quarta-feira, 7 de maio de 2014

Cidades e sonhos



Há cidades nos meus sonhos.
Recortes inéditos, trechos vívidos
Prédios carcomidos, portos imensos,
praças por onde não andei.

Há cidades nos meus sonhos.
Até onde sei, quando sei,
há cidades no breu, paraísos perdidos.
Automóveis, lixo, moças, cacos de vidros.

Há cidades misturadas nos meus sonhos:
os lugares que não irei; a esquina recorrente;
a claridade da memória; a falta de asfalto,
as estivas de onde caí; espaços vazios;
ruas guiadas pelas mãos de minha mãe.

Há cidades espremidas entre o muro e paixão.
(o torpor da tarde inclemente)
Há cidades e cidades e cidades
emaranhadas, solapadas, inseparáveis.
Há saudades de dia, iluminadas nas noites
em que as cidades aparecem em meus sonhos.





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