro sagrado embaixo do braço, acompanhado daquela bonita morena de família. Claro que os motivos dele estavam longe da religião, mas o amor acabou o atraindo para aquele rebanho de orações e benfazejos. Na mesma igreja, os dois casaram em cerimônia evangélica, consagrando a nova fase daquele vidaloka, agora aposentado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Três décadas depois, Valdemir ainda era um cordeiro. No entanto, ainda dava pequenos escorregões. De quando em vez, voltava do trabalho e sentava com os amigos para prosear. Nessas partidas animadas, foram poucas vezes em que algum dos antigos parceiros ressuscitava o velho hábito da pinga. Agora quem disse que carecia de muitas vezes para acordar o velho demônio dentro daquele sujeito vagabundo aposentado?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando acontecia, era hora de virar novamente cavalo-do-cão e tocar o terror. Voltava o antigo Dedeco, como era chamado Valdemir nos tempos da esbórnia. Mesmo enxerimento, mesmo exagero, mesma cara de pau, com a diferença apenas do peso do tempo naquele corpinho magro e estreito. O pior era o comportamento em casa, quando voltava das recidivas. Sofria dona Irene com o marido, incorporado de sátiro, exigindo o que ela, fazia muitos anos, não tinha o menor interesse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vem cá, minha velha. Vem cá com essas carnes toda, que eu gosto tanto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falava com a cara transformada e se curvava sobre o dorso imenso de Irene que do casamento para cá ganhara seus mais de 50 quilos, fazendo a diferença física entre eles parecer maior: Valdemir um rato esmirrado e ela uma leitoa alta e grisalha na fase atual. Embora fossem poucas vezes, as investidas do zelador contra a mulher a deixavam constrangida e, principalmente, entediada. Quando enxergava longe, o magrinho sentado com os comparsas já sabia que teria que lutar e - sem exigir muita força - colocá-lo em seu lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TNmA2BcvzZI/AAAAAAAABMM/5vOS8lgqzDo/s1600/pig.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="118" src="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TNmA2BcvzZI/AAAAAAAABMM/5vOS8lgqzDo/s320/pig.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquele sábado úmido de setembro, ela olhou pela janela e viu o marido rindo alto, brindando e incomodando as adolescentes que passavam perto da venda de seu Ponçadilha, o ponto de encontro dos velhos parceiros de farra. A evangélica abandonou aquela imagem já enfezada e entrou no quarto para colocar sua calça jeans, a única roupa de guerra que tinha para enfrentar aquele octópode bêbado cheio de mãos para cima dela nos dias pós- bar. Em cima da mesa da cozinha, também posou suave a arma secreta que acabaria de vez com o assanhamento etílico de Valdemir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hora e meia mais tarde, ele entrou em casa trançando as pernas, meio sorriso, farol baixo. Os netos ainda estavam acordados na hora em que Valdemir viu a redonda Irene. A boca salivou e o fauno bíblico sentiu a ardência típica no baixo ventre e o sangue circulando rápido nas artérias, espalhando ainda mais o álcool pela sua magreza de tísico.  Levantou os braços como sonâmbulo e partiu maroto em direção da esposa, que o esperava em guarda, perto da pia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na primeira tentativa dele, Irene rodopiou para esquerda, fazendo um bonito passo de esquiva, lembrando uma bailarina tamanho extra grande. Sem desistir, Dedeco partiu com mais afinco ao seu exercício sensual. Os dois já estavam girando pela mesa da cozinha, no instante que ela perdeu a paciência e tomou nas mãos o porrete. Era tudo o que o marido queria se o objeto em questão não fosse um pedaço de pau guardado para aplicar o corretivo que aquele menino velho precisava há algum tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A bruta partiu para cima do pobre coitado já prolongando a voz de xingamentos até atingir os primeiros ouvidos mais atentos da vizinhança. A primeira pancada atingiu o antebraço direito, quase sempre a primeira parte a se lesionar nos destros que buscam a defesa. Dedeco deixou o corpo condenado ao espancamento e, em segundos, o alvo da surra já era o apavorado Valdemir. Sem demora, ele começou uma fuga que foi em parte impedida pelo acesso de pânico diante daquela gigante ferida na honra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TNmEKo7sAmI/AAAAAAAABMQ/V4RKdevR_J8/s1600/copos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="107" src="http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TNmEKo7sAmI/AAAAAAAABMQ/V4RKdevR_J8/s400/copos.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Irene segurou o marido pelos cabelos quando ele já estava na soleira da porta de entrada da casa e aplicou os golpes metodicamente já na rua, sem alterar a expressão, exceto dos olhos que cuspiam fogo. Como um moleque, Valdemir tomou primeiro as porradas na frente dos vizinhos mais próximos. Mas, como aquele espetáculo se prolongou, surgiram os mais curiosos de outras ruas e mais tarde a notícia já tinha tirado cada filho de Deus de dentro das suas casas em um raio de cinco quilômetros. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É o seu Valdemir que está apanhado da mulher.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquela afirmação se repetiu com centenas de variações mesmo quando o pobre marido já estava no chuveiro há meia hora, deixando a água lamber os machucados e provocar ardumes que não estavam no roteiro daquela noite. Vieram as galhofas estimuladas pela voz de Irene, a esmo contando os detalhes de sua raiva durante a peia. A fúria sexual do magrinho barrado pela aquela fortaleza moral das redondezas virou piada por longos e longos meses, sendo relembrada por alguns moradores mesmo anos depois que o casal já havia partido dessa para melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chorando fininho no banheiro, Valdemir/Dedeco lamentava o maldito primeiro gole e não desconfiava que seu nome ecoaria na eternidade por causa daquela pisa. Molhado e triste, ele só pensava em um único dilema depois de tudo: “como é que vou pro culto amanhã de manhã?”. Nas primeiras luzes do domingo, o galo já rouco de cantar, todo mundo ficou esperando a passagem do protagonista da melhor cena do bairro nas últimas semanas.  Dentro de casa, olhando a bíblia e o roto terno cinza jogado em um canto, nosso herói decidiu: não vou. E não foi.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-2520579570635814066?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/2520579570635814066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=2520579570635814066&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2520579570635814066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2520579570635814066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/11/o-rasga-biblia.html' title='O rasga-bíblia'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TNmABvTYtKI/AAAAAAAABMI/ygl4y3aHRIg/s72-c/cinza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-988806439274601329</id><published>2010-11-05T00:40:00.006-03:00</published><updated>2010-11-06T21:20:47.924-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paixões instantâneas'/><title type='text'>A irmã</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começar o dia com um presunto, não é para qualquer um. Exige certo desprendimento emocional, uma dose de sangue frio e um bom estômago. Todo esse equipamento estava contido na minha carcaça detonada por mais de 30 anos de descuidos e pouca fé. Mas, aquele não era apenas mais um dia de contar corpos na rua e relatar nas folhas impressas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TNN7ZKYTfZI/AAAAAAAABL8/ES3gTWgCVJE/s1600/capot.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TNN7ZKYTfZI/AAAAAAAABL8/ES3gTWgCVJE/s200/capot.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Foi impressionante. Ainda tentava visualizar o carro batendo no meio fio, atingindo a árvore, girando três vezes no ar, passando por cima da cabeça de um ciclista - sem atingi-lo – e pousando desengonçadamente no chão para cuspir o pobre marceneiro pelo espaço do vidro de trás. A imagem do cadáver embrulhado em papel branco feito um enorme pão ensopado de sangue ainda estava na minha cabeça enquanto saíamos daquela pauta e rumávamos para fazer o desjejum na casa da mãe do fotógrafo e colega de trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria um café da manhã diferente da tradicional parada nas barracas de tapioquinha, freqüentadas nos plantões dominicais e cruéis de sete da manhã. Longe da cena de horror, nos esperava um lauto resto de aniversário infantil, da festinha em homenagem a uma pequena índia, vinda do Oiapoque, adotada pela família do amigo retratista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegamos e fomos muito bem recebidos pela mãe dele. Muito simpática, a cinquentona ofereceu aquele delicioso menu que remetia a memórias antigas de uma infância já distante, quase esquecida, sobretudo, naquele  improvável horário. Não era lá muito saudável se empanturrar nos primeiros minutos das oito horas da manhã, mas minha boa e velha mania de não recusar comida e meu apetite de cachorro vadio não desperdiçaram a oportunidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TNN7llMaQxI/AAAAAAAABMA/LgbnAqof6oc/s1600/misterpraque.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TNN7llMaQxI/AAAAAAAABMA/LgbnAqof6oc/s200/misterpraque.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Foi entre uma colherada e outra que ela surgiu como uma aparição. Como se o instinto me ordenasse, da cadeira em que estava, olhei para direita evitando encará-la, como sempre fazem os que já foram tímidos. Não deu para disfarçar o estremecimento de enxergar aquela brancura tão bonita passeando dentro de casa tão à vontade, de shorts e camiseta de dormir, sem maquiagem, cabelos de despertar. E não pude deixar de pensar em como mulheres como ela se esmeram para ficarem mais bonitas ainda, perdendo horas na fantástica e delicada arte embelezar o que por si só se fez bonito numa conjunção de coincidências biológicas e ambientais impressionantes. Era a irmã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fixei o olhar no centro de gravidade daquela graça perfeita em movimento e os segundos foram poucos para captar tudo que eu queria. Naquela cozinha, onde estive perdido por instantes sentado à mesa, condenado pela geladeira e o fogão, ambos enciumados pelo meu abuso. Na curta passagem dela, prendi os olhos nas coxas, volumosas coxas, de bailado em slow motion e textura delicada. Ela percebeu o estranho em casa e enfim cruzamos os olhos. Sorri. Ela esboçou algo parecido com um sorriso e se foi, sumindo no outro no cômodo da sala.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terminei a refeição mais rápido que pude com o coração aos solavancos. Convidei meu parceiro para ir embora, me despedi de todos. E já de saída, ela surgiu de novo com a indizinha aniversariante no colo, com a silhueta recortada pela moldura da porta e o sol beirando nove horas. Olhei e sorri. Toquei seu cotovelo direito, sem nenhum jeito, mas levemente, e disse adeus pronunciando o nome da moça, já sabido há tempos, num grunhido de homem das cavernas. A criança se encolheu, talvez por medo, talvez por hábito. Minha paixão instantânea virou as costas e sumiu dentro da casa. Ainda olhei para trás para ver sua natureza linda de fêmea, mas era tarde. A irmã do fotógrafo permaneceu estacionada na minha memória por todo aquele domingo iniciado com tragédia e salvo por ela, uma desconhecida. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-988806439274601329?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/988806439274601329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=988806439274601329&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/988806439274601329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/988806439274601329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/11/irma.html' title='A irmã'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TNN7ZKYTfZI/AAAAAAAABL8/ES3gTWgCVJE/s72-c/capot.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-7466647209122889548</id><published>2010-11-03T15:50:00.001-03:00</published><updated>2010-11-04T01:28:36.465-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Listas'/><title type='text'>Cinco passos da popularidade de Lula</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faltam menos de dois meses para Lula deixar o governo. O ex-sapo-barbudo deixa a Presidência com uma popularidade nunca vista na história deste País, a sucessora Dilma eleita e tucanos furibundos de tanto ódio no coração. Luiz Inácio é um fenômeno histórico-político-pop sem igual. Perdedor de três eleições, o cara - já dizia Obama - reconheceu as quedas, levantou poeira e deu a volta por cima, alcançou feitos que o príncipe e sua sombra preferida, FHC, passou longe de conseguir: foi indicado ao Nobel da Paz, venceu eleições sem ajuda da Globo e da Veja e ainda tirou barato. Não sabemos ainda o que este rapaz de 65 anos deve fazer depois de abandonar a principal cadeira da República, mas ele deixou lições preciosas de como passar oito anos no poder e ainda assim sair amado por mais de 80% dos brasileiros, como indicam as pesquisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para ajudar serristas e outros interessados em políticas, que sonham um dia ascender aos cargos eletivos de destaque, vamos dar a receita Lula de popularidade. Qualquer um pode seguir, não tem contra-indicação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;1 -Sobreviva à miséria.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.fipresci.org/world_cinema/south/images/brazil_vidas_secas_4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="216" src="http://www.fipresci.org/world_cinema/south/images/brazil_vidas_secas_4.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo mundo sabe a história, contada inclusive em&lt;a href="http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/01/lula-e-o-misterio-da-linguinha-presa.html"&gt; filme.&lt;/a&gt; Lula nasceu em Pernambuco, em uma Garanhuns rural, em 1945, enterrado até as orelhas na miséria. Graças a dona Lindu, a mamãe do Lulinha, o menino conseguiu superar e sair vivo desta história tipicamente brasileira. Se você não é sobrevivente da pobreza extrema, já tem poucas chances de chegar ao nível Lula de popularidade. Dica: mate-se e reencarne onde ainda graça a falta de dinheiro, o subdesenvolvimento, a fome, a estupidez, a compreensão, tipo a música do Renato Russo, sacas? &lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="color: #660000;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;2 - Perca um dedo.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://helektron.com/wp-content/uploads/2009/04/dedo-cortado.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="239" src="http://helektron.com/wp-content/uploads/2009/04/dedo-cortado.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;A perda do mindinho fez toda a diferença para Lula. Criou nele uma identidade única. Eu, particularmente, desconheço outro líder político mutilado com tamanha popularidade. Como o presidente era torneiro mecânico, foi meio fácil deixar as falanginhas seguirem em carreira solo. O acidente no torno ajudou, no final, das contas o operário agora mito. Caso você não seja serralheiro, açougueiro ou qualquer profissões de risco digital, recorra a boa e velha faca cega de cozinha. Tenha coragem e decepe qualquer um dos dez amiguinhos que tem nas mãos. Seja original, poupe o mindinho. Seja inteligente, preserve o polegar. Indicamos os anelares para quem quer continuar solteiro, os indicadores para caguetas e os dedos médios para os que tem o mau hábito de mandar cotoco. