Ok, ok. A narrativa que se segue é mero fruto de observação, alguns relatos esparsos após o acontecimento e migalhas de flagras perdidos em pixels espalhados por aí em imagens gritantes. Qualquer semelhança com a realidade apartado do álcool é coincidência total. Pediram e capitulei para escrever as impressões sobre a já famosa festa da Fiepa. Para desespero nosso, os abutres da notícia, não teve nenhuma desgraça. Nadinha. Ninguém subiu na mesa, não houve dedo em riste, cenas de tragédia grega, tampouco um mero tapa na cara, embora tenha visto alguns tapinhas carinhosos em algumas nádegas na hora do funk. Tudo dentro do esperado. Ou o esperado era mesmo a boa e velha porrada? Se era, mais uma frustração de um ano repleto delas.
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| Ary e Célia, uma dupla do barulho. |
Chego cedo à festa. Era umas nove e pouquinho. Desta vez trajando preto, como no Tropa de Elite, porque não sou moleque, tentando emular um latin lover, sem sucesso por causa da barriga. Consegui, no máximo, me aproximar de um Zorro aposentado sem máscara. Já na garagem da Federação encontro uma amiga das antigas que tinha jurado de pé junto não pôr os pés na festança por não ter recebido um convite. Mas o equívoco foi reparado e ela estava lá, claro, para confirmar que ninguém quer perder o bafafá.
Adentro o salão e os coleguinhas estão ali na área de fotos tentando transgredir posando com adereços de carnaval. Nada demais. A decoração é de boteco. Bela escolha para uma categoria que só não enche mais a cara por falta de tempo, energia e, sobretudo, dinheiro.
No meio de tudo, as nossas jornalistas, como sempre, se destacando de todo o resto com suas belezas bem planejadas para encaixar na tela. Uma mais belezoca que a outra, uma miríade que nem o mais tarado dos sutões conseguiria imaginar para o seu harém, um dos pontos altos da ideia estapafúrdia e genial de juntar jornalistas e abastecê-los com o bom e do melhor em comilança e bebelança.
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| Sorriso sem graça de sempre e a caricatura feita pelo J.Bosco. |
Fui passar o olho nas caricaturas feitas pelo grande J. Bosco, uma homenagem da Fiepa a 34 jornalistas. Lúcio Flávio, Célia Pinho, Úrsula Vidal, Frank Siqueira, Anderson Araújo... Anderson Araújo? Pois é, estava entre os homenageados. Achei estranho porque passei quase o ano inteiro cobrindo polícia no jornal, muito longe das matérias de economia que envolvem a Federação. Mas, fiquei contente. Só acho que o genial cartunista deu uma reduzida nas minhas bochechas, porém gostei do desenho.
Na primeira olhada aos dançarinos, vejo a intrépida Célia Pinho atracada ao performático fotógrafo Ary Souza. Uma fotografia surreal e imaginável no nosso corrido dia a dia atrás de problemas, tragédias e muitos dramas. A dupla recebeu aplauso no final do suingue merengado, suado, rasgado a todo vapor. Aplauso a eles que sintetizaram o clima da noite.
O texto do ano passado deve ter provocado uma reação adversa. A mesma que ocorre quando um governador vai visitar um hospital público. Todo mundo maquia a unidade hospitalar para parecer tudo lindo. A impressão que tive é que eu passava e as pessoas escondiam a sacanagem para eu não saber.
Depois me passaram alguns detalhes, como o contado pela Úrsula Ferro, que havia até um OB perdido na área de dança. Reza a lenda que era usado, informação não confirmada, mas que pode ser real. As saias curtas e os movimentos frenéticos das lindas moças podem ter expulsado o pequeníssimo absorvente do paraíso.
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| Presidente da Fiepa, José Conrado: "meu Deus, ano que vem tem de novo". (Foto: Rogério Uchôa) |
Sem barracos para registrar, o lance foi dançar. Dançar até versões de horrendas de pagodes de velhas músicas conhecidas, dançar o poperon dos anos 90 e dançar com as mulatas do Rancho não posso me amofiná. Já meio encharcado, não me amofinei e estou até agora coberto com a purpurina, o cheiro de Kolene e o perfume das fabulosas passistas do Jurunas. Coisas lindas.
No fim, o ritual comum da formação de casais improváveis, a confirmação de fins de amores, o extravio de velhas paixões e o velho desespero dos que querem se dar bem nas fartas porções femininas que ainda circulavam no salão. Teve fotógrafo querendo pegar beldades na marra, teve juras de amor de joelhos, teve enxerimentos sutis e, obviamente, teve a admissão de muito de voltar para casa apenas no desejo e com imagens em brasa na memória para render outras homenagens, essas não muito dignas nem em forma do traço elegante e jocoso da caricatura.
Enfim, quem perdeu, perdeu. Não posso reclamar de uma confraternização em que fui homenageado e ganhei no sorteio uma passagem com acompanhante para qualquer lugar do Brasil. Até tentei trocar por um pen drive de 64 gigas entre os convivas, mas ninguém se dispôs a fazer a troca. Deixaram passar a oportunidade.
Sem brigas, sem porradas, a festa mais concorrida do ano findou naquele papo de sempre: "e agora para onde a gente vai?". Comportado, acompanhei os coleguinhas em dois bares e parti para casa pensando seriamente em não escrever esse texto.



7 COMENTE AQUI!:
Eu quero viajar contigo!
ahahahahaha o senhor revelando as suas fontes...mas ó, me contaram e mais gente deve ter escutado essa estória também, Anderson Rubens!
Congrats para FIEPA por mais uma confra divertidíssima.
Úrsula Ferro.
a parte do Kolene foi duca, srsrsrsrs
Vamos, vamos. Vamos todos para Acapulco.
Ai, me leva? Nao vais te arrepender! Muah
Acho que vc perdeu alguns lances meu caro... hauahaua Quem viu, viu.. quem não viu... perdeu!
A catigoria está cada vez mais parecida com as pautas que cobrem: previsíveis, burocráticas e absolutamente desinteressantes. Salve Célia Pinho e Ary Souza, o sal da terra.
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