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domingo, 23 de abril de 2017

Noel bêbado de novo

Os tempos são outros, mas, apesar da leitura e do culto boboca e exaustivo ao Bukowski e aos beatniks, as fotos nas redes sociais da galera beijando garrafa de Absolut e Jack Daniels e participando de orgias, da força de todos os movimentos de minorias em marcha civilizatória por todo o mundo ocidental, Willie Cook ainda tem alguma força narrativa e arranca boas risadas.

A figura do vigarista beberrão derrotado pela vida, tarado sexual e despraguejador de tudo e de todos continua seduzindo por aí, porque nos provoca riso, repulsa e medo também. Medo das rasteiras que podem colocar qualquer um de nós no lugar dele. Todos acham engraçado, mas ninguém quer ser o homem exaustos e apaixonado pelas derrotas, cheio de traumas e marcas, vivendo miseravelmente á margem, apegado apenas ao que o corpo pode captar fácil e de imediato: o álcool e o sexo.
Quanto ao cunho politicamente incorreto, treze anos se passaram e reduziram a carga, principalmente, do machismo e da homofobia, por motivos óbvios. Mas, o que fica mais visível é o moralismo crescente nesses anos: o corpo é um incômodo em 2016, mas não em 2003 com seios, bundas e um tiquinho de púbis à mostra. Em ambos, o ato sexual é despido de sensualidade e se torna só um adereço para o humor.
Vi Bad Santa 1 e 2 e ainda acho graça do personagem escroto do Billy Bob Thornton. Continua sendo meu filme de Natal preferido, talvez por eu também não acreditar nessas merdas todas próprias da época e querer dar uns cascudos nesses demônios que as pessoas teimam em chamar de crianças.
Me desculpem.

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