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #660000;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;3 - Invente uma nova classe social.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://meupensar.files.wordpress.com/2010/05/steve-jobs-ipad-apple-7b2d.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="248" src="http://meupensar.files.wordpress.com/2010/05/steve-jobs-ipad-apple-7b2d.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É, meu amigo, você chegou ao poder. Agora se vire para fazer história. Não é fácil, claro. Mas dê seu jeito. Lula conseguiu, você também pode. O cara tirou 25 milhões da miséria, criou 8,4 milhões de empregos formais e fez surgir um troço até então nunca visto na pirâmide social brasileira: a nova classe média. O sujeito está emprego, com certo dinheiro no bolso, crédito na praça e vontade de consumir. E consumir como não consome a velha classe média, interessada mais em ser do que ter. O novo classemedista quer ter. Ter iphone, ipad, iped, ipid, ipod, itudo. Então, amigão encontre uma fórmula de inventar uma nova camada social. A equação é: Emprego + Renda - Inflação + Crédito x Consumo² = Nova classe média. Não é bom de matemática? Azar o seu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="color: #660000;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;4 - Seja espirituoso!&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://malucoporjesus.files.wordpress.com/2010/01/jesus-legal.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://malucoporjesus.files.wordpress.com/2010/01/jesus-legal.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Acabou, meu amigo, acabou aquela história do político arrumadinho com discurso pronto e polido. A era Lula inaugura um novo modelo, nem tão novo assim: o político de frases de efeito, espirituoso, que chama atenção pela descontração e a boquirrotice. Enquanto uns falam de alíquota, câmbio, estabilidade, Lula chega de dois pés no peito da empulhação e fala de comida na mesa, preço baixo, cachaça e futebol. No maior estilo populacho, Luiz Inácio faz parecer que governar o Brasil é fácil, dando a impressão de que tudo pode ser resolvido num bate papo de mesa de bar com os brothers. Esqueça o terno e a gravata, as aulas de marketing pessoal, os livros de auto-ajuda. Na forma lulista, mais vale uma colarinho aberto, franqueza e boas piadas na hora de conversar com o eleitorado. Dica: visite feiras e forrobodós para aprender um pouco mais da malemolência do povo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="color: #660000;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;5 - Tenha opositores sem graça.&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.olhonamira.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/09/jefferson_roxo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://www.olhonamira.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/09/jefferson_roxo.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Em oito anos, Lula teve quem como opositor? Sombras insossas apenas. O mais interessante deles era um ex-gordo do Partido Trabalhista Brasileiro, que cantava ópera no seu apartamento irritando vizinhos e, no meio do furacão das denúncias do mensalão, apareceu com um olho roxo muito estranho. Lembram do Roberto Jeferson? O fato é que o presidente do Bolsa-família teve uma oposição sem graça. José Serra? Geraldo Alckmin? Arthur Virgílio? Os tucanos não fizeram o trabalho direito e quando mais precisaram peitar Lula, o que fizeram? Se encolheram e tentaram colar a imagem do presidente a deles, já muito desbotada. Quem poderia ter sido um opositor de verdade preferiu o jeito mineiro de comer quieto. Aécio Neves, o governador de Minas, das loiras e baladas, nem se alterou ou interferiu nos momentos que o PSDB precisa de um heroi para chamar de seu. Com uma trupe desse naipe, Lulinha deitou e rolou em dois mandatos, navegando em céu de brigadeiro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora que aprendeu os cinco passos de Lula, espere até 2014 para a eleição de presidente. Ou então comece modestamente como prefeito ou vereador da sua cidade. Não custa tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-7466647209122889548?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/7466647209122889548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=7466647209122889548&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/7466647209122889548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/7466647209122889548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/11/cinco-passos-da-popularidade-de-lula.html' title='Cinco passos da popularidade de Lula'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-4931130802098892116</id><published>2010-10-29T14:31:00.000-03:00</published><updated>2010-10-29T14:31:01.713-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quentchura'/><title type='text'>Já pode comemorar: as eleições acabaram de acabar.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A eleição está no fim. Já se vê gente emocionada, com lágrimas nos olhos, agradecendo que a novela vai começar mais cedo. Já se ouvem os motoristas de táxis, porteiros, professores universitários, médicos, putas, clérigos, pastores e toda turma levantando as mãos para o céu dando graças a Deus. Geralmente, essas pessoas são as mesmas que reclamam que no Brasil só tem ladrão na política e também que choram ou com parente morto na porta de hospital ou com um familiar fechado pelas balas nada doces da violência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="245" src="http://4.bp.blogspot.com/_6omX32mSwPY/TBqfoZ_y44I/AAAAAAAAAPE/mMlQMuuCQk8/s400/sonho.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;" width="400" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;O sonho acabou. As eleições também.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_6omX32mSwPY/TBqfoZ_y44I/AAAAAAAAAPE/mMlQMuuCQk8/s1600/sonho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foram dias duros. Desde junho acompanhando os debates, as piadas, as provocações, as falações de merda gratuitas, as conversas estranhas e imponderáveis sobre política, me deixaram cansado. Mas, fico pensando, nos que reclamam e não “aguentam mais”: o sujeito não chia nenhum pouquinho por passar meses de olho grudado na tevê com todo o interesse do mundo em gente que nunca viu, debatendo e se estapeando, tramando as piores coisas possíveis para sair no final com reconhecimento, um monte de privilégios e o bolso entupido de dinheiro. Já sabe do que estou falando, não é, espertinho? A diferença é que o vencedor do Big Brother não vai interferir na sua vida. Já no reality show que termina domingo, as coisas são bem diferentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ladainha enfadonha da política neste ano foi enfeada ainda mais com temas nada republicanos para se discutir em um momento tão importante como a hora de despejar o voto e dar descarga na urna. E, claro, essas coisas realmente provocam ânsia de vômito em estômagos mais fracos. Acusações de toda sorte, elogios descabidos, fetos expulsos fora de hora, padres falando como se estivessem na Idade Média, pastores safados servindo de exemplo e formando opinião, ambientalistas de última hora (entre candidatos e eleitores), bolinhas de papel assassinas e até o povo contente com o presidente que tem – fato nunca visto com tanta clareza na história desse País. O horror, o horror.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="330" src="http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/autoplanet.tuningblog.com.br/images/gd/1284561408/Tiririca-leva-pai-e-mae-para-propaganda-eleitoral.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;" width="400" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Deputado Tiririca: fenônemo em 2010.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Sim, essas eleições foram estranhas não apenas por não termos o Lula entre os participantes. Há outros aspectos que nos arregalam os olhos: palhaço de verdade eleito deputado; uma ex-seringueira da terra de Chico Mendes com 20 milhões de votos; o general Barbalho perdendo o mandato; o PSDB ressuscitando das trevas aqui no Pará e se afundando nacionalmente; mentiras sendo desmentidas em tempo real; e a Internet, não servindo somente para baixar séries e ver pornografia, alcançando agora o status de senhora de respeito e funcionando como palco para debate (um palquinho comparando com o tamanho do Brasil, é fato. Mas, um palco).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No final das contas, foi divertido. Claro que muitos vêem tanta diversão na política quanto em uma endoscopia. Obviamente, quem detesta o debate e comemora o final do processo eleitoral com riso e alívio é o mesmo sujeito que passa quatro anos sentindo um incômodo estranho, como alguém que está deitado no sofá em cima do controle remoto. O sujeito sabe que tem algo de errado, sente a cutucada, mas não sabe o que é. Quando a outra eleição começa a dar sinal de vida ele cai em si e vira um analista sócio-econômico-político-estético-cultural-cabeça-do-meu-pai. Desata a falar e se enfurecer, mesmo tendo ignorado o noticiário e a propaganda política, mesmo recusando se informar sobre a vida da sua cidade, seu Estado, seu País, que somadas se misturam com a sua própria vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O dia 31 de outubro já aconteceu, antes mesmo de raiar. A essa hora todos que serão eleitos já tem consciência dos seus destinos, obrigações e possibilidades de ganho e rapinagens – não necessariamente nessa ordem. Cabe a nós, quem ainda se esmera e estica sua paciência a extremos desumanos, acompanhá-los, fiscalizá-los, aporrinhá-los, cobrá-los, xingá-los, exigi-los. E também bater um papo com os que ainda não entendem que apenas a atenção a esse troço tão antipático chamado política pode melhorar o Brasil. Sim, porque contrariando outra parcela gigantesca desta grande nação de falatórios, sacanagem, bola e bunda, o Brasil ainda tem jeito. Estamos aprendendo a melhorá-lo. Sem saber, sem compreender muitas vezes, mas estamos. Domingo é mais uma oportunidade. Não desperdicemos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://25.media.tumblr.com/tumblr_l20q7hR8HA1qbekr3o1_500.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="242" src="http://25.media.tumblr.com/tumblr_l20q7hR8HA1qbekr3o1_500.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom voto pra vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-4931130802098892116?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/4931130802098892116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=4931130802098892116&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/4931130802098892116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/4931130802098892116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/10/ja-pode-comemorar-as-eleicoes-acabaram.html' title='Já pode comemorar: as eleições acabaram de acabar.'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_6omX32mSwPY/TBqfoZ_y44I/AAAAAAAAAPE/mMlQMuuCQk8/s72-c/sonho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-2989922242220761471</id><published>2010-10-06T15:46:00.001-03:00</published><updated>2010-10-06T17:37:17.253-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quentchura'/><title type='text'>O Círio e a Síndrome do Paraensismo Agudo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegamos à época mais divertida de se morar em Belém. Ao longo do ano, a capital do Pará é um inferno: trânsito caótico, gente mal educada, lixo nas ruas, poluição sonora, absoluta falta de bom senso e o risco iminente de encontrar semi-conhecidos a toda hora, já que o núcleo principal da nossa cidade é um ovo. Um ovo de curió, para ser mais específico. Não pense que essas coisas mudam neste período. Nada muda. E ainda há dois agravantes: o tráfego piora e o aumentam as chances de esbarrar naquele colega de ensino médio que você não lembra o nome de jeito nenhum, mas se sente obrigado a cumprimentá-lo. No entanto, algo de sobrenatural deixa a Cidade das Mangueiras muito mais interessante, suplantando todos os percalços da nossa rotina de cão.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://farm3.static.flickr.com/2064/1876245772_f736be6bc3.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;" width="400" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/brunomiranda/1876245772/"&gt;Foto: Bruno Miranda&lt;/a&gt;.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://farm3.static.flickr.com/2064/1876245772_f736be6bc3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É, estamos no Círio. Quem não é paraense ou praticante do turismo religioso de raiz sabe pouco sobre a festa. Se for procurar no dicionário, vai aparecer que círio é uma velona, uma vela grande, ou ainda romaria, procissão, o que tem relação com o Círio com c maiúsculo. Mas, a explicação carece de mais detalhamento. Caso um forasteiro tente relatar o evento sem nenhuma contextualização, vai contar mais ou menos assim: era um mundaréu de gente espremida pelas ruas, impedindo que outra galera – essa exausta e toda suada - puxasse com uma corda a imagem de Nossa Senhora. E, enquanto uns penavam puxando, outros vestidos de branco andavam num cordão de isolamento numa boa só se abanando e protegidos por seguranças até chegar de uma igreja à outra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, ainda não é isso. O Círio, de fato, é uma manifestação religiosa que iniciou católica, mas hoje reúne credos de todos os tipos. Dizem as más e boas línguas que até ateus participam para não se sentirem excluídos e depois da procissão filarem a bóia, cujo aspecto é realmente estranho, porém o sabor inigualável. Vide o caso maniçoba. É preciso andar por Belém neste tempo de devoção e sacrilégios para compreender melhor, para se inteirar e perceber que, embora haja um clima Padre Fábio de Melo way of life de ser, também há uma necessidade de extravasar a alegria e o desejo enorme de revolucionar, suprimidos ou exibidos esporadicamente ao longo do ano. No Círio, paraenses da gema e adotivos voltam à condição de &lt;b&gt;sonhadores sensuais&lt;/b&gt;, como diz professor e paraense &lt;a href="http://hupomnemata.blogspot.com/"&gt;Fábio Castro&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paralela as tarefas cristãs e marianas, rezas, sacrifício físicos, carolices extremas, há uma força brutal que tem muito mais a ver com o carnaval do que genuinamente com os ritos da Igreja Católica. O Círio é também tempo de reencontrar velhos amores, de embates com amantes extraviados, de se apaixonar do nada no meio da rua, de passar uma semana insone pulando de festa em festa, de engordar dez quilos de tanto comer, de resolver ódios pendentes e promessas de vingança, de engravidar sem planejamento e precocemente, de morrer e matar, de deixa valer impulsos e instintos. As estatísticas apontam: gasta-se mais, transa-se mais, morre-se mais, comete-se mais crimes. O Círio transpira excessos de todos os gêneros, o que bispos, padres, beatas e todos os moralistas odeiam incluir como parte da efeméride, mas tem que engolir em seco sua evidência ou mesmo praticá-los às escondidas.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/_W5jtq0y8vwA/TFS8AMCOscI/AAAAAAAADGQ/teZwaDalIbk/s400/os+sonhadores+-+the+dreamers+-+posters+sensual+er%C3%B3tico.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;" width="300" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Sonhadores sensuais, mas não paraenses.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_W5jtq0y8vwA/TFS8AMCOscI/AAAAAAAADGQ/teZwaDalIbk/s400/os+sonhadores+-+the+dreamers+-+posters+sensual+er%C3%B3tico.