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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Belém, entreposto sentimental

Às vezes bate uma saudade da família e dos amigos e penso: opa, tem feriado chegando, dá pra ir pra Belém de carro, a chuva deu uma trégua, o trecho entre Novo Repartimento e Tucuruí já melhorou, pé na estrada já que de avião é mais barato ir pra qualquer cidade da América Latina e até pra Europa.
Clique do Rogério Uchôa
Mas, depois paro e reflito: vou ter que enfrentar aquela selvageria do trânsito depois que sair da Alça Viária pra BR-316, engarrafamento na Almirante Barroso, falta de educação de tudo que é motorista, um malaco a cada semáforo e, mais tarde, medo de andar na rua ser vítima de sequestro relâmpago ou refém de assaltante fugindo da polícia ou ter uma arma apontada pra minha cara ou ser assassinado por causa de um celular, olhar tudo e ver a quantidade de lixo nas ruas e incivilidade pra todo lado.
Penso, repenso, penso de novo, calculo o gasto e entro nos sites das companhias aéreas. Quanto está uma passagem pra Lima ou Bogotá mesmo? Hum, Lisboa também não deve ter tanta diferença de preço.... Ligo pra galera, ouço a voz, acalmo o coração, bisbilhoto o Facebook de alguém e me agasalho por aqui mesmo.
Belém vai ficando como em segundo posto, entreposto sentimental, lugar de passagem, tão longe e tão perto, o incômodo pro viajante que para por algumas horas no aeroporto e suspira despedaçado ao constatar que a felicidade está em qualquer paragem, menos ali, na cidade Natal, hostil, violenta, confusa, difícil, onerosa.
Chegar não é mais o bom retorno pra nada, muito menos aventura. Aportar onde nasceu virou sacrifício, pavor, martírio, um mal estar que não passa, uma nostalgia do avesso.
É foda.

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