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quinta-feira, 16 de julho de 2009

A Lenda de Josefina

Fui um estudante de Jornalismo muito relapso, confesso. Ía pra universidade sem nenhum caderno, só com umas folhas soltas de papel no bolso e, de vez em quando, uma caneta Bic, que teimava em falhar ou ser perdida. Nas aulas, ficava olhando cofrinhos das meninas, me comunicando por bilhetes com os colegas mais chegados, desenhando rabiscos inúteis e observando defeitos físicos, fonaudiológicos e comportamentais dos professores. E tenho a impressão de que não estava sozinho no meu déficit de atenção.

Lá, aprendi mal e porcamente umas noções de redação jornalística; e que a Indústria Cultural é decisiva na formação histórica-política-econômica-cultural-social-cabeça-do-meu-pai do mundo pós-contemporâneo, onde o indivíduo não é único em si mesmo e está fragmentado diante de suas várias funções sociais permeadas por fenômenos midiáticos a todo instante, além de entender que isso não me serviria para porra nenhuma mais tarde.

Percebi ainda que a Vênus Platinada tinha muito mais poder sobre mentes e corações dos brasileiros e Roberto Marinho era mais pilantra do que eu pensava. Saquei ainda que Lúcio Flávio Pinto tem meia dúzias de histórias que ele repete sempre em palestras para o público juvenil, incansavelmente; que a Escola de Frankfut nunca teve um prédio de verdade como sede e Adorno não é somente sinônimo de enfeite, mas sim nome de gente também; e ainda que em viagens para encontros estudantis o que se faz menos é assistir a programação oficial e que as moças bonitas e gostosas do curso de Comunicação não dão confiança para rapazes como eu, isto em qualquer lugar do Brasil.

E compreendi ainda que não havia recursos na universidade para executar projetos experimentais decentes, como documentários e curta-metragens, coisas que me interessam e se tivesse oportunidade me dedicaria profissionalmente a fazê-las. Diante das vicissitudes da vida acadêmica e com um estoque infinito de predisposição para sacanagem gratuita, certa feita bolamos - eu e meus comparsas - um anti-documentário para uma disciplina ministrada pelo professor Otácilio Amaral. Isso lá em 2002.

O resultado são pouco mais de 13 minutos de uma versão alternativa para a lenda da moça do táxi, uma das muitas histórias de fantasma contadas no livro 'Visagens e assombrações de Belém', escrito por Walcyr Monteiro, escritor e jornalista. Muito generoso e com um senso de humor surpreendente, ele nos concedeu entrevistas e aceitou a brincadeira na boa. Hoje em dia faz questão de exibir o filminho em eventos literários quando tem oportunidade.

Deixo para apreciação esta obra de arte da falta de técnica cinematográfica e da vocação para o vexame e o descaramento, feita com orçamento abaixo de zero em um tempo que, se não dava para mudar o mundo, o jeito era avacalhá-lo. Alguns visitantes do blog já até conhecem, mas outros não viram. Portanto, revejam ou vejam 'A Lenda de Josefina', um 'crássico' exibido na TV Cultural local algumas vezes, mas que nunca vai estar em um cinema perto de você.
A versão foi reduzida para caber no Youtube e por isso não possui os devidos créditos. Denuncio abaixo, portanto, os 'irresponsáveis' por esta produção.

Elenco: Jéssica Martineli, Walber Neves e Paulo Nazareno.
Direção, roteiro e produção: Atores + Anderson Araújo, Lucas Damasceno e Flávio D'Oliveira.
Edição: Thiago Conceição
Participação + que especial: Walcyr Monteiro.

9 comentários:

J.BOSCO disse...

Sensacional, merece um prêmio!!
abraços

Anônimo disse...

Anderson, realmente tens uma tremenda cara-de-pau. hahahahahahah

Aline Brelaz

Fábio Nóvoa disse...

Eu sempre achei a Lenda da Josefina do Caralho. Quanto a história do Curso, me identifiquei total...
Fala aí então do Jack Picadinho, pô. hehehehehe

Fábio Nóvoa

Nanda Melonio disse...

A Lenda da Josefina é um CRÁÁÁÁÁÁÁSSICO do Projeção, pô!

Anderson Araújo disse...

Pena que não pudemos fazer a Matinta Pereira da Pedreira, o filme que daria continuação à serie.

A Lions Gate não endossou o projeto.

Anônimo disse...

É, aquela disciplina do Otacílio... Em 2003, minha equipe consegui fazer o primeiro documentário sem imagem do curso. E tirou "E".

Thiago

Kalynka disse...

Muito bom. Demais!!!
Nooooossa quando somos estudantes, quanta criatividade...hahahahahaha!!! Hilário tudo, mas o Paulo de taxista...kkkkk, imperdível!!! A trilha musical, super. Vou postar no orkut....seus doidos. Adoro!

Nega disse...

To doida pra dá um olho nesse vídeo, mas to aqui na universidade. Sim, acredite você, desde o primeiro comentário as 18.00.

Não que eu seja desocupada num todo, mas só tenho aula as 20.30 e aproveitei para pegar carona com meu irmão as 18.00, já que tinha que imprimir umas apostilas... etc... caixinha de fósforo. Não que eu já tenha imprimido algo, mas já enviei para a impressora, o que já é alguma coisa, aliás, daqui a pouco entro na fila... caixinha de fósforo...

Esfinge de Giz disse...

Paulo parece mexicano mesmo. hehe