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No Círio, repetimos a experiência de fartura de tantos anos atrás, quando a borracha nos servia mais para fortuna do que para evitar filhos. As mesas são tão fartas que é possível comer as sobras até chegar novembro, apesar de o auge da festa ser o segundo domingo de outubro. Até nos casebres mais pobres, milagrosamente, a comida abunda. Nos casarios e apartamentos mais abastados, os banquetes não cabem nas cozinhas e nas salas de jantar e o ar se impregna do cheiro do cianureto cozido da maniva e da acidez amarela do tucupi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos amam a cidade. Amam tanto que seria muito mais justo com Belém eleger prefeito no dia do Círio. Quiçá a população escolheria um alcaide verdadeiramente engajado com os anseios municipais – ou não. De tanto amor momentâneo repetiríamos a mesma insanidade quadrienal de sempre. O afeto é tanto que mesmo os que mais depredam, escarnecem e cospem, urinam, vomitam e cagam na capital, nessa época, escrevem versos, cantam, suspiram, choram e sangram pela velha morena tão sofrida nos demais onze meses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um encantamento se sustenta no ar junto com uma flagrância secreta de flores e bons pensamentos. Aqueles que passam o réveillon no Rio de Janeiro, o carnaval na Bahia, a Semana Santa em Campos do Jordão, as férias de julho em Miami e juram diante da cruz que São Paulo é o melhor lugar para viver, milagrosamente demonstram uma adoração nunca vista na história desta Belém. Palavras cabalísticas como carimbó, Ver-o-peso, Nazaré, rios, manga, tacacá, açaí e tudo relacionado à cidade ganham um peso a mais numa dieta hipercalórica de afeição e valorização.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://farm3.static.flickr.com/2352/1736306506_9f25c3c4ec_z.jpg?zz=1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;" width="266" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/brenopeck/1736306506/sizes/z/in/set-72157600509209301/"&gt;Foto: Breno Peck&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://farm3.static.flickr.com/2352/1736306506_9f25c3c4ec_z.jpg?zz=1" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Independente do quanto se tem no bolso ou das origens familiares, pobres, ricos e remediados, todos nós padecemos da Síndrome do Paraensismo Momentâneo Agudo, a doce patologia invasiva e contagiosa, causadora de superlativos infinitos sobre o que em setembro era mera paisagem sem importância ou hábito corriqueiro e, para alguns, até considerado coisa de gentinha.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegamos ao Círio. Tempo de amar profundamente o que, em regra, dispensamos um amorzinho raso, sem sal. Belém, essa mulher desejosa, voluntariosa e massacrada pelo tempo, deve esperar ansiosa essa época. Lábio inferior mordido, mãos entre as coxas apertando o vestido, pés inquietos, olhos no rio, a morena olha o relógio dos meses aguardando chegar a hora de outubro, quando nós, os maridos relapsos, chegamos perfumados, de roupa e saptos novos, e doamos toda fúria do sentimento que temos por ela, mas que não demonstramos durante a nossa longa semana de trabalho, de longos outros onze meses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um feliz Círio a todos nós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-2989922242220761471?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/2989922242220761471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=2989922242220761471&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2989922242220761471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/2989922242220761471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/10/o-cirio-e-sindrome-do-paraensismo-agudo.html' title='O Círio e a Síndrome do Paraensismo Agudo'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://farm3.static.flickr.com/2064/1876245772_f736be6bc3_t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-5798979179642643256</id><published>2010-09-28T03:38:00.004-03:00</published><updated>2010-09-28T11:02:19.240-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Listas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quentchura'/><title type='text'>Cinco coisas para não fazer nas Eleições 2010</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O blog anda morre-não-morre. Duas postagens de zumbis – uma de ficção e outra com os mortos-vivos da política – talvez sejam sintomáticas. Porém, ainda não é tempo de eutanásia. Vamos manter os aparelhos ligados e continuar este trabalho inútil até que um portal descubra este espaço e pague uma fortuna para que essas mal traçadas linhas sejam despejadas em outro sítio. &lt;strike&gt;(Senta lá, Cláudia)&lt;/strike&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como estamos chegando ao final de mais um doloroso e enfadonho período eleitoral, vamos seguir falando de política. Ninguém aguenta mais, eu sei. Mas, é melhor do que falar mal do cabelo e da voz fininha do Justin Bieber, das roupas nojentas da Família Restart, da gola V do Fiuk, enfim, desses candidatos de outra eleição: a de pessoas mais ridículas do mundo. Os elegíveis da vez são outros. Talvez mais ignóbeis, porém, suas ações têm muito mais consequências e não há como ignorá-los. Você pode até tirá-los da sua vista, mas eles vão continuar incomodando silenciosamente como um diabetes ou deixando poucas pistas de onde vem o incômodo como o barulho de uma torneira pingando à noite.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://www.alandavid.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Debate-Presidencial-Elei%C3%A7%C3%A3o-2010.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;" width="400" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Eleições 2010: muita azaração, muita gente bonita, muito beijo na boca.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.alandavid.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Debate-Presidencial-Elei%C3%A7%C3%A3o-2010.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Brasil é engraçado para não dizer uma tragédia sem fim, mas nessas eleições especificamente vejo uma luz no fim do túnel - e não é o trem vindo na contramão – quando se fala em discutir os rumos da política. Abro espaço para neste momento você reclamar de todos os políticos começando pelo avô do Deodoro da Fonseca, dizer que são todos uns ladrões, que já foi assaltado, que falta água, que não tem saneamento, que a educação é uma merda, que as crianças mudas telepáticas estão nas esquinas e o preço do feijão na estratosfera, que seu filho virou assaltante, a filha puta, o pai alcoólatra, o irmão drogado (eita, família complicada) e nada presta. Ok, desabafe, meu amigo, minha amiga, a hora é agora. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você passa a semana toda vendo novela, assistindo o Brasileirão nas quartas, enchendo a lata nas sextas, dormindo com o rabo cheio de cachaça no sábado e aturando o Faustão e o Zeca Camargo no domingo, uma hora você tinha que se tocar que a vida é mais que isso, não é mesmo? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tal do se tocar (não no sentido sexual da coisa) ganhou uma nova amplitude com os tais novos meios de comunicação. Muita gente xingou muito no twitter, acompanhou os debates e as informações postadas em tempo real na Internet, fez beicinho no youtube, mandou o amigo que vota no Serra se foder por SMS, baixou o jingle plagiado de um tecnobrega daquele candidato nojento, enfim, a tecnologia serviu para alguma coisa, de fato, que não fosse baixar séries e ver pornografia no Redtube. A associação tecnologia e política, claro, já acontecia há alguns anos, mas neste ano especificamente tomou corpo, um corpão, tipo da Mulher Melancia.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://farofadanet.files.wordpress.com/2010/05/falta-de-sacanagem1.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;" width="400" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Juventude brasileira cada vez mais consciente dos seus direitos e deveres de cidadão.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://farofadanet.files.wordpress.com/2010/05/falta-de-sacanagem1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O perfil do eleitor está mudando. A passos de lesma amputada, mas está e algo me diz que os tais excluídos e mais pobres estão buscando um pouco mais de informação na Internet ao invés de só ficar postando fotos em poses que provocam problemas na coluna e risos em quem vê e tem o mínimo de bom senso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez meu neto testemunhe seus bisnetos participando mais da vida política da cidade, do Estado e da nação e discutindo política com um pouco mais de qualidade. É, talvez. Talvez, porque o processo só não é mais lento do que baixar arquivo em conexão 3G. Mas há sinais de que um dia os brasileiros vão prestar atenção em propostas e programas de governo, saber diferenciar tais temas dentro das legendas disponíveis para votar, debater civilizadamente os pontos de vistas sem matar ou dar na cara de ninguém e ir às urnas com uma cara blasé, como eu imagino que seja uma eleição na Dinamarca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando chegar este dia, em contrapartida, teremos candidatos que nunca foram processados criminalmente, nem por morte matada, nem por morte morrida, nem por meter a mão no nosso bolso com os tentáculos da corrupção. Esses sujeitos não irão para as ruas breados gritar pela vitória antes do tempo num palco abarrotado de puxa-sacos. Eles também não vão usar como propaganda músicas bisonhas que nunca ouviriam em condições normais de pressão e temperatura. O beijo clássico do político malandro em senhorinhas miseráveis e crianças remelentas e subnutridas será aposentado (não haverá nem velhinhas nem infantes desamparados!). Os candidatos serão pessoas confiáveis cujo maior interesse dos que os cercarão será suas ideias e não os cargos de confiança dos seus governos ou os favores prometidos na campanha. Eles farão promessas e não vai parecer uma piada. E nenhum deles vai precisar ser milionário para se eleger. A compra de voto será uma lenda urbana ou uma piada de mau gosto de velhos como eu, que naquela altura terão uma baita saudade do que reclamar.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="312" src="http://4.bp.blogspot.com/_-5jlPlRd028/SwiH92H2xgI/AAAAAAAAAF8/A9bwoVms8vU/s400/1181680230_f.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;" width="400" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Eleitora dinamarquesa depois de uma votadinha.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-5jlPlRd028/SwiH92H2xgI/AAAAAAAAAF8/A9bwoVms8vU/s1600/1181680230_f.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, enquanto o seu lobo não vem, os eleitores... Pausa. (Ninguém vai falar em terceira pessoa aqui, mermão. O papo é reto. É contigo que tô falando, brother!). Sim, enquanto não chegamos a esse nível é preciso tomar vergonha na cara. Sim, papai, ou você acha que essa putaria que está instalada tem origem em qual sem vergonhice? Na nossa, claro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensando nesses vícios que nos jogaram nesse caminho de pedras e cacos de vidros, próprios da nossa proto-democracia, reunimos em um bar da Pedreira uma grande equipe de cientistas políticos locais &lt;strike&gt;derrame de gelada no sindicato dos papudinhos&lt;/strike&gt; e listamos cinco comportamentos que precisamos extirpar ainda hoje para melhorar o nosso exercício democrático. Vamos a eles e não deixe de ajudar apontando mais falhas do eleitor nos comentários.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Não aja como idiota na presença do candidato.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://cachacaaraci.files.wordpress.com/2010/04/serra-e-aecio-o-beijo-da-morte.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://cachacaaraci.files.wordpress.com/2010/04/serra-e-aecio-o-beijo-da-morte.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;Sei que para algumas pessoas, agir como idiota faz parte da própria natureza, mas é preciso evitar esse comportamento que, à primeira vista, parece um impulso instintivo. O sujeito dá tchauzinho, pula, agita bandeira, se atraca no pescoço do elegível, dá beijo. Já presenciei cenas lamentáveis de afagos explícitos em candidato totalmente fora de contexto e desnecessários. Porra, se dê ao respeito. Contenha sua libido reprimida e fique na sua. Um aceno já está de bom tamanho, um aperto de mão que seja. Mas beijar, cheirar cangote, encoxar, lamber o político é demais. Fora a efusividade mais do que exagerada de alguns que berram a plenos pulmões “já ganhou, já ganhou” com um sorriso de interno em hora de recreio no manicômio sacudindo as mãozinhas, quase um dançarino de axé. Deixe de onda, rapaz. É só uma pessoa e a relação tem que ser de igual para igual. Até porque aquele homem - ou aquela mulher - vai defender seus interesses (ou pelo menos deveria). Você está assinando procuração para que ele ou ela façam valer sua vontade. Em tese, era o candidato que devia te paparicar e ficar todo se querendo para o seu lado. Ponha-se no seu lugar de bambambam, pelo menos na eleição! Tome tento!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Não decida voto por pesquisa&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.chongas.com.br/wp-content/uploads/2010/09/5c1d4b1d-23a2-4e86-b13c-1d7e44dd8c28.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="315" src="http://www.chongas.com.br/wp-content/uploads/2010/09/5c1d4b1d-23a2-4e86-b13c-1d7e44dd8c28.gif" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;Pesquisas são indicadores de tendência. Se você consegue soletrar o próprio nome, deveria saber disso. No entanto, ainda existem imbecis pessoas que usam uma das frases mais odiosas em tempo de votação: “Não quero perder meu voto. Vou votar em quem está ganhando”. Meu parceiro, não há pior derrota do que ir de encontro as suas convicções apenas para acompanhar a maioria. Ah, você não tem convicção? Arruma uma, praga! Pesquise sobre os candidatos, procure saber o que eles querem fazer nos cargos além de encher o rabo de dinheiro. Assista a propaganda política ao menos uma vez. Sei que é chato, mas você passa quase duas horas assistindo um capítulo de novela do Manoel Carlos e até Zorra Total. Se esforce, meu filho! Pensa que democracia é bagunça? Encontre um elegível que seja a sua cara (nem que seja o Tiririca) e arrume um motivo para teclar o número dele na urna eletrônica. Qualquer razão deve ser mais sensata do que votar porque o nome do desgraçado aparece em primeiro nas pesquisas. Se manque e pare com essa porra! É vergonhoso e indica preguiça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Não olhe somente o seu umbigo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Jsj-hU1Mkxw/SSv7GrpGxeI/AAAAAAAAAoo/0K-zER-w9Dk/s400/modelo+umbigo.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="296" src="http://2.bp.blogspot.com/_Jsj-hU1Mkxw/SSv7GrpGxeI/AAAAAAAAAoo/0K-zER-w9Dk/s400/modelo+umbigo.bmp" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;Sim, meu amigão, você tem a promessa de trabalhar com aquele deputado ou sua filha será secretária daquele senador ou ainda seus negócios devem prosperar com a eleição daquele governador. Você já está com os dedos coçando para apertar o número dele na urna eletrônica. Você está certo? De certa forma, está. Não seremos hipócritas. Mas, se o tal político é um pedófilo ou desviou milhões ou ainda se envolveu em crimes terríveis como assassinato? Nem isso, se ele é apenas um filho de uma puta que saqueia sua cidade impunemente todos os dias? É difícil a reflexão, é difícil a decisão, mas não deveria ser. Deveria ser fácil. O cidadão de bem deve pesar o seu benefício próprio e o favorecimento da comunidade na hora de votar. Thomas Morus está aqui do lado todo orgulhoso por divulgar mais esta utopia, claro. Ele e eu acreditamos e sabemos que você está rindo da nossa cara. Pare já e me escute. Perceba que o indivíduo, no caso vossa senhoria mesmo, vai se dar bem e os demais que se lasquem. Contudo, o trabalho mal feito ou a omissão na política traz consequências mais abrangentes e uma hora pode lhe pegar. Quem sabe o moleque que virou ladrão por falta de oportunidade não te dá um tiro, hein, hein? Quem diria que seu voto para ganhar mais grana ou garantir um empregão resultaria numa azeitona cravada na carne, malandro. Pense nisso, tolinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Não vote em criminoso&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="308" src="http://2.bp.blogspot.com/_vN0tfIF4pww/TIOWvrTG2uI/AAAAAAAAAV4/zpkwh_tCQ24/s400/LEATHERFACE_1974_by_DragonSuque.