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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Maluco, pero no mucho.

Nessa maravilhosa e bem remunerada profissão de repórter passamos por algumas situações curiosas. Uma ocorreu na cobertura da morte da irmã Dorothy Stang.

Em 2005, ainda repórter do Diário do Pará, me mandaram pra Altamira/Anapu para contar o dia a dia das investigações. Lá, descobri que kombis podem surfar em diagonal na Transamazônica e uma viagem de 150 Km no meio da lama pode ser feita em 50 minutos. Cumpri a missão e voltei contente por ter visto o outro lado do Estado.


Não sou eu fotografando ali atrás .
A experiência me credenciou, em 2006, a relatar o que tinha ocorrido depois do assassinato da religiosa, pelo jornal O Liberal. Pouca coisa tinha mudado: grilagem, perseguição, agressões, ameaças, o escambau.
Vou eu, no meio do mato, atrás de um personagem para matéria. Soube de um sujeito que teve a casa queimada e acusava um grileiro recém-chegado, cuja fama era de mal e de andar bem armado. Junto com o motorista - um medroso, por sinal - encontrei o agricultor.

Não é só em Belém que tem congestionamento.

Quando chegamos na choupana chamuscada, antes de achar o entrevistado, percebi a presença de um rapaz com visíveis transtornos mentais. Um figura: cabeludo, astuto, sorriso engraçado e muito interessado na minha conversa. Cumprimentei e segui. Ele nos acompanhou.

O entrevistado nos recebeu e contou como a polícia ajudava quem tinha dinheiro e maltratava os desvalidos. Acusou o grileiro e disse que seu algoz morava "mais pra frente". Nesse ponto, o maluquinho interrompe, superempolgado, e diz: "eu sei, eu sei, eu sei. Eu sei onde é".

Ótimo! Acabando a entrevista, olhei para o cabeludo e perguntei: onde é mesmo que o grileiro mora? Ele apontou e disse pra irmos até a margem da vicinal para mostrar melhor. Fomos, o motorista, o informante e eu.

Ele explicou como chegar. Entrei no carro e convidei:não quer vir com a gente pra mostrar melhor. Assustado, fez uma cara feia e disse:
- NÃO, NÃO, NÃO, NÃO!!!, balançando a cabeça. E começou a recuar.
O motorista, percebeu o pavor do rapaz, e soltou:
- Ele é doido. Mas, não é burro.

E caimos na gargalhada, agradecendo a boa vontade da fonte. Mais adiante, encontrei os grileiros e seu grupo e me decepcionei: uns goianos, novinhos, iludidos com a possibilidade de regularização de terras em Anapu. A arma: uma garrucha velha que ora funcionava, ora emperrava. Nada ferozes, pra alívio do motora, que jurava que seríamos mortos numa tocaia.

3 comentários:

Anônimo disse...

Fala, Anderson!!
Gostei do blog. Abração.
Isaac.

anderson_araujo disse...

Valeu, Isaac.

Obrigado pela visite.

Abraço.

Nega disse...

"Lá, descobri que kombis podem surfar em diagonal na Transamazônica e uma viagem de 150 Km no meio da lama pode ser feita em 50 minutos."

Ora ora meu colega, não precisa ir tão longe, já surfastes de paar-ver-o-peso? NUNCA? não boto fé!

Qualquer dia desses lançarei esse convite a sua pessoa.
--X

Esses assuntos que envolvem o meio ambiente, desenvolvimento sustentável e caixinha de fósforo me causam ânsia de vômito, não me despreze por isso.

Bjs,

Nege