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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Portas

Dia desses voltando pra casa, relaxado e tranquilo depois de jantar, desci do carro, peguei as coisas e coloquei a chave na fechadura. Problema: emperrou.


Uma tentativa: nada. Duas. Três. Quatro. A tranquilidade começou a me abandonar. Já comecei a me imaginar dormindo num hotel. 


Mais uma tentativa: sem sucesso. Deve ser a maçaneta. Torce, torce. Frágil. Vai quebrar e não vai abrir. Tenta de novo. 

Já visualizei explicando a situação pra um chaveiro preguiçoso, que só ia aparecer depois do meio dia do dia seguinte. Só de imaginar os transtornos a pressão começou a subir.


Para. Respira, respira e respira de novo. Pensa, pensa.

Tentei pela última vez. Nada.

Aí tive a grande ideia: vou arrombar a casa.

Já fiz isso uma vez, numa tarde. Estava sem chave e não quis esperar para entrar. Forcei a janela do quarto de vestir, afastei uma sapateira, abri uma fresta suficiente pra eu passar e... pronto. Ia ser fácil de novo.

Dei mais uma voltinha na chave. Nada. Fiz com carinho. O lance é jeito, não força. Nada.

Vamos pro plano B: arrombamento.

Acesso o portãozinho do lado e me deparo com uma moto. Uma moto vermelha, estacionada do lado da minha casa! Que bruxaria é essa?

Meu deus! O coração parou! Olhei pro número! Putaqueopariu!

Só então percebi que estava tentando abrir a porta da casa do vizinho.

Como moro numa vila em que as casas são todas iguais não prestei atenção na hora de entrar na garagem. Vi o espaço vago, fiz a curva e coloquei o carro no lugar.

Explicar a chave errada na porta da frente, ok, o difícil seria justificar o arrombamento da janela de trás.

Com o agravante: o vizinho estava viajando e deixou a esposa sozinha! É provável que ela estava dormindo e não ouviu a tentativa de invasão. Ou ouviu e ficou quieta me esperando com uma escopeta engatilhada.

Sorte. Aliás, sorte dupla porque o vizinho da direita é policial civil e anda bem armado. Uma casa a mais e as circunstâncias seriam outras.

Quis o destino que naquele dia não eu não visse o sol nascer quadrado nem a grama crescer pela raiz.

Mas, uma coisa é certa: na penumbra, 36 é igualzinho a 38.

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