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;" width="400" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Candidato em campanha.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vN0tfIF4pww/TIOWvrTG2uI/AAAAAAAAAV4/zpkwh_tCQ24/s1600/LEATHERFACE_1974_by_DragonSuque.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;Esse princípio é o mais cristalino de todos, o mais simples de ser seguido e também o mais ignorado na nossa Democracy Baby. Obviamente, cabe a Justiça julgar, condenar e pôr na cadeia os mequetrefes. E, obviamente, também não é tão simples assim. A grande maioria dos gatunos escapa, muitas vezes usando de artifícios só revelados ao próprio capeta. Alguns pedófilos, assassinos, mandriões, vendedores de órgãos humanos, proxenetas, corruptos de todos os graus estão soltos por aí sabe Deus como e doido para ganhar uma imunidade com o colar do anjo da casa: o eleitor. Esses sacripantas se lançam candidatos sob os mais sórdidos propósitos e quase todos já tiveram suas caras estampadas em todos os jornais, alguns já ganharam pulseiras da Polícia Federal e uns poucos até levaram o destempero nos tribunais. Mas, pasme, minha gente, pasme. ESSES CARAS SE ELEGEM! Sim, eles são eleitos com muitos votos impressionantemente. Nem vou falar da&lt;b&gt; &lt;a href="http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/09/22/stf-adia-julgamento-de-ficha-limpa-entenda-caso-921053306.asp" style="color: black;"&gt;Lei Ficha Limpa que o STF sentou em cima recentemente&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;. O que me deixa boquiaberto é que as pessoas votam nos criminosos. Mermão, o cara é acusado de roubar bilhões! O outro matava pessoas com uma serra elétrica! O outro comia criancinhas e não era por via oral!!! Ah, que nada, vou votar nele aí, ó (barulhinho da urna finalizando a votação). Meu querido, não há nenhuma racionalidade ou um mísero risco de lógica nessa atitude. Não tem o que dizer. Somente, deixe de ser um cretino e pare de compactuar com bandidos. (Sempre sonhei com uma postagem em que tivessem as palavras proxeneta, sacripanta e boaquiaberto – se fecha o blog hoje, fico satisfeito).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Não venda seu voto&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://piras.files.wordpress.com/2009/01/chongas-macacos.jpg?w=450&amp;amp;h=300" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://piras.files.wordpress.com/2009/01/chongas-macacos.jpg?w=450&amp;amp;h=300" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;Vamos fazer uma comparação das mais chulas possíveis. Imagine que seu voto é seu cu. Sim, meu amigo, minha amiga, todos nós temos este orifício excretor. Por isso o escolhi como metáfora. Para o político bandido, não importa sua opção sexual ou se você curte ou não fornecer seu furico para atividades sexuais. O que o desgraçado quer é comprá-lo. E quer comprá-lo pelo preço mais em conta possível. Quanto mais barato, para o político é melhor. Tem gente que vende por uma dentadura, por um milheiro de tijolos, por um emprego para o filho, por R$ 10, R$ 20, R$ 50. Claro que há aqueles que de tanto comercializar suas analidades já chegaram a um patamar de barganha bem maior e conseguem vender o voto, em forma de apoio, por milhões, por altos cargos em secretarias e ministérios, mas esses aí já são profissionais: a maioria virou político e agora anda comprando cus por aí também. Vamos manter a conversa entre nós, meros mortais, possuidores do poder de resistir à força da grana e preservar nosso bem secreto, residente da nossa mais profunda e escura vontade: o voto (pensou besteira, né?). Não venda seu voto, meu amigo. Mantenha-o preservado em sua dignidade, não forneça aqueles que um hora lhe compram com tostões o seu direito e lá adiante lhe arrancam tudo sem pedir licença, sem qualquer pudor. O voto ainda é uma arma, embora os rufiões da politicagem acreditem que seja apenas seu objeto de fetiche em liquidação a baixo custo, baseados na ignorância e na absoluta falta de vontade de reagir de um povo acostumado com enrabações diárias. Quando chegarem para comprar seu voto, lembre-se da lição. Se você não tem pena do seu país, do seu estado ou da sua cidade, tenha pena do seu cu. Já é um bom começo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----*----- &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-5798979179642643256?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/5798979179642643256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=5798979179642643256&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/5798979179642643256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/5798979179642643256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/09/cinco-coisas-para-nao-fazer-na-eleicao.html' title='Cinco coisas para não fazer nas Eleições 2010'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-5jlPlRd028/SwiH92H2xgI/AAAAAAAAAF8/A9bwoVms8vU/s72-c/1181680230_f.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-1076701738722499297</id><published>2010-08-19T01:39:00.005-03:00</published><updated>2010-08-19T09:24:26.907-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tiras'/><title type='text'>Star Wars</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;img height="297" src="http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TGyu4IESCeI/AAAAAAAABKg/7fXU93Qe0jM/s400/almir1.jpg" width="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border="0" height="118" src="http://2.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TGyu-Il_DgI/AAAAAAAABKo/UWuImE3UcJM/s400/jatene1.jpg" width="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TGyvJMl43GI/AAAAAAAABKw/XZNajICr4wg/s640/almir2.jpg" width="424" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img height="300" src="http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TGy0eK86DCI/AAAAAAAABLI/B6iezhEWHy0/s400/jatene22+c%C3%B3pia.jpg" width="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img height="296" src="http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TGyvtX8x0mI/AAAAAAAABLA/gNXfOouvGz4/s400/almir3.jpg" width="400" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-1076701738722499297?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/1076701738722499297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=1076701738722499297&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/1076701738722499297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/1076701738722499297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/08/star-wars.html' title='Star Wars'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TGyu4IESCeI/AAAAAAAABKg/7fXU93Qe0jM/s72-c/almir1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-3776987419116643047</id><published>2010-08-11T03:25:00.004-03:00</published><updated>2010-08-18T01:03:20.529-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Capital do Pará é atacada por zumbis</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém sabia que aquele camburão jogado perto dos açaizais faria tanto mal, embora todo mundo tenha achado a substância viscosa e esverdeada nada parecida com óleo, como alguns insistiram em classificar o produto. Dali ao passamento de dona Raimunda, foram apenas três dias, tempo que o fruto contaminado chegou à mesa em forma de vinho, do grosso, feito no fundo do quintal da pequena choupana, na Ilha das Onças.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://farm3.static.flickr.com/2238/2053115891_f12ffe6269.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://farm3.static.flickr.com/2238/2053115891_f12ffe6269.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Foto: Breno Peck.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Logo depois de três colheres, a velha arregalou os olhos, colocou a língua para fora e caiu para trás, numa epilepsia tenebrosa de trançados de pernas, peito arfando e estrebuchos medonhos. O resgate demorou para chegar, como sempre, porém naquele dia a lentidão era maior pois o dia era de festa em Belém: as ruas estavam tomadas de gente e as forças de seguranças empenhadas na grande romaria da padroeira da cidade, naquele segundo domingo de outubro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda assim, os bombeiros chegaram e colocaram a mulher desacordada na aeronave que em pouco menos de dez minutos já estava pousando perto do hospital onde a mulher arroxeada, de boca preta, olhos virados e desgrenhada tentaria ser salva. Porém esperou quase uma hora no corredor em cima de uma maca imunda, onde sucumbiu antes de dar um espasmo bizarro e soltar um jato de lama negra pela boca, inundando o espaço destinado aos passantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar do óbito não chamar atenção de nenhum profissional de saúde, a sujeira foi grande e sobrou para o auxiliar de serviços gerais limpar as imundícies. Reclamando sempre e de escovão nas mãos, ele nem percebeu quando a velha levantou tesa das profundezas do desconhecido e pulou nas suas costas, arrancando de uma vez só um pedaço enorme do seu rosto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não demorou muito para Raimunda – ou o que ainda parecia ser de longe a rotunda anciã das Ilhas das Onças – espedaçar o pescoço do servente, a primeira vítima do ataque sem precedentes à capital paraense. Logo alguns homens que velavam seus doentes no corredor tentaram agarrar a mulher lambuzada de sangue e de expressão de cão raivoso. O primeiro desavisado tentou pela frente e foi abocanhado no braço. O segundo teve o dorso arranhado e também foi ferido pelos dentes da velha, que o imprensou contra a parede e o esmagou. Um terceiro ainda tentou bater com uma bandeja, mas escorregou no vômito e ficou indefeso diante da fúria daquilo que já não lembrava uma mulher, mas sim uma fera.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span id="goog_320700378"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id="goog_320700379"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Rápido, o faxineiro morto repetiu a dose: mostrou os mesmos sintomas e trejeitos da velha, levantou ensandecido e, num pique acelerado, alcançou uma morena magra e triste, ao canto da parede, para despedaçá-la como se fora feita de isopor. Em poucos minutos, o corredor do hospital era um deus nos acuda com gente em pânico esmagando doentes caídos no chão, fugindo dos defuntos recentes que estranhamente recuperavam a energia vital, agora tomada de uma espécie de efeito potencializado de uma superdroga sintética e mau humor matutino elevado a níveis humanamente insuportáveis. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/pacadifam/SMG47xK4_9I/AAAAAAAAAvU/f2Xj1wdrCh4/%5BUNSET%5D.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="217" src="http://lh5.ggpht.com/pacadifam/SMG47xK4_9I/AAAAAAAAAvU/f2Xj1wdrCh4/%5BUNSET%5D.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;O tumulto chegou à portaria do hospital com sons de tiros&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; e mais gente sendo violentada pelos famintos mortos-vivos. Um ladrão, baleado na perna pela polícia poucas horas antes, foi o primeiro a anunciar a novidade para aquela capital brasileira, que jamais ousaria prever um ataque daqueles. O ferido berrou: “Zumbis em Belém. Aaaaaaaaaaaaaaah”. E tentou se esgueirar para se trancar em um dos encardidos consultórios do Pronto Socorro, sem sucesso por causa da algema. Quando começou a rezar a única oração que sabia, sentiu os dentes de uma adolescente que antes da transformação provavelmente nunca iria mordê-lo e, se viesse a cometer tal sandice, o larápio iria adorar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os primeiros tiros foram dados pelos seguranças, mas a turba de quem fugia cegamente e de quem perseguia sem motivo aparente já tinha tomado as ruas. Com as vias entupidas de carros, paralisadas na massa palpável de calor típica da cidade e da movimentação característica dos religiosos em romaria não muito longe dali, foi fácil saciar a vontade de comer miolos e beber sangue dos que buscavam loucamente esse intento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muitos fugiram para o local mais correto no momento, rumo à Av. Pedro Miranda, do bairro da Pedreira, do Samba e do Amor. Lá, quarenta e três dias depois, agregaria um foco da resistência, única iniciativa organizada que se teve notícia frente à infecção. Porém, no calor da primeira hora, outros tantos fugitivos e perseguidores seguiram para onde havia o outro tumulto ainda maior, o da massa espremida de gente rezando, pagando promessas e louvando a padroeira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas ruas, ninguém mais se entendia. A polícia atirava para cima com seus velhos 38, lojas eram saqueadas, velhos caíam com seus terços na mão e eram pisoteados, porteiros eram espancados e prédios eram invadidos, motoristas abandonavam carros, crianças se perdiam e viraram alvo fácil dos comedores de gente. Quando os desgovernados zumbis alcançaram o rio humano da procissão, os devotos acreditaram, de início, ser mais um dos comuns desarranjos na “corda”, um dos elementos essenciais daquela manifestação de religiosidade, onde os pagadores de promessa agradeciam e se sacrificavam para demonstrar amor à Santa de sua melhores preces. Embora os apegados ao cordame estivessem mais tranquilos do que o normal de todos os anos, muita gente jurou vir do epicentro da romaria aquela gritaria soturna e os empurrões, no começo, transformados em tentativas desesperadas de fuga e, em seguida, no que só pode ser nomeado de caos.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/foto/0,,21401145-FMM,00.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="285" src="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/foto/0,,21401145-FMM,00.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;A ira de dentes&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;, de uma fome primitiva, &lt;/span&gt;desaguando em apocalipse jamais pensado sob o calor tropical de um outubro de orações católicas, atingiu em cheio aquele povo que saíra de casa somente para louvar, mostrar roupas e sapatos novos, ver e ser visto naquele glorioso espetáculo abençoado por Deus. No entanto, onde andaria Deus naquela hora de barbárie, de cenas infernais, como a do pagador da promessa dos caranguejos sendo devorado por três mortos-vivos na Av. Nazaré. Grande parte dos crustáceos, atados ao corpo do homem durante a procissão, tratou de sair de fininho e escorregar para o bueiro mais próximo, enquanto seu dono virava um delicioso banquete cru sobre o asfalto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A essa altura, a balbúrdia era tamanha que o arcebispo reuniu guardas e devotos escolhidos a esmo para salvar a imagem peregrina e tentar abrigo na Basílica. O pequeno exército de cruzados do improviso rasgou o mar humano à força, conseguindo chegar ao templo, protegendo a santinha, que não era a original, porém, merecia toda honra e esforço feito pelos heróis do triste episódio. Muitos deles se perderam no caminho e o líder da procissão chegou rasgado, esbaforido, imundo, irreconhecível até o destino que o protegeria. Tão diferente da impoluta figura que iniciara a caminhada benta que precisou implorar para entrar na casa do Senhor, guardada por ele mesmo com tanta fé nos últimos anos. Na nave central, um punhado de beatas, religiosos e alguns leigos desconhecidos morrendo de medo do fim do mundo que estava a precipitar atrás do imenso portão de entrada da igreja&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do lado de fora, tapetes vermelhos de gente pisoteada, incêndios de todos os tamanhos em lojas e prédios ao redor, sirenes e a imprensa atordoada tentando mostrar a dimensão do escandaloso massacre iniciado com três simples e inocentes colheradas de açaí. Os canais enviaram inadvertidamente suas jovens equipes, capitaneadas por repórteres nada experientes. Diante da catástrofe, os profissionais da imprensa não conseguiram narrar com propriedade a dimensão do problema. Alguns serviram de chacota durante as transmissões ao vivo, pois viraram comida para os mortos-vivos muito mortos de fome. E o riso do telespectador chegava frouxo, porque na tela da TV, tudo parecia uma comédia absurda e fingida para quem ainda não havia sido atingido pela hecatombe exclusiva e infelizmente parauara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;A partir de então as coisas só pioraram.