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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Excomunhão

Alguns comentários no post anterior remeteram a histórias dessa maravilhosa e muito bem remunerada vida de repórter. Mas, dia desses estava lembrando de outra fase, antiga por sinal, da qual trago excelentes lembranças e quase - sempre o quase pra atrapalhar! - a excomunhão da Igreja Católica.

Marcelino Pão e Vinho perdia para o meu Catolicismo
Costumo dizer que já estive em vários meios que me transformariam em um sujeito que não tem nada a ver com o eu atual. Já fui atleta amador preste a entrar numa seleção estadual de natação; fui ator de teatro me esgoelando e arfando nos palcos paraenses; já perambulei vendendo camarão rosa junto com um tio pelas ruas de Belém; e já e já fui... nada é pior do que isso, minha gente. Já fui católico! E, pensei até entrar para o sacerdócio! Mas, isso é outra coisa. Quero dar meu testemunho aqui de uma história de paz e harmonia entre o grupo de jovens seguidores da Santa Sé.
O ano era 1996. Tinha 17 anos e fui a um "retiro espiritual", organizado pelo grupo que fazia parte. Muitas orações, ensinamentos de Cristo, atividades recreativas e ... PORRADA! Pois é, tudo a ver com a Igreja Católica, ué! Naquela micro-sociedade de bons moços e meninas recatadas, debaixo daquela tendência natural à bondade e a solidariedade, moravam pequenos Hitleres e arruaceiros de marca maior. E vou avisando logo que estava do lado dos arruaceiros.
Já na chegada, ficou claro que o conjunto se dividiria em dois: 1) aqueles que queriam levar a coisa a sério e, no intervalor, amassar e buzinar suas namoradinhas; 2) aqueles que, solteiros, queriam colocar a energia juvenil a serviço da avacalhação geral e, apenas no intervalo, levar um pouco a sério as coisas de Deus. O coordenador do grupo, que os avacalhadores, por motivos óbvios e por ressentimento de outras situações, não iam com a cara, foi logo avisando: nada de bagunça e, nada de tirar brincadeiras sem graça com as meninas.
Ele só não especificou quais brincadeiras eram com e quais eram sem graça. Um dos rapazes afeitos à folia decidiu que jogar água com mijo para dentro do quarto da mulherada era brincadeira com graça. Foi a deixa para o Armagedón!
Os Cavaleiros do Apocalipse apareceram no encontro de jovens católicos.
Rápido os mais sérios se organizaram e tentaram dar lição de moral nos meninos serelepes. O bate-boca cresceu e a situação ficou feia. Espertamente, o coordenador resolveu trancar alguns malfeitores no dormitório. Eu, inclusive, estava dentro do quarto transformado em masmorra. Agitados com a possibilidade de ficar presos a noite toda, os camaradas se organizaram para por a porta abaixo. Muito sensato para idade, disse a eles: "que isso! Vamos usar a cabeça. Tragam uma faca de mesa que desmontamos a fechadura e saimos". Boa, garoto! Excelente idéia.
E lá estávamos nós, uns dez, tentando descobrir a misteriosa arte do arrombamento. Depois de um tempo, o mecanismo já todo escangalhado, minha sapiência apitou de novo e eu proclamei: "acho que já dá. Agora é só empurrar um pouco e estaremos LIVRES!". Um dos meninos presos gostava dos filmes do Bruce Lee e até praticava Kung-fu. Foi dele o chute que derrubou não apenas a porta, mas boa parte da parede do quarto, deixando um rombo inacreditável.
Lá fora o cenário era dos piores. Rebelião na Febem perdia feio: moleques com a cara tapada por camisas; brigas isoladas; armas brancas; alguns machucados; correria; palavrões; o horror, o horror. A guerra só cessou depois de um cutucão violento com vara de bambu dado entre dois desafetos e, mais tarde, um tiro de rojão trocado entre um soldado de Cristo e outro para vingar o covarde golpe.
O negócio pegou para o grupo rival.


Seu Matias, o religioso espanhol responsável pela bonita chácara dos salesianos, chegou bem depois da confusão. Havia saído para fazer sabe-se lá o que, confiando nos moleques. Apareceu assustado com um revólver 22 velho na mão achando que era um assalto, uma revolta popular ou mesmo o retorno das cruzadas. No ônibus, voltou todo mundo pra casa bem cedo com uma estranha sensação de ter feito merda das brabas.

Poucos dias depois o pároco chamou os cordeiros de deus e disse claramente: não quero mais nenhum de vocês por perto. Seus deliquentes. São piores que a TP (Turma da Praça, uma gangue que infernizava o bairro da Sacramenta no anos 1990). Ninguém mais pisa aqui enquanto eu estiver na paróquia!

Assim acabou o grupo de oratório, que mostrava as primeiras noções do Cristianismo para crianças e jovens em uma tradicional escola católica da Pedreira. Achei uma injustiça tamanha! Mas, olhando agora... talvez, se isso não acontecesse, ainda estaria engolindo hóstil todos os domingos.

Em outra oportunidade conto a história do frei que ameaçou a noviça de morte e depois de tirar a própria vida se a aspirante a Esposa de Cristo não continuasse a fazer saliências com ele.

E viva o Bento XVI!

6 comentários:

Anônimo disse...

hahahahaa. Já disse para vc que és quase um marginal????
Aliás, acho até que foi o jornalismo que te salvou disso. (ou não?!?!?!?!)
hahaha
De qualquer forma, continuo sendo sua fã!
Bjos
Irna Cavalcante

anderson_araujo disse...

Digamos que um indivíduo de média periculosidade. Nada que choque a sociedade ou cause maiores danos.

Valeu pela visita.

Hahahaha.

J.BOSCO disse...

Anderson, não tenha vergonha de dizer que um dia, você pensou em ser padre, pois o exercício do sacerdócio também já passou pela minha cabeça,e também pela vontade radical de meu inesquecível pai teólogo dogmático.Nasci ouvindo pregações e heresias dia e noite.A igreja me fascina até hoje, principalmente a católica.Com o passar do tempo, descobri que Deus me queria servindo de outra maneira: constituindo uma família.Graças a Deus me livrei do maldito celibato.Isso afasta qualquer pretencioso do sacerdócio...rss

abs

anderson_araujo disse...

Grande Bosco.

Po, foi nisso que eu pensei também. Fui até a um seminário ver como era. Mas, a ausência de mulheres e o convivío forçado com aqueles camaradas me desestimularam. Mas, até hoje eu me comporto como católico. Quem enche a cara comigo sabe que sou quase um santo.

Nega disse...

HAUHAUHuahUAHuahUAHUhau

DERRUBARAM A PAREDE!!

Todos delinquentes, todos!

Irrecuperáveis!
Poderias dizer por onde andam alguns desses marginais... traficando, matando...


Ai ai.
Esse papo cristão me fez recordar que eu já reproveio no catecismo, triste hein.

Deixe-me ir, minha aula começou nesse instante e eu to aqui de bob, sem grandes ídolos.

Bjs,
Nega

Esfinge de Giz disse...

"E, pensei até entrar para o sacerdócio!"
"E vou avisando logo que estava do lado dos arruaceiros."
"Espertamente, o coordenador resolveu trancar alguns malfeitores no dormitório. Eu, inclusive, estava dentro do quarto transformado em masmorra."
"E lá estávamos nós, uns dez, tentando descobrir a misteriosa arte do arrombamento."
"No ônibus, voltou todo mundo pra casa bem cedo com uma estranha sensação de ter feito merda das brabas."


Crias da pedreira... imagina se não quisesse entrar pro sacerdócio, hein. rs