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; Poucos dias à frente, a principal autoridade da cidade, acostumada à distância, tratou de levantar vôo em um helicóptero rumo à Miami, lugar mais longe em que o ignóbil prefeito lembrou como refúgio. Os policiais militares trataram de se entocar nas suas casas para defender suas famílias, abandonando suas funções de agentes públicos. Da Tribuna do parlamento, deputados de oposição ao governo exigiram a deposição de todo o Executivo estadual e uma intervenção federal, sempre comparando com os feitos da gestão passada muito mais ágil em todos os sentidos, inclusive em um ataque inédito de zumbis. Porém, os raríssimos políticos ainda vivos ou não transformados em zumbis não escondiam em seus olhos: o pavor tomara conta de todos, sem exceção, em todos os extratos sociais.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://img178.imageshack.us/img178/9223/salvadoorlv0.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="262" src="http://img178.imageshack.us/img178/9223/salvadoorlv0.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o tempo se adiantando e as esperanças cada vez menos críveis, quem pôde se esconder em matagais insuspeitos partiu de mala e cuia, sem ter sossego ou êxito na fuga, porque poucos lugares ainda não tinham sido minados pelo que uns chamavam de doença, outros de maldição, outros de delírio coletivo e todos de desgraça absoluta naquela terra que de desgraças estava cheia, mas as absorvia aos pouquinhos, no cotidiano. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos condomínios de luxo, fortunas foram gastas para reforçar a segurança, mas nada adiantou. Não havia trabalhadores corajosos o suficiente para resguardar as portarias de trincheiras, cercas elétricas, canhões, ninhos de metralhadores e tanto apetrechos inúteis à ira surda e cega dos que insistiam em não morrer e levar os vivos para o seu time. Barões se trancaram nas suas mansões, ligando para Deus e o mundo em busca de socorro, sem nenhuma resposta convincente de ajuda. Os mais desesperados servirão jantares deliciosos, feitos apenas em grandes festas, para a família inteira, sem avisar aos seus queridos que os alimentos estavam empestados de veneno. Banhados e bem vestidos, morriam com certa dignidade, sentados às suas mesas de 15 lugares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A solução final foi uma questão de tempo. Na verdade, pouco mais de dois meses após o caso de dona Raimunda. A urgência da situação, a pressão dos outros Estados devido ao risco de verem suas populações contaminadas, a grita geral da comunidade internacional diante do novo modelo de holocausto antes visto apenas nos filme de George Romero, a falta de experiência diante do cataclismo social travestido de problema de saúde pública... Tudo, absolutamente tudo, levou a uma decisão extrema das autoridades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Quando a primeira bomba foi largada do avião&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;, como um ovo posto por uma galinha gigante, o Ver-o-Peso estava em paz, como nunca esteve, com apenas alguns zumbis cambaleantes zanzando pela área, igual faziam os bêbados antes da primeira mulher se contaminar. A aurora anunciava mais um dia de sol a pino, como tantos outros reclamados pelos belenenses em tempos já esquecidos. Naquela hora, os sobreviventes da Pedreira já estavam de pé rezando a oração de toda manhã para a volta da normalidade. Os clarões tomaram conta de tudo e puseram fim a mais de 400 anos de história de uma cidade. Uma capital, praticamente, desconhecida para o resto do Brasil e que, naquele sábado de dezembro, seria extirpada totalmente da memória da nação para ser rememorada vagamente como o local em que a morte caminhou de cabeça semi-erguida, teimosamente, transformando vivos em um meio termo incômodo e deixando para trás uma lição para ninguém aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----- &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-3776987419116643047?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/3776987419116643047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=3776987419116643047&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/3776987419116643047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/3776987419116643047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/08/belem-e-tomada-por-zumbis.html' title='Capital do Pará é atacada por zumbis'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://farm3.static.flickr.com/2238/2053115891_f12ffe6269_t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-304959090241994460</id><published>2010-07-28T12:31:00.000-03:00</published><updated>2010-07-28T12:31:12.430-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida de repórter'/><title type='text'>A desgraça nossa de cada dia dos assaltos-com-refém</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;Não é todo dia que se entra no Coliseu e se ouve a plateia enlouquecida torcendo pelos leões. Não que os candidatos a comida de felino pudessem ser comparados aos mártires cristãos da Roma antiga. Mas foi mais ou menos por aí. Não, não passei o fim de semana na Itália nem fiz uma viagem no tempo até os primórdios do cristianismo. Meu Coliseu foi montado na Grande Belém, especificamente, entre o quilômetro dois e o quilômetro três da rodovia BR-316, já dentro dos limites da cidade Ananindeua.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://coliseuatayde.pbworks.com/f/FOTOLUCHA.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="262" src="http://coliseuatayde.pbworks.com/f/FOTOLUCHA.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="color: #660000;"&gt;A boa e velha violência sempre nos   encantando.&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;b style="color: #660000;"&gt;&lt;/b&gt;Uma plateia de umas quatro mil pessoas torceu para aquele assalto-com-refém terminasse da pior forma possível: com duas mortes, pelo menos. Era esse o grande show da tarde naquela arena de vida ou morte de uma sucessão de equívocos que culminaram naquele teatro com personagens manjados: dois miseráveis armados, um de 18 e outro de 16; um trabalhador de cerca de 25 anos feito de escudo humano; policiais cansados; imprensa e população pedindo a cabeça dos cristãos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A notícia é velha e ninguém morreu. Nem refém, nem bandidos, nem policiais. Também saí vivo, embora achasse que a tragédia se precipitaria na minha frente quando a turba avançou disposta a matar de porrada os dois ladrões e a polícia começou a disparar. “Eram mais de três mil. Agora estou certo que eram todos os que estavam na estação”, lembrei desse trecho do Garcia Marques, porém não houve matança para desespero da maioria sedenta por sangue.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em um &lt;b&gt;&lt;a href="http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/06/fui-assaltado.html"&gt;texto recente&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; falei como me incomoda a falta de profissionalismo dos ladrões. No entanto, desta vez me chamou atenção outra vertente associada à falta de competência: a recusa dos gatunos &lt;st1:personname productid="em perder. Todo" w:st="on"&gt;em perder. Todo&lt;/st1:personname&gt; mundo ouviu que o importante é participar e não ganhar. Porém as pessoas estão cada vez mais viciadas em vencer, necessitadas de vencer, não admitindo o fracasso mesmo quando a perda é cristalina como o sorriso de uma criança.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://vjmorton.files.wordpress.com/2008/01/onibus174.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="248" src="http://vjmorton.files.wordpress.com/2008/01/onibus174.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Ônibus 174: emblema dos assaltos com refém no Brasil.  Virou filme.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Essa tara em ganhar se escancara quando os moleques, ao perceberem o cerco da polícia e a prisão como sequência, agarram o primeiro que vêem pela frente como última tentativa de virar o jogo. Mas, parceiro, não há o que virar. O plano deu errado, vamos encarar como homens e entregar as armas, levar os pescoções e enfrentar o xadrez. Afinal, o que se pode fazer diante de dez soldados que, em pouco tempo, se multiplicariam conforme a situação fosse ficando mais tensa?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas como cobrar raciocínio lógico de dois projetos de assaltantes? Não sei, mas acredito que pegar uma arma, entrar em uma loja, ameaçar cinco, dez, 15 pessoas exige certo raciocínio e planejamento. O mínimo que seja. Daí acreditar que a atitude extrema de pegar um refém só pode ser a tal repulsa pela derrota que nos afeta a todos, em vários níveis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Perder é se humilhar ao oponente. Assim é ensinado todos os dias, ainda que digam às criancinhas “o importante é participar”. A perseguição pela vitória a qualquer custo está em casa, nas escolas, nos cinemas, na televisão, nas propagandas, nos produtos, no olhar da namorada, no cansaço do cobrador de ônibus, na vantagem mentirosa que se conta, nas derrotas diárias que escondemos, &lt;st1:personname productid="em tudo.  Não" w:st="on"&gt;em tudo. &amp;nbsp;Não&lt;/st1:personname&gt; podia ser diferente com o miserável que busca um revólver para garantir o que comer, beber, fumar, cheirar, trepar e manter a sobrevida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Na grande final de ladrões versus refém-polícia, a torcida numerosa começou a gritar “perdeu, perdeu, perdeu, perdeu” para a dupla de adversários com poucos simpatizantes – apenas três mulheres da família, vindas como exigência na tentativa de manter suas vidas preservadas. E mais uma vez veio o verbo perder derramando todo o seu peso naquelas criaturas que, como nós, aprenderam desde cedo que é preciso muito, muito, muito vencer na vida e pouco, muito pouco, que não é possível ganhar todas.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.blogdaresenhageral.com.br/v1/wp-content/uploads/026575163-EXH00.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://www.blogdaresenhageral.com.br/v1/wp-content/uploads/026575163-EXH00.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;b style="color: #660000;"&gt;Não se  pode ganhar todas.&lt;/b&gt; &lt;b style="color: #660000;"&gt;Até o Dunga  sabe disso.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A derrota da dupla de bandidos fajutos veio com o batismo cruel da vitória esmagadora de uma população que já não aguenta perder para o exército de criminosos que abriga estes e outros adolescentes das nossas recorrentes e tristes estatísticas do dia a dia. E o que me causa estranheza é que cada vez esse vencer diante do crime vem colado com o desejo de não apenas ganhar do oponente com base na lei e em princípios de civilidade que deviam vir de casa. Não basta que a polícia salve o refém e prenda os delinquentes: se quer a Justiça imediata, o linchamento, a morte e, no final de tudo, a desumanidade. Se os policiais não agem conforme a exigência do calor da hora, são chamados de frouxos, ineficientes, bundões e outros adjetivos que ouvi da boca de muitos quando a ação terminou – diga-se, com um resultado excelente: sem mortes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não apenas precisamos aprender e ensinar que a derrota faz parte, mas também compreender e passar adiante que a vitória tem seus limites. Nessa balança delicada entre ganhar e perder, perceber a importância dos dois pesos nos faz humanos melhores, capazes inclusive de estender a mão quando o inimigo estiver, de fato, ajoelhado sobre o amargo doído da derrota.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-304959090241994460?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/304959090241994460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=304959090241994460&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/304959090241994460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/304959090241994460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/07/desgraca-nossa-de-cada-dia-dos-assaltos.html' title='A desgraça nossa de cada dia dos assaltos-com-refém'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-370077721034937689</id><published>2010-07-18T17:53:00.004-03:00</published><updated>2010-07-19T10:45:46.959-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><title type='text'>Pra Outeiro no Chevette Azul</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mil sentarão do teu lado com farofa e frango assado e dez mil a tua direita ouvirão o tecnomelody e tu serás atingido, sim, pela bola que o grupo de solteiros e casados do piquenique está jogando no areião da Praia Grande. Não, não é nenhum salmo de uma seita demoníaca. É apenas a dura realidade de quem busca um lugar ao sol no que era para ser nosso recanto de águas doces e areias finíssimas, porém virou uma piada de extremo mau gosto separada da península de Belém por uma ponte e um acúmulo imenso de descaso e ignorância.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A imagem dos farofeiros, dos moleques com cabelo tingido de loiro e ouvintes das aparelhagens, do medo de arrastão e dos assaltos – agora inclusive com reféns – não faz parte da memória que tenho de Outeiro. É certo que os domingos na ilha são o pavor há muitos anos devido à facilidade e ao custo baixo para chegar ao distrito. Qualquer quatro contos garantem a ida e volta, sobrando troco para um picolé. Porém nem nos mais claustrofóbicos dias das minhas reminiscências aquele pedaço de terra se comparava a sucursal do inferno que é hoje.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TENk-18M06I/AAAAAAAABKQ/FqHVR_g7ntk/s1600/outeiro.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="424" src="http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TENk-18M06I/AAAAAAAABKQ/FqHVR_g7ntk/s640/outeiro.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="color: #660000;"&gt;Praia Grande, em Outeiro, em dias tranquilos&lt;/b&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se você espera mais piadas sobre os atuais frequentadores de Outeiro, melhor parar por aqui. Vá arrumar suas malas e partir para Salinas onde não há praias lotadas, as pessoas são educadas, não há lixo na areia, tampouco carros com aparelhos de sons despejando excremento pelos alto-falantes. Aproveite e passe naquelas barracas em que vendem um peixe tão bem servido que um prato dá para alimentar seis pessoas e custa nada mais do que R$ 5. Esse lugar é o paraíso, não é mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No Outeiro da minha memória, tem um gordo de braço peludo no volante de um Chevette S/L azul, modelo 1989. No banco do carona, uma morena bonita de cabelos lisos, quase uma índia, diligente com as brigas da molecada que ia no banco de trás. E a viagem até a praia demorava horas, com direito a passar pela fábrica da Tramontina e ouvir minha irmã perguntar inocente: “papai, por que tem esse cheiro? É uma fábrica de merda?”. O odor dos cabos de madeira das facas sendo secados domina ainda a atmosfera do distrito. Não sei ainda se confunde as crianças de hoje, tão acostumadas a cheiros piores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O gordo é meu pai, que continua pançudo, embora os pelos do braço estejam meio esbranquiçados. Nunca levava a gente aos domingos, porque mourejava de sol a sol, de domingo a domingo, mas tirava um tempo entre quartas e sextas e íamos felizes para esses passeios memoráveis. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Descíamos nós três, minhas duas irmãs e eu, em uma praia quase vazia, em qualquer época do ano, menos em julho, porque meu pai sabia do sofrimento que já atingia a praia dos pobres nesse mês de férias. Praia superlotada, riscos de brigas, muitos bêbados. Bons tempos em que os perigos eram esses para um pai preocupado. Outeiro era nossa e, às vezes, calhava de ir junto amigos da família com suas respectivas crianças, o que era bom também, embora eu sempre ficasse meio de lado, sentado olhando as águas do rio numa liga meio “Vento no litoral”, do Renato Russo, que na época nem tinha morrido ainda. Não me lembro de música em volume ensurdecedor nas velhas barracas de comida e venda de cerveja que ainda estão lá, na Praia Grande e na Praia do Amor, que é a mais bonita inclusive. Deve ser por causa do nome.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://images.quebarato.com.br/photos/big/F/D/3B3BFD_2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="480" src="http://images.quebarato.com.br/photos/big/F/D/3B3BFD_2.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="color: #660000;"&gt;Um Chevettão como o nosso querido "Chevelho".&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como o pai não tinha tempo aos domingos, minha mãe inventou um passeio para lá, justamente no primeiro dia da semana e, em julho. E, claro, crianças não estão nem aí para sufoco ou qualquer coisa que atrapalhe a diversão. Pegamos o bonde, em São Brás, e partimos, porque ela não dirigia e muito menos tinha carro. Ainda assim não me lembro do desespero para sentar no coletivo, das hordas ávidas por diversão, de ter medo de estar ali. Talvez eu não percebesse essas coisas e elas estivessem no meu nariz. Talvez não existissem mesmo naquele tempo. Não posso explicar ao certo, afinal, era apenas um menino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao que me parece, a ansiedade do verão era menor e bem menos visível a necessidade de ostentar um bronzeado, de pertencer a esse mundo de não sei quantas mil pessoas saindo para os balneários no fim de semana, como alardeiam os jornais, em somas duvidosas e pouco confiáveis. O contraste mais visível hoje nas areias é a predominância de gente mais jovem em detrimento das famílias. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São os solteiros buscando se adequar, ter história para contar sobre esse período fantasioso e enganador chamado férias. Não, não vou falar dos cabelos com luzes, das roupas falsificadas de marcas famosas nem da bebida barata que eles bebem. Afinal, o que isso tem de diferente dos carrões, dos óculos de grife e do uísque 12 anos bebidos Al Mare? Ok, o valor, mas o objetivo é o mesmo. De fato, são apenas modelos sendo copiados em escala e forma diferentes. Uma Outeiro querendo ser a Salinas dos pobres, enquanto a original faz de tudo para parecer o menos possível com sua cópia suburbana. Sem conseguir de todo, por sinal. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TENo0cw3VAI/AAAAAAAABKY/3cdd8TylBHo/s1600/salinas2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="480" src="http://2.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TENo0cw3VAI/AAAAAAAABKY/3cdd8TylBHo/s640/salinas2.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Praia do Atalaia também conhecida como Praia dos Transformers ou Outeiro dos Playbas. (Adoro essa imagem)&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A população mais pé-rapada crescente da metrópole tem tomado cada vez mais a ilha distrital, que na época do Chevette S/L 89 já carecia de estrutura. Associe aí a falta de investimentos públicos e a correria da multidão para este lugar, com gente louca para copiar os padrões de Salinópolis, de consumo, de postura, de relação com o ambiente. Assim fica fácil entender como a classe A e B se assemelham à classe C, D e E: justamente na ausência de civilidade de lixo na areia, de poluição sonora, de falta de respeito com o próximo e pelo medo da criminalidade e violência. Itens cada vez mais democráticos nestes verões de agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não quero aqui sofrer com a morte da Outeiro de outrora, da aurora da minha vida, da minha infância querida que os tempos não trazem mais. Mas é possível hoje ter uma praia decente a meia hora de casa, sem lixo, com estabelecimentos decentes para comer e beber, sem medo de ser roubado ou atingido por uma garrafada ou uma bala ou ainda virar refém de assalto. Transporte adequado, segurança, saúde, essas pequenas coisas que são tão pequenas, mas que aqui parecem sonhos impossíveis, sobretudo, para quem não tem grana para fugir para mais longe a caminho do sol. Temo que, em alguns anos, não haja ninguém para contar que tem saudade de Outeiro e as lembranças sejam de fato uma piada bíblica sobre o juízo final.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-370077721034937689?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/370077721034937689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=370077721034937689&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/370077721034937689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/370077721034937689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/07/pra-outeiro-no-chevette-azul.html' title='Pra Outeiro no Chevette Azul'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TENk-18M06I/AAAAAAAABKQ/FqHVR_g7ntk/s72-c/outeiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-7180118253446334431</id><published>2010-06-30T00:58:00.003-03:00</published><updated>2010-07-01T13:34:10.989-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quentchura'/><title type='text'>Passa o redondo!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui assaltado. Pausa. Cenas de tiroteio. Carros explodindo. Perseguição policial. Capotagens espetaculares. Caras maus de paletó fogem com uma mala. Tiras frustrados. Close em mim que olho a cena assustado.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://receioderemorso.files.wordpress.com/2009/01/pulp_fiction_01.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="276" src="http://receioderemorso.files.wordpress.com/2009/01/pulp_fiction_01.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="color: #660000;"&gt;Passa a grana, malandro, ou te meto uma azeitona!&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada disso. Não foi assim. O cenário não tem nada de Hollywood. É minha ruazinha pedreirense com um asfalto já pedindo outro. Dois miseráveis se aproximaram. Um me ameaçou com uma arma (ou não. Mas sou um cretino e acredito no que as pessoas dizem). Meio sem noção da arte de afanar, levaram sorte: a vítima sabia todo o procedimento. Antes de entregar os pertences coordenou a ação para que saísse tudo bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, meus amigos, coordenei o assalto contra mim mesmo. Algum jurista pode inclusive me informar se corro o risco de ser preso. Claro, ora, ora. Ajudei a cometerem um roubo. Tudo pela profissionalização: sem sangue, sem sujeira, com educação e com um excelente resultado. Do jeito que o mundo está, é bem capaz de eu ser enquadrado por confessar um delito contra mim mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando digo miseráveis, não tem aquele tom de xingamento: MISERÁVEL, MALDITO. Não. Tem a ideia da pobreza. Dois sujeitos subnutridos de, no máximo, 21 anos, rotos, opacos, com cara de quem tem dificuldade para forrar o estômago no dia a dia. Dois incompetentes, miseráveis. Agora sim com conotação furiosa. Não sabiam roubar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Converso sobre violência e criminalidade com os mais velhos, que viveram em uma Belém ainda isolada, sem portas abertas pelas grandes rodovias. Todos dizem o mesmo: antes ser ladrão era quase uma sina, uma vocação irrecusável, um fado a carregar, como um lobisomem ou mesmo um vampiro. Não os vampiros gays de hoje. Os soturnos e amaldiçoados de ontem.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://5.media.tumblr.com/tumblr_kqxodscpPz1qzoaqio1_400.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://5.media.tumblr.com/tumblr_kqxodscpPz1qzoaqio1_400.jpg" width="322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="color: #660000;"&gt;Comparação de ladrões com vampiros? Ih, no próximo assalto apanho com certeza.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como tenho alma de velho, também acho o passado mais glorioso. Tal como a prostituição, a arte de roubar se banalizou. Nelson Rodrigues dizia que “toda puta é vocacional”. E podíamos, felizes e seguros, aplicar com tranquilidade a frase para os ladrões, tendo o cuidado apenas com a adequação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje não. Qualquer um se mete na arte de assaltar. Vemos por aí toda sorte de picaretas tentando ser ladrão. O gatuno nato perdeu na concorrência para a quantidade de amadores que as ruas receberam nos últimos anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Penso no criminoso vocacional amuado com o declínio da sua arte feita por aí, em qualquer beco, tendo como protagonistas uns sujeitos nada dignos de peitar um cidadão de bem e lhe arrancar dinheiro ou coisa que o valha. Eles eram poucos, respeitados, temidos. Hoje são milhares. Ainda metem medo, mas têm cada vez menos estilo, estão cada vez mais chinfrins, tão corriqueiros como uma tacacazeira na esquina. Ops. As tacacazeiras estão em extinção. Desculpe a comparação mal feita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Belém inchou. Pulamos de uma província encolhida entre o rio e o mato com pouco menos do que cem mil almas na década de 1950 para uma metrópole vertical explosiva com cerca de 1,6 milhão de pessoas desesperadas para não morrer ou para sobreviver, o que dá na mesma. Nessa estrada tortuosa, a morena cresceu torta, com uma fenda social absurda e cada vez maior, com consequências cada vez piores, alimentada pela ideia de que violência e crime formam uma linda e reluzente verdade incontestável: diante do&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;medo de morrer todo mundo é igual.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://globoesporte.globo.com/platb/files/157/2009/11/Nelson-Rodrigues-o-flamenguista2.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://globoesporte.globo.com/platb/files/157/2009/11/Nelson-Rodrigues-o-flamenguista2.JPG" width="396" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;"Vão aprender a roubar, seus porraaa!"&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegamos assim no sabor ideal de um bolo amargo que comemos todo dia sem reclamar: porções&amp;nbsp; generosas de descaso; uma panela até o talo de migrantes vindos de todos os lados para a capital; algumas colheres de violência bonita e colorida do cinema americano; claras bem batidas de uma elite burra totalmente iludida com a teoria do isolamento nos condomínios verticais; meio quilo de uma classe média atordoada e omissa; e um milhão de tabletes de dois tipos de pobres: o conformado com esmolas e o adepto da lei do menor esforço, sendo apertar um gatilho e cheirar uma carreira de pó um esforço bem pequeno para este.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É essa Belém que cospe dois macilentos com uma arma na mão para assaltar este igualmente pobre, porém não tão magrinho cidadão. A solução para resolver tudo isso? Bem, logo após o assalto você exercita seu lado psicopata e arruma mil soluções, pensa inclusive em solução de bateria para jogar nos olhos dos assaltantes. Porém, passa o desejo assassino e não se vê luz ao fim do túnel. Não a curto prazo, nem a médio. A certeza e a agonia da hora é que é preciso fazer alguma coisa. Nem que seja escrever&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;um texto falando merda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nós, os agraciados com comida na mesa, emprego e um teto, temos um péssimo hábito de só enxergar a realidade quando ela nos passa uma rasteira e mostra quem manda. Vociferamos, berramos, choramos, queremos uma solução agora, um basta. Meu Deus, aconteceu comigo! Co-mo é pos-sí-vel?! Nossinhoraaa! Bebês chorões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei com vamos superar esse problema e olha que lido com essa realidade de crimes todos os dias agora que estou na reportagem de um caderno policial publicado diariamente. Apenas tenho rasas noções. Sei, por exemplo, que não é chorando. Suponho ainda que é preciso cobrar uma atitude das autoridades. Mas, só suponho.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.portalodm.com.br/images/noticias/2009-05-29_crise-mostra-que-ha-recursos-para-combate-a-fome-diz-ministro_gg.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="250" src="http://www.portalodm.com.br/images/noticias/2009-05-29_crise-mostra-que-ha-recursos-para-combate-a-fome-diz-ministro_gg.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="color: #660000;"&gt;Quer ajudar? Nada de street dance, hein?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acredito que precisamos fazer a nossa parte. De um jeito mais inteligente, agregando conhecimento para aqueles que ainda não foram cooptados pelo crime. Não deixando tudo nas mãos do poder público. Agora vamos ser honestos: nada de fazer como essas ONGs que ensinam pobre a dançar, a fazer artesanato com&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;garrafa de plástico, a andar de perna de pau. Porra, como o pobre vai ganhar dinheiro fazendo essas merdas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se for para ensinar algo bem idiota ministrem um curso para qualificar os ladrõezinhos amadores, mostrando como se rouba profissionalmente. Pelo menos eles não vão matar ninguém depois dos ensinamentos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e você, com sua associação em prol da juventude, vai ter sua alma salva, além de poder espalhar por aí que a vida mudou e Belém agora está mais avançada com larápios profissionais, que não precisam ser coordenados por suas próprias vítimas durante o assalto. Não acha?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-7180118253446334431?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/7180118253446334431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=7180118253446334431&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/7180118253446334431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/7180118253446334431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/06/fui-assaltado.html' title='Passa o redondo!'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-1645256452426792365</id><published>2010-06-24T00:00:00.001-03:00</published><updated>2010-06-24T00:00:00.451-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quentchura'/><title type='text'>Aniversário</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero agradecer. Tirando o &lt;b&gt;&lt;a href="http://quandoabaratavoa.blogspot.com/"&gt;Paulo Nazareno&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; com sua ótica gráfica para leiautes toscos e o&lt;b&gt; &lt;a href="http://lorotasdadoca.blogspot.com/"&gt;Antônio Lorodadoca&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; com alguns pitacos para algumas postagens, este blog é feito com duas mãos, uma cabeça pesada e meio avariada, uma alma perdida e um par de olhos já meio estragados. Faço sozinho, como tantos outros blogueiros espalhados por aí. E para ser sincero nem quero ajuda. Já bastam as minhas próprias contradições, o meu desgosto e o meu arrependimento com minhas próprias palavras. Mas, claro, quero agradecer a quem passa por aqui, seja sempre, de vez em quando, ou passou pelo menos uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/racaazulavai.futblog.com.br/images/gd/1254868761/PARABENS-PRA-VOCE.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/racaazulavai.futblog.com.br/images/gd/1254868761/PARABENS-PRA-VOCE.jpg" width="372" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="color: #660000;"&gt;Opa. Algo saiu errado, vovô!&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia 24 de junho do ano passado, estava com mais uma insônia, a mesma de sempre, e cansado de escrever escondido no&lt;b&gt; &lt;a href="http://quandoabaratavoa.blogspot.com/"&gt;Quando a Barata voa...&lt;/a&gt;  &lt;/b&gt;Para aplacar a falta de sono e deixar meu amigo blogueiro em paz, criei secretamente o Bêbado Gonzo. No outro dia, lembro que contei apenas para Érika Pinheiro, que Deus a tenha, e os dois comparsas já supracitados. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O nome do blog, sinceramente, não é dos melhores. Ao contrário: é ruim. Ampliou uma fama que eu nem tinha, a de beberrão. Hoje, um ano depois, o título até combina mais com este postador que vos escreve, o qual foi inclusive acusado de “bêbado” em um dos últimos comentários deixados aqui. Como se ser bêbado fosse ofensa. Alguém tem uma cerveja por aí?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora nada atrativo, foi o nome mais adequado do que eu achei que seria este espaço. Mas, blogs e filhos tem uma semelhança: você cria os dois, mas nunca sabe a merda em que eles vão se tornar. A intenção inicial realmente era escrever textos com alguma relação com o jornalismo, não o diário, do dia a dia, mas algo sobre outra perspectiva, alguma coisa com um ritmo menos acelerado do cotidiano e uma linguagem com mais sal do que as páginas do noticiário me permitem durante minha rotina infernal de repórter trabalhando na periferia da periferia da periferia do capitalismo tardio.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.fotosdahora.com.br/fotos_upload//0000000000309.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://www.fotosdahora.com.br/fotos_upload//0000000000309.jpg" width="432" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="color: #660000;"&gt;Jornalismo era prioridade no começo. Deu no que deu.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, quem disse que eu consegui me ater ao objetivo inicial? Há por aqui textos que tratam de jornalismo ou mesmo alguns que relatam algum fato usando das técnicas deste monstro pós-moderno criado por Guttenberg. Mas, ao longo de um ano e mais de cem postagens, saiu de tudo um pouco. De reflexões sobre música a avacalhações com a Belém; de memórias bizarras da minha infância a choramingos por causa de amores perdidos; de personagens interessantes soterrados no anonimato a criaturas sinistras dignas da mais tenra e palpável vergonha alheia. Enfim, falei muito, de muitos temas, levando a afago e pedrada, como manda o figurino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de um ciclo solar inteiro (pareço uma bicha esotérica falando), chegamos neste ponto, relembrando um episódio importante para o século XXI. Um dia depois da criação do Bêbado Gonzo, morreu Michael Jackson, o mais do que reconhecido Rei do Pop, deixando uma lacuna enorme no show business e nos corações dos fãs, além de um alívio enorme para as criancinhas do mundo inteiro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A equipe de um único postador deste blog até se imaginou tomando lugar do astro, de alguma forma, cometendo alguma estripulia ou excentricidade para ficar tão famoso como o menino black and wihite. Até que tentamos neste 365 dias. Como vocês podem ver, o bloguer está milionário e famosíssimo com esta empreitada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É óbvio que continuo pobre e tão famoso quanto um ex-BBB da segunda edição do programa apresentado pelo Pedro Bial. Além de não ceder seu lugar de mega star da cultura pop para nós, Michael Jackson ainda fez o favor de minar todo e qualquer espaço na memória afetiva do mundo nessa&amp;nbsp; época Afinal, todos vão ver especiais de MJ nesse período de junho, mas nunca uma mençãozinha sequer sobre a criação do BG&amp;nbsp; Que puxa!&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TCKhwNJyJdI/AAAAAAAABKI/-uGRVhuCjgI/s1600/jan-24-2010_talese_1574.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TCKhwNJyJdI/AAAAAAAABKI/-uGRVhuCjgI/s400/jan-24-2010_talese_1574.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="color: #660000;"&gt;&amp;nbsp;"Seu blog é tão útil quando um diploma de Jornalismo". Gay Talese.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, isso não importa (importa sim, estou muito magoado). Importa a companhia e os laços feitos aqui com os amigos leitores. De alguma forma, vocês participaram e estimularam este velho no corpo de um agora trintão a resmungar em pixels, esbravejar, rir e chorar em palavras digitadas. Por isso agradeço cada leitura, cada comentário, cada encontro na rua com os mais próximos mencionando o blog, enfim, cada celebração neste casebre digital e, como todo morador de casebre, não deu para fazer uma festança, mas vai este bolinho em forma de post-agradecimento a cada um: aos assíduos, aos esporádicos, aos comentaristas de sempre e aos silenciosos, que dão aquele sorriso de canto de boca quando lêem algo que apreciam neste espaço. Aos detratores, um foda-se bem grande, porque não sou hipócrita nem de muito bons costumes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Obrigado, pessoal!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-1645256452426792365?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/1645256452426792365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=1645256452426792365&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/1645256452426792365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/1645256452426792365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/06/aniversario.html' title='Aniversário'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TCKhwNJyJdI/AAAAAAAABKI/-uGRVhuCjgI/s72-c/jan-24-2010_talese_1574.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-5271187889840309901</id><published>2010-06-16T11:01:00.000-03:00</published><updated>2010-06-16T11:01:02.958-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Não me deixem só</title><content type='html'>Não posso reclamar. Me dei muito bem na vida. Para quem começou com venda de livro usado na esquina, onde cheguei está ótimo. Mesmo que tivesse nascido em berço de ouro, estava igualmente excelente. Não é todo mundo que ascende até o Tribunal de Contas, com um salário de mais de R$ 25 mil por mês, sem contar as vantagens, os paparicos, o por fora. Tudo que esta cidade tem hoje em dia tem meu dedo, minhas opiniões, minha gana em crescer e minha vontade de abraçar esse mundo e guardá-lo na minha sala de estar, no meu bolso, ao alcance da mão para fazer o que bem entender. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Posso dizer com muito orgulho que, absolutamente, tudo que te cerca tem um pouco de mim. Eu. Estou em todos os lugares. E foi com certo sacrifício que conquistei este domínio. De livreiro chinfrim a dono de banca de muamba. De camelô a feirante. De feirante a taxista. De taxista a dono de mercearia. Da mercearia ao mercadinho. Do mercadinho ao financiamento de roubo de carros. E boom! Rápido estava no topo. Vendi um pouco de tudo. Maconha, cocaína, pasta. Me meti com os grandes. Distribui presente nas grandes festas do ano para a comunidade. Pobre se contenta com pouco. Aterro, dentadura, ligação de trompa, aborto, dinheiro miúdo, sandália de plástico, camiseta vagabunda. A primeira eleição de vereador me rendeu de cara quase 15 mil votos. Dei festa, comi em uma semana sete mocinhas cabaço. Cherei, fumei, distribui churrasco pra todo mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://chacinometronarede.files.wordpress.com/2009/03/corrupto.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="255" qu="true" src="http://chacinometronarede.files.wordpress.com/2009/03/corrupto.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na primeira lei que emplaquei, consegui comprar uma mansão pra minha mãe em condomínio fechado. Minha velha mereceu, que Deus a tenha e Nossa Senhora a proteja. Na segunda, consegui a licitação pra minha empresa de coleta de lixo. Em seis meses era líder do governo na Câmara, função que desempenhei com maestria. Na eleição seguinte, dava pra passar a deputado estadual com facilidade. E consegui, claro. Mais festas, mais pó, mais bucetas novas em folha. Mais cerveja, mais churrasco. O mundo era meu. No parlamento, tudo de novo: madeireiros, empreiteiros, donos de jogo de bicho, donos de construtoras, donos de puteiros. Todos aqui na palma na mão do doutor. Fui amealhando, amealhando, cada vez mais e mais. Eu era o dono do mundo. Em pouco tempo estaria em Brasília. Era lá o centro do planeta. E lá cheguei fácil. Me labuzei, me debati em quase overdose em meio às prostitutas mais lindas do País. Experimentei os garotos também. E pensar que por machismo recusei tantas vezes. Nunca foi tão bom. De deputado federal a senador foi um pulo. Nunca foi tão fácil. Mais dinheiro. Entupi minha mulher de jóias, viagens, amantes. Meus filhos papariquei o que pude e que não pude, livrando a cara do mais velho de um homicídio sem razão. Juízes também estão à venda, afinal. Tudo é tão barato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, era hora de voltar para minha cidade, para o meu povo. E me tornei prefeito. Fácil, como sempre. O pobre se vende por nada. A clásse média não pensa em nada e culpa o pobre. E os ricos? Estão comigo. Até o pescoço. Até o último fundo de poço em que eu puder chegar. Somos irmãos. Ninguém presta. Apenas os meus. Na prefeitura, tratei tudo como todos merecem. Água, trânsito, lixo, segurança, saúde. Um pra ti, cinco pra mim. Foda-se o pobre morrendo na fila do hospital. Morre um e nasce mil. E votam em mim sempre. Não importa o que faça. Não importa fraude, não importa estupros, não importa o desvio, não importa quem mandei matar. Treze ou 15? Perdi a conta. Não importa as mentiras. Aliás, as mentiras importam. É delas que os eleitores se alimentam. E precisam estar sempre de bucho cheio delas. Quero mais e mais. É isso. Tenho sede. Uma sede incurável. Quero sempre mais. A cidade que se foda. Afunde nos engarrafamentos, queime no calor de 45º, inunde na própria merda, se esvaia em sangue com a guerra das ruas, se extermine nas epidemias. Que morram as crianças e os velhos, os pedreiros, os advogados e as putas. Sempre hão de existir mais e mais. E sempre defenderão sujeitos como eu. Um vencedor, eu, eu, eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo aqui de dentro desse ataúde, de madeira de lei, de dobrões de ouro, vedado e anti-inseto, com uma almofadinha gostosa, ainda quero tudo. Não é justo a cidade não me ter mais. Não contar comigo. Não é possível essa massa de ignorantes sobreviver sem meus préstimos, minha dedicação. Nesse escuro, ouvindo esse choro todo lá fora, só penso na frase de um grande ídolo: não me deixem só.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-5271187889840309901?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/5271187889840309901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=5271187889840309901&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/5271187889840309901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/5271187889840309901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/06/nao-me-deixem-so.html' title='Não me deixem só'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-5374388453262994437</id><published>2010-06-01T02:51:00.002-03:00</published><updated>2010-06-01T03:01:14.161-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quentchura'/><title type='text'>Ninguém está livre da Copa do Mundo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não adianta reclamar, espernear, muito menos chorar sangue. Se você não gosta de futebol, vai ter que engolir 190 milhões de pessoas ao lado, em cima e embaixo (ui!) amando o esporte mais do que nunca, mostrando a cara horrível de choro e usando clichês absurdos como “Pátria de chuteiras”, perdoável apenas porque foi criado pelo muito safo Nelson Rodrigues, maior PHd em sacanagem que o Brasil já teve. Sim, amigos da rede Globo, mais uma Copa do Mundo está na porta.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.zaroio.com.br/i/o/200906240431361.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://www.zaroio.com.br/i/o/200906240431361.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;A Copa não é só futebol. Temos a musicalidade, por exemplo.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já disse aqui e em outras oportunidades que não sou chegado em futebol, o que sempre rende olhares desconfiados e mais atentos sobre meus gestos, esperando alguma viadagem de minha parte. Pura bobagem, porque tem muitos gays que simplesmente a-to-ram futebol, não é, Richarlyson? Pois então.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, claro, ninguém está imune às paixões coletivas e inconscientes. Não sou diferente em nada. Seu pai está há seis anos desempregado e sai para uma entrevista decisiva para um novo trabalho. Você não vai torcer tanto para o velho, mas deixa a Seleção entrar em campo em uma final. Você se descabela todo, rói as unhas do pé, grita até ficar com a voz da Elza Soares, vibra mais que consolo com pilha nova. Você é capaz de adiar o enterro da própria mãe para depois do jogo. Ou não?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na rua, vizinhos que se detestam fazem a coleta e trocam gracejos para enfeitar tudo com verde e amarelo. Temos um momento em que parece que tudo vai dar mais certo se o time fizer tudo direito. O mesmo ocorre quando tudo dá errado: fica a sensação de que somos muito piores, nosso sistema de saúde, transporte, coleta de lixo, políticos, puteiros, tudo é mais merda do que antes. Presidentes se aproveitam da glória ou afundam junto com a derrota neste espetáculo planetário em que a bola dita as regras.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://us.news1.yimg.com/us.yimg.com/i/fifa/en/xp/20020626/i/3583141255.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://us.news1.yimg.com/us.yimg.com/i/fifa/en/xp/20020626/i/3583141255.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Vai no peito e na raça, Brasiiiiiiiil!&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ego inflado do brasileiro ganha proporções incomensuráveis, algo como a bunda da Mulher-melancia com obesidade mórbida. Os argentinos ficam mil vezes mais idiotas com seus cabelos sebosos e suas caras de aspirador de pó. São os vilões do filme e que devem se dar mal a qualquer custo, voltar para casa chorando e entrar para rehab.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somos um povo vira-lata, mas que sabe jogar bola. É como aquele moleque esfomeado que é convidado para jogar com os meninos ricos: feio, magro, pobre, mas os bem alimentados coleguinhas não tem dez por cento da habilidade que ele tem com os pés. Embora o Brasil seja uma potência bem nutrida futebolisticamente falando, com investimentos e patrocínios invejáveis, nossa aura de Zé Mané resplandece quando ganhamos dos fortões e branquelos do primeiro mundo. Foi assim com a Suécia, Tchecoslováquia, Itália e Alemanha. Quem não se lembra do fracasso do artilheiro italiano Roberto Baggio, de 1994, e do goleiro germânico Oliver Khan? Europeus que sambaram bonito diante da superioridade do escrete canarinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Copa é nosso carnaval elevado a milésima potência e se você não gosta de carnaval nem de futebol apenas relaxe. Não vai dar para contrariar o mundo inteiro ou ficar com cara de desarranjo intestinal por cerca de um mês. Arrume uma camisa amarela, sente em frente à TV de plasma comprada em 97 prestações da casa de um amigo e se deixe contagiar.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TASgenMpgeI/AAAAAAAABKA/Ag-IEdr1U_w/s1600/BAGGIO.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="536" src="http://2.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TASgenMpgeI/AAAAAAAABKA/Ag-IEdr1U_w/s640/BAGGIO.JPG" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;1994: Baggio perdeu o pênalti. Olha a cara do pobre.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O campeonato com as melhores lembranças para mim foi de 1994, a final contra a Itália. Fui à Mosqueiro com uma tia assistir o jogo que nos daria o tetra já empunhando minha chatice anti-futebol. Chegando lá três coisas me chamaram atenção: um beagle muito velho, a mulher mais feia do mundo e um doutor honoris causa que falava muito mal de futebol.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o cachorro me diverti com os grunhidos e sua ineficiência para latir; com a mulher mais feia do mundo tive medo, porque ela dormiu perto de mim na noite que antecedeu o jogo; e com o doutor tive a primeira lição da sempre presente contradição humana, que me persegue até os dias de hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa linguagem muito polida, uísque na mão, o velho falava sobre a supervalorização do esporte para o brasileiro e as conseqüências dessa insensatez para os avanços sociais e políticos que o País almejava naquela época pós-Collor. Prestei muita atenção e me sensibilizei com aquele discurso muito afinado com a minha chatice congênita. Pura ilusão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o jogo começou e Galvão Bueno iniciou a tortura com os erres de Romário e do magrinho e iniciante Ronaldinho, que entrou para substituir alguém que não lembro em um momento que já esqueci, o clima na casa foi entrando em um estado de tensão e euforia único, mistura de assalto com refém e ouvir o nome no rádio no listão do vestibular.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os convivas foram se ligando de tal forma naquele espetáculo de grama e 22 homens desesperados pela vitória que quando Baggio perdeu o pênalti o mundo veio abaixo. Nego se ajoelhou, outros correram pra rua, mulheres choraram e o doutor-filósfo-sábio de plantão vibrou, berrou e pulou como qualquer outro brasileiro analfabeto em qualquer lugar do País. Maldito traidor de movimento. Só me foi fiel o cachorro que grunhiu e veio parar do meu lado na hora da confusão. A mulher feia ficou mais feia ainda com os espasmos de alegria. Um circo de horrores de absoluta malemolência, ginga e comemoração.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.imperativo.org/wp-content/uploads/2009/10/argentina_gostosa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="408" src="http://www.imperativo.org/wp-content/uploads/2009/10/argentina_gostosa.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #660000; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Que Messi, que nada! Escala esse time, Maradona.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;Era a primeira lição: não confie em intelectuais. Não por coincidência naquele ano um também doutor, sociólogo, ganharia as eleições para presidência do Brasil. Ganharia de novo em 1998, mas deixaria claro para todo mundo que não prestassem muita atenção no que ele dizia quando era um estudioso. “Esqueçam o que eu escrevi”. A frase de FHC ainda está na minha cabeça até hoje. Ainda bem que nunca li essa mula.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é preciso pedir, mas aproveitemos a Copa. Festas são festas e vamos dar o valor que elas merecem. Rir se for preciso, chorar se for conveniente, chamar o Dunga de burro mesmo sem entender nada do riscado, fazer a sua escalação particular e cabular trabalho, como é de praxe nesses tempos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só é imperdoável e sinal de filhadaputice aguda torcer para argentinos. Se for para vibrar com boçais que pensam que podem tudo e são melhores que qualquer outro sul-americano que seja com quem gosta de samba e nasceu por aqui mesmo. Vamos à Copa, época em que baixo a guarda e assisto essa bobagem fabulosa chamada futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-5374388453262994437?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/5374388453262994437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=5374388453262994437&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/5374388453262994437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/5374388453262994437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/06/ninguem-esta-livre-da-copa-do-mundo.html' title='Ninguém está livre da Copa do Mundo'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TASgenMpgeI/AAAAAAAABKA/Ag-IEdr1U_w/s72-c/BAGGIO.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-1779114278741407821</id><published>2010-05-30T15:13:00.001-03:00</published><updated>2010-05-30T18:28:59.167-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quentchura'/><title type='text'>Bêbado Gonzo Begins</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de mais uma parada estratégica no blog &lt;strike&gt;(que de estratégica não teve nada. Era só preguiça mesmo)&lt;/strike&gt;, voltamos aos minguados textinhos – surgindo em um intervalo de tempo cada vez maior. Mas, é assim mesmo. Ganho a vida escrevendo e, infelizmente, a gente precisa priorizar: ou sobrevive das tarefas ou fica feliz com o contato saudável com quem lê minhas bobagens. Enfim, estamos aí pro que der e vier. &lt;strike&gt;Nem tanto, nem tanto...&lt;/strike&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fandangogroovers.files.wordpress.com/2009/09/batman-begins.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://fandangogroovers.files.wordpress.com/2009/09/batman-begins.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Batman, o início. Não, não tem nada a ver com o blog, mas a armadura é maneira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Junho está na porta, mês de aniversário do Bêbado Gonzo. Ainda lembro quando pensei em criar um blog. &lt;b&gt;Paulo Nazareno&lt;/b&gt;, do &lt;b style="color: #660000;"&gt;&lt;a href="http://www.quandoabaratavoa.blogspot.com/"&gt;Quando a barata voa...&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;, não agüentava mais meus pedidos de espaço, minha sede de espalhar minha verve incendiária mundo afora. Sob o pseudônimo de Sepúlveda Gerardo, tinha uma coluna regular sobre cinema e vinhos no site do amigo, onde despejava todo meu conhecimento sobre esses dois entretenimentos humanos, ou seja: nenhum. A partir do momento em que meus textos começaram a fazer um sucesso estrondos e os acessos multiplicaram como coelhos, o dono da página se enciumou. Enquanto as postagens dele rendiam apenas quatro visualizações a cada mês, as minhas rendiam duas a cada quinzena! A situação ficou insustentável!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em uma manhã de sábado, após uma noite regada a álcool e sexo selvagem, estava de ressaca na casa de uma das minhas 317 amantes na época e recebi um telefonema de Nazareno. “Precisamos conversar...”. Era o fim de uma relação de mais de 15 anos blogando juntos, iniciada na época em que a conexão da Internet era feita com a força dos nossos irmãos escravizados vindos da África.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paulo partiu meu coração me mandando embora de sua vida virtual. Entregou meus pertences parte numa caixinha de sapato, parte em uma sacola plástica de supermercado, e deixou na porta da minha casa. Depois desta cena dramática, se manteve em silêncio até o coquetel de lançamento do Bêbado Gonzo, tão disputado como uma festa do Studio 54, tão bem frenquentado como os salões da Assembléia Paraense.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TAKnDyGuvvI/AAAAAAAABJw/z_mFq1eIhFQ/s1600/paulo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="304" src="http://2.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TAKnDyGuvvI/AAAAAAAABJw/z_mFq1eIhFQ/s320/paulo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Meu antigo compartilhador de blog ao saber que eu viraria um concorrente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na ocasião, Nazareno furioso acotovelou vários empresários do ramo da comunicação, vestidos de smoking reunidos em volta de mim, derrubou um garçom esparramando espumante e canapés pelo chão de mármore, afastou o prefeito e a governadora que me cumprimentavam e bradou: um dia hás de pagar, maldito desgraçado. Com os cabelos revoltos, as barbas em chamas, as narinas fumegantes e muito magoado, ele saiu batendo pé deixando uma saia mais justa do que a roupa da Mulher-melancia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tirando o fato de usar o blog do Paulo de vez em quando e ter um pseudônimo de Sepúlveda Gerardo, os quatro últimos parágrafos acima são mentiras deslavadas sem pé nem cabeça. Ah, nunca escrevi sobre vinho também. Só conheço o Cantina da Serra. A questão é que criei o BG para ter um espaço em que pudesse escrever sem a formalidade que minhas obrigações de trabalho me impõem e soltar o meu lado reclamão-lírico-pseudo-analítico-social-poético-filósofo-de-bar-fracassado. Um dia estava em casa &lt;strike&gt;coçando&lt;/strike&gt; e pensei: taí, por que não ficar rico criando um blog? Quase 365 dias depois estou multimilionário. Que bom, né?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase um ano depois, percebo que a empreitada foi além. Ganhei aqui alguns amigos, criei polêmicas inúteis, cultivei antipatias, li e ouvi alguns elogios por uns textos, li e ouvi muita reclamação de outros, cometi 5.783 erros ortográficos e de digitação, fiz promessas e não cumpri. Enfim, se chorei ou se sorri o importante é que emoções eu vivi neste casebre de bits, lamentações, pessimismo e alguns risos sem graça.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TAKqkwxReOI/AAAAAAAABJ4/LHL2GpZgI4c/s1600/gatomenina.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="317" src="http://1.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TAKqkwxReOI/AAAAAAAABJ4/LHL2GpZgI4c/s320/gatomenina.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Valeu muito pelas visitas, pessoal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste mês de aniversário, tentarei postar aqui alguns textos do início do blog e novos também nesse tempo de copa e quadrilhas - não as de bandidos, as de danças folclóricas. Ainda falaremos desta aventura de um ano feita com duas mãos, experiências confusas, uma cabeça pesada e os olhos e comentários de vocês. Desde já agradeço aos 143 seguidores fiés do BG. Meu carinho especial pra vocês que por algum motivo (talvez sem querer) clicaram no botão "seguir este blog". Também aperto às mãos e fico muito grato de quem não segue, mas passa aqui, deixa um recado, dá um sorriso de canto de boca, indica a leitura a outras pessoas e gosta do que leu. Deixo também um abraço forte aos que discordam, me xingam, me acham uma besta quadra. Faz parte do processo ter detratores. Só aviso que de tanto engordar estou ficando uma besta redonda. Acertem na geometria na hora dos impropérios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É isso. Voltamos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5000329952943159828-1779114278741407821?l=bebadogonzo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/feeds/1779114278741407821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5000329952943159828&amp;postID=1779114278741407821&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/1779114278741407821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5000329952943159828/posts/default/1779114278741407821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bebadogonzo.blogspot.com/2010/05/bebado-gonzo-begins.html' title='Bêbado Gonzo Begins'/><author><name>Anderson Araújo.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451594059412213274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/S7l8PtMy28I/AAAAAAAABGM/zc6cOGee4KM/S220/cole.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hkGd0DnJi-I/TAKnDyGuvvI/AAAAAAAABJw/z_mFq1eIhFQ/s72-c/paulo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5000329952943159828.post-3671894473006195594</id><published>2010-04-28T01:30:00.002-03:00</published><updated>2010-05-04T01:38:20.218-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tevê'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Celebridades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='&apos;Bom gosto&apos;'/><title type='text'>A praga da comedy stand up</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei vocês, mas não agüento mais a mania que se espalhou como um rastilho de fogo em capim seco pelo Brasil. Sim, meus queridos, há uma praga empestando este País. Não, não vou falar da corrupção endêmica, da gripe A ou mesmo dos filhos de famosos e suas tentativas risíveis de esboçar algum talento. O que quero é bater um papo sobre ser engraçado. Ah, mas quem é você, paspalho, para vir peitar um negócio tão legal como fazer os outros rirem? Ora, ora, o blog é meu e abordo a merda que eu quiser, simples assim. Contente-se, continue lendo e me critique depois, porque devo enfiar alguma piadinha sem graça no texto a qualquer momento.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://oferenda.files.wordpress.com/2009/11/macaco_serio.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://oferenda.files.wordpress.com/2009/11/macaco_serio.jpg" width="251" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Adoro esse macaco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente todo mundo resolveu o dizer ao mesmo tempo o seguinte: ninguém suporta mais ter informação séria do mesmo jeito e ninguém quer mais rir da Praça é Nossa, do Zorra Total, do Escolhinha do Magal e do Casseta e Planeta. Tom Cavalcante já era! Tiririca está out. Queremos renovação, queremos humor inteligente, queremos caras e moças bonitas com pinta de playboy sendo espirituosas e nos fazendo &lt;strike&gt;rir pra caralho&lt;/strike&gt; em demasia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Criou-se, portando, a cama perfeita para os sonhadores da comedy stand up. Claro, porque o que é a comedy stand up senão o sonho fantástico de ficar rico falando merda?  Alguns conseguiram e os exemplos estão aí: Rafinha Bastos, Danilo Gentili, Faustão, José Serra...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Abre-se a sessão para apedrejamentos das fãs dos comediantes). Mas, muita calma. Nada contra os engraçadalhos. Alguns até cumprem sua função no mundo de arrancar de quando em vez uma gargalhada ou, pelo menos, aquele sorriso forçado, oferecido também em almoços com a família mala da sua namorada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A questão é que a modinha pegou. O que era para se tornar uma opção de entretenimento no ócio confortável, morto lentamente com os vídeos na Internet, atingiu uma popularidade equiparada somente com os testes de DNA do Ratinho, o teste de fidelidade do João Kleber e a jogada pela janela dos Nardoni.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://rd1audienciadatv.files.wordpress.com/2010/01/foto_6.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="222" src="http://rd1audienciadatv.files.wordpress.com/2010/01/foto_6.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Humorista aposentado&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
